Julio/lista
Como eu disse em outra mensagem a você, há certa razão no que diz. Repito aqui para a lista. Sempre usamos de início uma *lógica* informal, meio construtiva, por meio da qual elaboramos nossos conceitos e sistemas. Usualmente, essa *lógica* tende a ser parecida com a clássica, mas eu diria que ela se aproxima mais da intuicionista. Mas, depois disso feito, *entramos* nos sistemas (como ZF) e, dentro dele, reconstruímos tudo de novo, inclusive lógicas não clássicas, elaboramos semântica (clássica, se for feita em ZF usual), etc. Kunen--ver abaixo--diz que a lógica formal deve ser desenvolvida duas vezes (p.191). Assim, na teoria de quase-conjuntos, fazemos o mesmo; discernimos os sinais que usamos, como m e M, etc. informalmente. Mas por meio dessa *lógica informal* chegamos a um sistema distinto do clássico (mas que admite uma interpretação *clássica*, dentro de ZF) que *contém* ZF. O que fazemos no artigo que menciona é mostrar como os quantificadores funcionam nessa teoria, adaptando o que se faz em ZF, onde o problema se põe da mesma forma (ver o artigo para detalhes). Como eu disse, essas idéias aparecem no livro de Kunen, The Foundations of Mathematics, cap.3, e no Ensaio sobre os Fundamentos da Lógica, do Prof. Newton. Mas talvez alguém da lista possa dar mais fontes. Quanto à semântica das lógicas paraconsistentes, primeiro devemos dizer de que sistemas estamos falando; dos sistemas do Newton? Se for, então há semânticas sensatas (corretas e completas) por valorações por exemplo, mas há na lista pessoas mais preparadas do que eu para responder.
Sua questão é muito interessante.
Abraços,
Décio

________________________________
Decio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-990 Florianópolis, SC -- Brasil
[email protected]
www.cfh.ufsc.br/~dkrause
________________________________
Doctor Bell say we’re connected,
He called me on the phone,
But if we’re really together baby,
How can I feel so all alone?
(Bell's Theorem Blues)

Em 06/08/2010, às 23:13, julio cesar escreveu:

Olá, lista,

sempre tive dificuldades de compreender como é possível uma semântica paraconsistente. Li o artigo http://www.cfh.ufsc.br/~principi/p133-1.pdf e confesso que, do meu ponto de vista, o problema ainda persiste. Em outras palavras, a meta-linguagem utilizada ao escrever o artigo possui uma semântica clássica. Por exemplo, se eu partir do pressuposto que minha metalinguagem não é clássica, como eu posso sequer diferenciar as teorias "ZFU" e "ZF", ou os conceitos "quasi-set" e "set", ou também "m-object" de "object" (ou até "lógica não-clássica" e "lógica clássica")? Ou seja, nesse caso, não importa a teoria que eu apresento, mas sim a maneira como eu a apresento, e essa maneira ainda é clássica.

        Tem algo aí que não estou vendo?

        Abraços,
        Júlio César A. Custódio

 _______________________________________________
Logica-l mailing list
[email protected]
http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l

_______________________________________________
Logica-l mailing list
[email protected]
http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l

Responder a