Olá Júlio, seu artigo é bastante interessante, e de fato é intuitivamente aceitável que a lógica Booleana seja um "caso extremo" da probabilidade (e assim já pensava Boole). Mas tenho algumas dúvidas:
1) Como você encaixaria a (pretensa) lógica da Estatistica Bayesiana na definição de Tarski sobre relação de consequência? Parece dar, dentro de uma certa generalização da perspectiva tarskiana, mas não vejo exatamente o que deveria ser mudado (ou generalizado). 2) Como a Estatistica Bayesiana trataria a inconsistência e a contradição (ou ambas ao mesmo tempo. se se partir de uma perspectiva clássica)? 3) Como trataria o quantificador existencial? Abs, Walter Em 18 de agosto de 2010 19:40, Julio Stern <[email protected]> escreveu: > > O Walter disse: >>Talvez se possa suspeitar das *potencialmente* mal comportadas, >>por uma análise Bayesiana, como os filtros anti-spam. Mas isso é >>engenharia, não Lógica. > Defino Logica como formalismos para compor valores verdade > de sentencas complexas a partir de seus constituintes elementares. > Esta definicao eh usada por Wittgenstein, entre outros. > Neste sentido, Estatistica Bayesiana > EH uma Logica, vide meu artigo no link: > http://www.ime.usp.br/~jstern/papers/papersJS/IGPL07.pdf > Como tambem afirmou o Walter, Estatistica Bayesiana eh > o fundamento de muitas applicacoes praticas, em engenharia, > economia, financas, e quase todas as ciencias empiricas. > Concluo que Estatistica Bayesiana eh uma logica muito boa, > em um sentido estritamente pragmatico. > O formalismo da Estatistica Bayesiana usa calculo, > teoria da medida, analise funcional e outros formalismos em > espacos continuos, enquanto muitos dos formalismos logicos > tradicionais usam formalismos algebricos discretos. > Creio que esta eh a razao pela qual alguns afirmam que, > Estatistica Bayesiana nao "Parece" logica, ou nao eh um > formalismo "tradicional" (respeitavel enquanto Logica), > ou outra "desqualificacao" semelhante. > Creio que vale a pena tentar superar este pre-conceito, > pois eh enorme o potencial para pesquisa interessante, > original e util nesta area, isto eh, na interface entre > Logica e Estatistica Bayesiana. > ---Julio > > ---Julio > > > > >> Date: Wed, 18 Aug 2010 12:29:48 -0300 >> From: [email protected] >> To: [email protected] >> Subject: [Logica-l] O mundo é mal-comportado... >> >> Prezados: >> >> não vai mesmo haver modo de decidir 'a priori' quais sentenças >> seriam confiáveis, e quais seriam mal-comportadas. Talvez se >> possa suspeitar das *potencialmente* mal comportadas, por uma >> análise Bayesiana, como os filtros anti-spam. mas isso é engenharia, >> não Lógica. >> >> Lembro aqui uma das coisas mais interessantes que o Saul Kripke >> disse, que na minha opinião só rivaliza com a sua ideia de >> relacionar mundos (mais ainda que se referir a 'mundos >> possíveis'): >> >> "There is no mathematical substitute for philosophy". Nem mesmo , >> completa ele, para a filosofia da Matemática. Ou da Lógica. >> >> Abs, >> >> Walter >> >> : >> > >> > 1. Re: formulas mal-comportadas (Joao Marcos) >> > 2. Re: formulas mal-comportadas (Decio Krause) >> >> > Olá, Julio: >> > >> > Esta é mais uma boa pergunta. Tenho a impressão, contudo, de que não >> > tenho muito mais a acrescentar, em princípio, do que aquilo que já foi >> > dito pelo Décio: não é papel da Lógica fornecer critérios ou >> > justificativas para a verdade, a falsidade, a >> > indeterminação/indecidibilidade ou a inconsistência de uma >> > sentença(++). Você mesmo tem falado em linguagens para *descrever* o >> > mundo de forma eficiente ou adequada, mas não para *regulá-lo*. >> > Ninguém tem dúvida assim na hora de dizer por exemplo que as >> > definições matemáticas devem se comportar bem, isto é, que a definição >> > de "função" por exemplo deve ser consistente. >> > >> > Na minha reconstrução particular da abordagem da "consistência >> > formal", eu entendo na realidade que a verdadeira motivação por trás >> > do design de linguagens suficientemente ricas a ponto de serem capazes >> > de expressar a consistência mesmo em um contexto paraconsistente se >> > baseia na proposta mais geral de que o raciocínio clássico deveria ser >> > de alguma forma recuperável sempre que possível. Há outras formas de >> > proceder a esta recuperação, contudo --- e algumas não são vistas com >> > particular boa vontade no Brasil, embora sejam bastante interessantes. >> > Este é o caso, por exemplo, da abordagem não-monotônica segundo a >> > qual as sentenças são consideradas consistentes por defeito, até prova >> > em contrário. >> > >> > Mas a questão, repito, é interessante: haverá alguma forma de decidir >> > "de forma prévia" quais sentenças são confiáveis, e quais são >> > potencialmente mal-comportadas? Seria surpreendente se houvesse um >> > método geral com tal efeito, já que o problema da consistência em >> > casos práticos tem solução custosa, e em teoria frequentemente beira o >> > indecidível. No caso não-monotônico, em particular, a dificuldade de >> > decisão fica mais clara, já que em geral não há nem mesmo um _critério >> > positivo_ para o meta-predicado "ser teorema" (no caso monotônico >> > clássico faltam apenas _critérios negativos_ para este meta-predicado, >> > já que os teoremas podem ao menos ser enumerados). >> > >> > Joao Marcos >> > >> > (++) Admito que a busca por tais "justificativas" talvez faça sentido, >> > contudo, da perspectiva do Dritte Reich do pensamento fregeano, no >> > qual a lógica serve para _descobrir_ verdades _intersubjetivas_. >> > Mas fora de um tal reino ideal dificilmente este seria o caso >> > >> > >> > 2010/8/14 julio cesar <[email protected]>: >> >> Olá, pessoal, >> >> estou com outra dúvida! Assumindo que certas lógicas paraconsistentes >> >> não >> >> querem rejeitar o princípio da não-contradição, mas apenas >> >> restringi-lo, há >> >> algum parâmetro prévio em tais lógicas para diferenciar quais tipos de >> >> formulas a não-contradição se aplica e quais não? Isto é, há alguma >> >> outra >> >> diferença entre fórmulas bem-comportadas e mal-comportadas sem ser as >> >> diferenças geradas pelo fato de que uma aceita a contradição e outra >> >> não? >> >> Em outras palavras, existe alguma outra justificativa lógica, interna >> >> ao >> >> sistema, para se aceitar as contradições de certas fórmulas sem ser o >> >> fato >> >> de que, se não aceitássemos tais contradições, o sistema explodiria? >> >> Abraços, >> >> Júlio >> > >> > >> >> ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ >> Walter Carnielli >> Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE >> State University of Campinas –UNICAMP >> P.O. Box 6133 13083-970 Campinas -SP, Brazil >> Phone: (+55) (19) 3521-6515 >> Fax: (+55) (19) 3289-3269 >> e-mail: [email protected] >> Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli >> _______________________________________________ >> Logica-l mailing list >> [email protected] >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > -- +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ Walter Carnielli Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE State University of Campinas –UNICAMP P.O. Box 6133 13083-970 Campinas -SP, Brazil Phone: (+55) (19) 3521-6515 Fax: (+55) (19) 3289-3269 e-mail: [email protected] Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
