A sentença de Kleene, indecidível, é ∏2. Assim, implica Consis T, mas não
equivale a ela.

2010/8/1 Decio Krause <[email protected]>

> Caro Samuel, caros todos
> Bacana o que você está pretendendo fazer. Se posso dar palpite, creio que
> seria bom tirar da cuca das pessoas duas coisas que são ditas por aí (veja a
> barbaridade que o Stephen Hawking diz sobre os teoremas de Gödel em
> http://www.damtp.cam.ac.uk/strings02/dirac/hawking/ )----para quem está
> com preguiça, eu reproduzo uma frase: "This is very reminiscent of
> Goedel's theorem.This says that any finite system of axyoms, is not
> sufficient to prove every result in mathematics.": 1) os teoremas se
> aplicam para *certas* teorias formuladas *de certa maneira*, e não em geral;
> isso pode parecer óbvio para quem já estudou alguma coisa a respeito, mas
> não é sabido em geral; 2) quanto ao segundo teorema, de fato Gödel provou
> que *certa* sentença que estabelece que AP é consistente não é provável em
> AP, mas há *outras* sentenças que dizem a mesma coisa que são prováveis em
> AP. Pode ver Mostowski 1966 (Thirty Years of Foundational Studies). Diria
> ainda que 3) falamos *nos* teoremas de Gödel como significando seus teoremas
> de incompletude; mas na verdade deveríamos qualificar, pois ele tem vários
> outros, como é bem sabido.
> Quando tiver alguma coisas pronta, manda para vermos e divulgarmos.
> Abraços gerais,
> Décio
> Ah, turma, está saindo um livro com coisas brasileiras em
>
> http://www.springer.com/philosophy/epistemology+and+philosophy+of+science/book/978-90-481-9421-6
>
>
> ________________________________
> Decio Krause
> Departamento de Filosofia
> Universidade Federal de Santa Catarina
> 88040-990 Florianópolis, SC -- Brasil
> [email protected]
> www.cfh.ufsc.br/~dkrause
> ________________________________
> *Doctor Bell say we’re connected,*
> *He called me on the phone,*
> *But if we’re really together baby,*
> *How can I feel so all alone?*
> (Bell's Theorem Blues)
>
> Em 30/07/2010, às 19:31, [email protected] escreveu:
>
> Olá colegas,
>
> Estou preparando uma apresentacao (que se propoe básica) sobre alguns
> aspectos de inconsistência e independência em matemática, e, como
> alguém da Teoria dos Conjuntos, sou muito mais "usuário" do que
> "estudioso" dos Teoremas de Incompletude.
>
> Entao "topei" com algo que nao deve (mesmo !) entrar na apresentacao,
> mas que me despertou curiosidade.
>
> No verbete sobre Gödel da Stanford Encyclopedia, é citado que ele,
> numa resenha (1934) de um artigo de Skolem (sobre ultraprodutos),
> teria observado que a existência de modelos nao-standard de PA
> seguiria do Teorema da Incompletude. Algumas pessoas até estranham que
> ele nao teria citado o "caminho mais fácil", que seria o Teorema da
> Compacidade...
>
> Nao achei essa resenha. Mas achei em alguns textos este argumento (no
> que segue, G é a - ou, talvez melhor, uma - sentenca de Godel, sendo
> assim equivalente à sua nao-demonstrabilidade):
>
> **************************************************************************
>
> "Suponha PA consistente. Entao, pelo Primeiro Teorema de Incompletude,
> PA nao prova a sentenca de Godel G.
>
> Segue que PA + ~G é consistente, logo, pelo Teorema da Completude para
> teorias de primeira ordem, tem modelo.
>
> Nesse modelo vale ~G. Entao esse modelo difere do modelo standard, no
> qual a sentenca de Godel G é verdadeira".
>
> **************************************************************************
>
> Apresento algumas questoes, nao sei se elas sao "bobagem" ou nao...
>
> 1) Alguém sabe se este é o argumento de Gödel na tal resenha, ou se
> ele usou esse argumento depois ?
>
> 2) Usualmente se diz que "G é verdadeira e nao pode ser demonstrada".
> Bem, G é (facilmente) equivalente à consistência de PA (o que
> inclusive já prova o Segundo Teorema de Incompletude).
>
> Muitas vezes se diz que "G é verdadeira no modelo standard" (isso
> aparece inclusive no argumento que eu destaquei acima). Essa afirmacao é
> intuitiva ou pode ser mesmo formalizada ?
>
> (sobre esse problema eu vi que se tem uma discussao filosófica
> interessante, "saber" (ou "ser capaz de deduzir que") que a sentenca G
> é verdadeira seria uma prova de que a mente humana supera os
> computadores, isso seria um tal argumento de Lucas/Penrose...)
>
> 3)(e aqui uma pergunta que se alguém me fizer hoje eu nao sei responder)
>
> A sentenca de Godel G é equivalente a Con(PA). Assim, se eu assumo
> Con(PA), estou assumindo que G é verdadeira. Ela nao deveria entao ser
> verdadeira em todos os modelos de PA ? Como fica o argumento acima
> para modelos nao-standard ?
>
> É isso, espero que os especialistas possam me ajudar...
>
> Grato,
>
> []s  Samuel
>
>
>
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