Caro Walter, e demais redistas: 
Vamos ver se agora consigo dizer, de forma muito condensada,  algo nao trivial 
(e aceitavel ) sobe Existencia e Ontologia. 
A Logia (calculo creadal) de e-valores eh apenas uma parte de um projeto 
epistemologico denominado Contrutivismo Cognitivo (Cog-Con - Cognitive 
Constructivism)   

No arcabouco Cog-Con, conferimos existencia ontologica a objetos que emergem da 
interacao de um sistema (autopoietico) com seu ambiente. 
Um exemplo eh o Sistema Cientifico ou parte dele, uma ciencia empirica como a 
Fisica que, ciclicamente,  formula teorias, desenha testes experimentais para 
confirma-las empiricamente, corrige suas teorias (e/ou seus metodos 
experimentais), desenha novos experimentos, e assim por diante...    
Resta definir um criterio (pragmatico) de objetividade. Isto eh feito a partir 
da metafora basica do arcabouco Cog-Con que eh a nocao de Auto-Solucao: 
As propriedades basicas de uma auto-solucao, que generalizam as propriedades de 
um auto-vetor, sao as seguintes: 
(1) Precisao: Uma auto-solucao eh caracterizada por estar em uma sub-variedade 
de dimensao estritamente menor que a dimensao do espaco subjacente, como por 
exemplo o lugar  caracterizado por uma equacao (escalar, vetorial, funcional),  
f(y)=c ,    No caso de um auto-vetor (nao degenerado da matriz A),  uma reta em 
R^n caracterizada pela equacao y = cAy 
(2) Estabilidade: Eh possivel "obter" a auto-solucao como limite de algum 
processo iterativo. Por ex. no caso de Alg.Lin., o maior autovalor de A pode 
ser obtido por uma sequencia de produto por A e normalizacao,  y´ = Ay , y = ( 
1 / | y´| ) . 
(3) Separabilidade: A capacidade de obter ou lidas isoladamente com distintas 
auto-solucoes. 
(4) Composicionalidade: Regras para compor solucoes complexas a partir de 
distintas auto-solucaoes simples. Em Alg.Lin. (3) e (4) correspondem 
respectivamente aa nocao de base e ao principio da superposicao. 
Objetos (entes reais) no arcabouco Cog-Con sao "tokens" para  auto-solucaoes. 
(Boa) "Bola" eh o nome que eu dou a um "Objeto" que se comporta (Quase) como 
uma bola ideal, descrita pela "equacao da bola" , f(y)=c.  
O grau de objetividade de uma bola, eh dado pelo valor epistemico da hipotese H 
: f(y)=c , que pode ser testada pragmaticamente. Para tanto podemos utilizar os 
metodos experimentais da bola-dinamica para desenhar um experimento e em 
seguida coletar X - o correspondente banco de dados observacionais.   
Finalmente, podemos calcular  ev( H | X ) , o valor epistemico de H dado X. O 
valor de significancia estatistica  ev( H | X ) corresponde a um valor credal 
sobre a validade de H e , indiretamente na exitencia dos objetos da teoria 
(bola-dinamica) na qual H eh enunciada. As regras de composicao de e-valores 
sao dadas pela Logica do FBST (Full Bayesian Significance Test) ou da 
metodologia estatistica para teste de significancia de hipoteses precisas 
alternativa mais a gosto do cientista. 

Pronto, Agora (conhecendo bem e utilizando apropriadamente as regras de 
composicao das auto-solucoes da equacao-da-bola)  ja da para jogar futebol...  
Boa noite, ---Julio   
PS: Mais detalhes em http://arxiv.org/abs/1006.5471 

   
    

Analogo ao principio de superposicao em Algebra Linear. 





> Date: Thu, 19 Aug 2010 21:43:09 -0300
> Subject: Re: [Logica-l] O mundo é mal-comportado...
> From: [email protected]
> To: [email protected]; [email protected]
> 
> Caro Júlio,
> 
> 
> se  minhas perguntas  são interessantes, suas  respostas também são,
> especialmente sobre a  consistência  (e no que tange à negação).
> 
> Vou levar  algum tempo para digerir tudo isso (e  como  viajo nos
> próximos dias não responderei e-mail com tanta
> frequência).  Mas sobre  o "quantificador existencial", a coisa é de
> fato complicada. É claro que uma lógica  não precisa ter
> "comprometimento ontológico", mas poderia se referir a objetos
> matemáticos (reais ou abstratos, como queira).
> 
> No caso,  você  diz " Dentro de uma classe de modelos,
>   EXISTE um (unico) modelo, H : f(y)=c  que eh otimo. "
> 
> Isso é de fato se referir existencialmente, mas  não  a  um
> "objeto"--seria mais se referir a  uma situação (vendo modelo como um
> cenário). A pergunta talvez melhor formulada  seria: essa  lógica
> Bayesiana teria capacidade de se referir existencialmente a
> hipóteses? Algo como "dentro de uma classe de condições Delta, existe
> uma hipótese  alfa tal que..."?
> 
> 
> Um abraço,
> 
> Walter
> 
> 
> 
> 
> Em 19 de agosto de 2010 20:49, Julio Stern <[email protected]> escreveu:
> > Caro Walter:
> > Voce coloca varias perguntas interessantes.
> > Sobre algumas talvez eu tenha algo interessante a dizer.
> > Sobre outras, nao muito, oq tambem eh bom,
> > quem sabe alguem tem alguma ideia interessante...
> > Primeiro, um caveat: Cada logica tem seu escopo.
> > O projeto de definir uma Logica Bayesiana tem como
> > escopo modelos estatisticos, aplicados a ciencias empiricas.
> > Dentro deste escopo, podemos eventualmente chegar a
> > conclusao que esta logica eh util para discutir certos problemas
> > de epistemologia e teoria da ciencia, isto eh, para formalizar
> > argumentos em discucoes meta-cientificas.
> > Todavia, creio que esta logica NAO tem nenhuma chance de
> > ser util para fazer fundamentos da  ou meta- matematica.
> > Bem, agora chega de fugir da raia,
> > vamos tentar responder algum coisa.
> >> 2a) Como a Estatistica Bayesiana trataria a inconsistência e
> >> a contradição
> > No artigo:
> > http://www.ime.usp.br/~jstern/papers/papersJS/JSLNAI04.pdf
> >
> > Tento introduzir as nocoes de consistencia / inconsistencia nesta logica.
> > A linguagem utilizada eh a da Logica Paraconsistente Anotada,
> > formalizada sobre a algebra do bi-reticulado em [0,1]^2, com as ordens
> > <k= e <t= , de conhecimento e verdade (kowledge and truth).
> > A medida de inconsistencia de um conjunto de afirmacoes, tipicamente
> > Hipoteses alternativas, H1, H2, ... para um banco de dados (observacoes) X,
> > ou Bancos de dados alternativos, X1, X2, ... sob a hipotese H,
> > eh simplesmente o tamanho de itervalo que contem os valores verdade
> > (e-valores) de todas as sentencas na classe, por exemplo,
> > ev(H | X1), ev(H | X2), ...
> > Pois bem este intervalo tem varias propriedades analogas aas de
> > um Intervalo de Confianca em estatistica, muito embora seja uma medida
> > em um espaco de possibilidade (e nao de probabilidade).
> > Ademais da para fazer afirmacoes como
> > Um dado procedimento estatistico eh consistente (no sentido estatistico,
> > i.e. convergente) sse uma uma certa medida de inconsistencia
> > (no sentido de LPA) converge para zero.
> > Ao explicar o formalismo de bi-reticulados, amplamente conhecido entre
> > os logicos, mas quase desconhecido estre os estatisticos, tomo o cuidado
> > de mostrar que operadores de negacao (e conflacao) PODEM ser
> > introduzidos neste formalismo, mas nao sao parte essencial do mesmo.
> > Ate o momento, nao encontrei uma interpretacao convincente para o
> > conceito de negacao. A razao eh a seguinte: O e-valor (valor verdade
> >  desta Logica, o Valor Epistemico de H dadas as observacoes X,
> > ou o Valor de Evidencia de X suportando H) esta definido para
> > Hipoteses Precisas.
> > Uma hipotese Precisa eh uma hipotese "fininha" isto eh,
> > ema sub-variedade do espaco parametrico de medida (de Lebesgue) zero,
> > como acontece quanto enunciamos uma lei fisica como uma equacao,
> > H : f(y)=0, onde y sao os parametros do modelo.
> > SE interpretarmos a negacao como a afirmacao do hipotese complementar,
> > ~H : f(y) != 0 , esta Nao eh uma hipotese precisa. na verdade, eh uma
> > hipotese enorme (densa no espaco parametrico) e seu e-valor eh
> > trivialmente pleno  Ev(~H | X) =1 , qq que seja X !
> > Sera que ha outra interpretacao de ~H ,
> > e uma maneira de definir operadores de negacao ou conflacao,
> > que leve a resultados interessantes?
> >
> >> 2b (ou ambas ao mesmo tempo. se se partir de uma perspectiva clássica)?
> > O valor verdade (medida de significancia) em estatistica classica eh o
> > p-valor.
> > O valor verdade (medida de significancia) de uma hipotese tradicionalmente
> > utilizado em estatistica Bayesiana NAO eh o e-valor, mas o Fator de Bayes
> > (FB).
> > Nem p-valores, nem Fatores de Bayes (para H precisas) tem regras de
> > composicao.
> > Isto eh, as medidas de significancia tradicionalmente utilizadas em
> > estatistica
> > Nao tem Logica :-)))
> > Assim, nao faco nem ideia de como responder a 2b...
> >
> > Quanto as perguntas 1 e 3, acho que preciso um pouco de ajuda.
> > Sera que voce pode detalha-las ou explica-las um pouco melhor?
> > Por exemplo: quanto a pergunta
> >> 3) Como trataria o quantificador existencial?
> >
> > Muitos resultados basicos de inferencia afirmam que:
> > Dentro de uma classe de modelos,
> > EXISTE um (unico) modelo, H : f(y)=c
> > que eh otimo.
> > Por exemplo, existe uma unica serie de coeficientes de
> > uma serie de Fourier que eh (quase sempre) igual a
> > uma dada funcao (continua por pedacos).
> > Existe um unico vetor de parametros y*,
> > sujeito a restricoes lineraes Ay<=b
> > que melhor aproxima (minimiza a divergencia entropica)
> > em relacao ao verdadeiro modelo y^ no espaco irrestrito.
> > Este tipo de resultado, que geralmente eh a traducao
> > de um resultado classico de Algebra Linear, Teoria da
> > Medida ou Analise Funcional no contexo estatistico,
> > pode ser uma resposta aceitavel aa sua pergunta?
                                          
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