Gentzen 36 equivale à sentença de Gödel, Samuel. Tem Kleene 36. Dá pra fazer
infinidades.

2010/8/2 <[email protected]>

> Olá Dória,
>
> Grato pela respostas também !
>
> Eu já tinha percebido isso. Alguns autores chegam a chamar de "sentencas
> nao-godelianas" as sentencas aritméticas verdadeiras (no modelo standard)
> que nao podem ser demonstradas, indo pela ordem no tempo:
>
> - Gentzen 36 (Con(PA) por inducao sobre epsilon_zero)
>
> - Paris Harrington
>
> - Goodstein
>
> Tem um review do Smorynski sobre um livro de Smith (nao li o review inteiro
> mas li uns comentários do próprio Smith) no qual o Smorynski critica
> duramente o Smith por uma imprecisao histórica, pois o Smith no livro dele
> (Introduction to Godel Theorems) teria dito que o primeiro exemplo de uma
> "nao-Godeliana" seria Paris-Harrington, tendo se esquecido de Gentzen 36 (e
> de mais algumas coisas dos anos 50, nao me recordo agora).
>
> Até,
>
> []s  Samuel
>
>
>
>
>
> Quoting Francisco Antonio Doria <[email protected]>:
>
>  Cuidado que a sentença de Paris-Harrington ***não é*** equivalente a
>> Consis
>> PA.
>>
>> 2010/8/2 <[email protected]>
>>
>>  Olá a todos,
>>>
>>> Agradeco pelas respostas. A universidade aqui (estou no México) está
>>> em seu (extenso) recesso de verao, nao tinha ninguém pra bater bola,
>>> foi bom bater bola com voces.
>>>
>>> Walter: obrigado pelos comentários e pelo material. Seu aluno Anderson
>>> também me mandou alguma coisa, já o agradeci também. Vou comentar algo
>>> da sua resposta:
>>>
>>>
>>> Quoting Walter Carnielli <[email protected]>:
>>>
>>> > Caro Samuel:
>>> >
>>> > o que você  levanta  são  questões  profundamente  interessantes.
>>> >
>>> > Envio  a voce em separado (parece que a  Lista não aceita o arquivo)
>>> > um prefácio de  Robert Vaught sobre  o "review" que Gödel publicou
>>> > sobre os trabalhos de  Skolem de 1933 e 1934 (dos quais
>>> > Gödel  diz que "são  praticamente os mesmos"). Isso aparece nos
>>> > "Collected Works" vol I, editado  S. Fefermann, pp. 376-379, que são
>>> > as  páginas que envio.
>>> >
>>> > O texto contem a resenha que você   procura, e ainda a importante
>>> > opinião  de  Vaught.
>>> >
>>> > Aparentemente Gödel  não viu que a existência dos modelos não standard
>>> > segue do Teorema da Compacidade (que ele mesmo  demonstrou em 1930!).
>>> > Como Vaught nota na  pag. 377, Gödel afirma que  tais modelos
>>> > não-standard seguiriam do seu Teorema de Incompletude (o que não é
>>> > incorreto da maneira que Gödel coloca, mas  não revela a  razão
>>> > principal).
>>> >
>>> > Dou aí abaixo algumas   opiniões  sobre  o que você pergunta   (mas
>>> > não são  mais que opiniões-  não me  considero nenhum "especialista"
>>> > sobre o assunto--de resto, parece que nem Gödel, nem Skolem o
>>> > eram...).
>>> >  **************************************************************
>>> >
>>>
>>> ----------> Pois é, é um assunto derrapante mesmo, como vc disse depois.
>>>
>>> >> "Suponha PA consistente. Entao, pelo Primeiro Teorema de Incompletude,
>>> >> PA nao prova a sentenca de Godel G.
>>> >>
>>> >> Segue que PA + ~G é consistente, logo, pelo Teorema da Completude para
>>> >> teorias de primeira ordem, tem modelo.
>>> >>
>>> >> Nesse modelo vale ~G. Entao esse modelo difere do modelo standard, no
>>> >> qual a sentenca de Godel G é verdadeira".
>>> >>
>>> >
>>> >
>>> > Sim, os modelos não- standard suportam  essa situação perfeitamente
>>> bem.
>>> >
>>> > **************************************************************
>>> >>
>>> >> Apresento algumas questoes, nao sei se elas sao "bobagem" ou nao...
>>> >>
>>> >> 1) Alguém sabe se este é o argumento de Gödel na tal resenha, ou se
>>> >> ele usou esse argumento depois ?
>>> >
>>> >
>>> > Não usou, e  acho  (mas  não  tenho certeza) que   Gödel  nunca  usou
>>> > este argumento. Mas  nos trabalhos contemporâneos  acredito  que isso
>>> > já  seja "folclore".
>>> >
>>>
>>> ------------> Estou sem o meu Kleene aqui, mas na página 377 do Review
>>> que vc me mandou o Vaught diz que na página 430 do Kleene tem um
>>> comentário sobre o argumento de Gödel, e penso que deve ser algo
>>> parecido mesmo, pegar uma A nao provável, olhar para consistencia de
>>> PA + ~A e aplicar completude.
>>>
>>> Mesmo pensando em termos do modelo standard, o Francicleber me mandou
>>> uma mensagem (a qual também agradeco) lembrando que nao há porque se
>>> preocupar só com a sentenca de Gödel, pois para qualquer A que nao
>>> seja demonstrável, teremos uma entre A, ~A será válida no modelo
>>> standard, e assim teremos uma fórmula válida no modelo standard que
>>> nao será consequencia sintática de PA e que portanto nao vale em todos
>>> os modelos, garantindo a existencia dos modelos nao-standard (mas
>>> passando pelo Teorema da Completude...).
>>>
>>>
>>>
>>>
>>> >>
>>> >> 2) Usualmente se diz que "G é verdadeira e nao pode ser demonstrada".
>>> >> Bem, G é (facilmente) equivalente à consistência de PA (o que
>>> >> inclusive já prova o Segundo Teorema de Incompletude).
>>> >>
>>> >> Muitas vezes se diz que "G é verdadeira no modelo standard" (isso
>>> >> aparece inclusive no argumento que eu destaquei acima). Essa afirmacao
>>> é
>>> >> intuitiva ou pode ser mesmo formalizada ?
>>> >
>>> > Sim,  pode  ser verificada no modelo standard.
>>>
>>>
>>>
>>> --------> Nao achei nenhuma boa referencia sobre isso, mas deu pra
>>> entender que a argumentacao usa a nocao de "truth-in-a-model"...
>>> Essencialmente, a codificacao de Gödel é em cima dos naturais
>>> standard, e depois de feita a prova, olhamos para as codificacoes e
>>> checamos que uma certa fórmula com quantificador vale no modelo
>>> standard (como é semântico, "basta olhar", se fosse sintático teria
>>> que aparecer algo como \omega-consistência). Essa fórmula é G. OK.
>>>
>>>
>>>
>>> >
>>> >> (sobre esse problema eu vi que se tem uma discussao filosófica
>>> >> interessante, "saber" (ou "ser capaz de deduzir que") que a sentenca G
>>> >> é verdadeira seria uma prova de que a mente humana supera os
>>> >> computadores, isso seria um tal argumento de Lucas/Penrose...)
>>> >
>>> >
>>> > Mas essa  é outra questão-- a propósito, dê   uma  olhada em:
>>> >
>>> > "Why is the Lucas-Penrose Argument Invalid?"  Manfred Kerber,
>>> > http://www.cs.bham.ac.uk/~mmk/papers/05-KI.html
>>> >
>>>
>>>
>>> --------> Essa questao do argumento de Lucas\Penrose, eu já tinha
>>> visto que era bem polêmica... Vou ler esse artigo que vc me indicou.
>>> Trombei na internet com um artigo do Shapiro de nome engracado,
>>> tratando nao exatamente disso mas de algo relacionado: "A sentenca de
>>> Godel é verdadeira - mas alguém mudou de assunto ?"
>>>
>>>
>>>
>>>
>>> >> 3)(e aqui uma pergunta que se alguém me fizer hoje eu nao sei
>>> responder)
>>> >>
>>> >> A sentenca de Godel G é equivalente a Con(PA). Assim, se eu assumo
>>> >> Con(PA), estou assumindo que G é verdadeira. Ela nao deveria entao ser
>>> >> verdadeira em todos os modelos de PA ? Como fica o argumento acima
>>> >> para modelos nao-standard ?
>>> >
>>> > Se eu entendi bem  questão  (essas  coisas são  derrapantes), tudo
>>> > isso vale para o modelo standard de PA. Para  os não  -standard, seria
>>> > outra coisa. Mas  não  há nada de chocante nisso (pelo menos  como eu
>>> > vejo).
>>> >
>>>
>>>
>>> ------> É, aqui eu dei uma derrapda, por falta de experiencia de
>>> trabalhar com PA (faco argumentos do tipo para ZFC e nunca tive
>>> problema nenhum !). Como PA nao prova Con(PA), entao, como a
>>> aritmética, apesar de ser sintaticamente incompleta, é semanticamente
>>> completa, nao vai ter Con(PA) válida em todos os seus modelos.
>>> Tranquilo. Devo estar entre os que pensam no Teorema da Completude
>>> como sendo para LÓGICAS de primeira ordem, sendo que podemos enunciar
>>> para TEORIAS de primeira ordem... Simplesmente, esqueci de aplicar
>>> Completude quando fiz a pergunta (3) !!!
>>>
>>> "Assumir a consistencia de PA" nao é uma frase "cataclismica" que muda
>>> a compreensao das coisas, só equivale a dizer que uma certa fórmula
>>> (ou string de números...) está sendo suposta verdadeira. "Assumir a
>>> consistencia de PA" é "Estamos trabalhando num modelo onde a sentenca
>>> de Godel é satisfeita".
>>>
>>> Como disse, estou sempre fazendo isso em ZFC. Existem muitas assercoes
>>> matemáticas equivalente a CH (Hipótese do Contínuo) - uma simples e
>>> que estou fazendo propaganda é a seguinte: "Se do plano R^2 retiramos
>>> um conjunto de tamanho aleph_1, o que resta é um conjunto simplesmente
>>> conexo". "Assumir CH" nao faz com que essa frase sobre o R^2 seja
>>> verdadeira, "Assumir CH" é trabalhar num modelo em que CH vale (e essa
>>> frase sobre o plano também).
>>>
>>>
>>> > Estou trabalhando na questão  da consistência, preparando um artigo
>>> > para  os  "Proceedings" do  evento   "CLE/AIPS - Science, Truth and
>>> > Consistency" (em homenagem
>>> > aos 80 anos do Newton) . Minha proposta, mas  isso leva uma 25
>>> > páginas, é  que há tantas noções de  "consistência" que  o conceito
>>> > axiomatizado (como nas LFI's) deveria ser  levado  a sério, e  teria
>>> > talvez  até modelos não standard!
>>> >
>>> >
>>>
>>> ------> Bom, depois gostaremos todos de ter acesso ao trabalho !
>>> A nocao de "consistencia nao-standard" deve ser interessante... Grato,
>>> Walter.
>>>
>>>
>>> Décio: meio sem querer, durante a preparacao dessa minha palestra, eu
>>> acabei me preocupando com essas questoes do tipo que vc levantou, "as
>>> más interpretacoes" do Teorema da Incompletude. Fora as questoes mais
>>> óbvias, aplicando incompletude para a Bíblia ou para a Constituicao,
>>> existem outras mais sutis.
>>>
>>> Por exemplo, uma frase que eu já falei para os meus alunos e que nao
>>> está errada, mas dá a entender algo que nao é lá muito correto:
>>>
>>> "O Teorema da Incompletude mostra que existem questoes matemática
>>> indecidíveis, como por exemplo a Hipótese do Contínuo"
>>>
>>> Bem, tem que se tomar cuidado aí. O Teorema da Incompletude mostra que
>>> existem questoes *aritméticas* indecidíveis. Claro que sao questoes
>>> matemáticas, mas usar a Hipótese do Contínuo como exemplo pode dar a
>>> entender que a indecidibilidade da Hipótese do Contínuo (CH) seria um
>>> "corolário da demonstracao" dos teoremas de incompletude, o que nao é
>>> o caso (a consistencia
>>> de CH veio da construcao do modelo construtível, e a de ~CH veio da
>>> invencao do método de forcing).
>>>
>>> Tem um livro recente do Torkel Franzen, "Incomplete guide for use and
>>> abuse...etc.", acredito que o Walter conhece este livro, assim como
>>> outros colegas também...  Nesse livro o autor (que aparentemente
>>> morreu há pouco) faz comentários bastante interessantes sobre este
>>> tipo de problemas. Os teoremas da incompletude nao impedem que alguém
>>> faca uma teoria sobre números e fantasmas que seja sintaticamente
>>> completa no que se refere a... fantasmas.
>>>
>>> Antes de me despedir, levanto uma outra questao, já que falei no
>>> Torkel Franzen:
>>>
>>> Ele tem uma visao interessante sobre o que é dizer que uma assercao
>>> (aritmética) A é verdadeira.
>>>
>>> Ele diz que "A é verdadeira" é equivalente ao... enunciado de A.
>>>
>>> Por exemplo, "A Conjectura de Goldbach é verdadeira" é equivalente a
>>> "Todo par maior do que 2 é soma de dois primos". Pronto, acabou, é uma
>>> afirmacao sobre números naturais.
>>>
>>> OK, legal, mas concordam que ele está se referindo ao modelo standard
>>> ? Que na verdade ele está se referindo a naturais standard ?
>>>
>>> Pelo que percebi, isso acontece também quando se discutem teoremas
>>> como o de Paris-Harrington e o de Goodstein: dizer que "uma afirmacao
>>> é verdadeira e nao pode ser demonstrada" é dizer que "uma afirmacao é
>>> verdadeira no modelo standard e nao pode ser demonstrada".
>>>
>>> Aí eu pergunto aos colegas: é consenso entre os filósofos da matemática
>>> que
>>>
>>> fato aritmético verdadeiro = fato aritmético verdadeiro no modelo
>>> standard
>>>  ?
>>>
>>> Se sim, acho que é por aí a nocao do Torkel Franzen.
>>>
>>> Até mais,
>>>
>>> []s  Samuel
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>> ----------------------------------------------------------------
>>> Universidade Federal da Bahia - http://www.portal.ufba.br
>>>
>>> _______________________________________________
>>> Logica-l mailing list
>>> [email protected]
>>> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
>>>
>>>
>>
>>
>> --
>> fad
>>
>> ahhata alati, awienta Wilushati
>>
>>
>
>
> ----------------------------------------------------------------
> Universidade Federal da Bahia - http://www.portal.ufba.br
>
>


-- 
fad

ahhata alati, awienta Wilushati
_______________________________________________
Logica-l mailing list
[email protected]
http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l

Responder a