O Walter disse: >Talvez se possa suspeitar das *potencialmente* mal comportadas, >por uma >análise Bayesiana, como os filtros anti-spam. Mas isso é >engenharia, não >Lógica. Defino Logica como formalismos para compor valores verdade de sentencas complexas a partir de seus constituintes elementares. Esta definicao eh usada por Wittgenstein, entre outros. Neste sentido, Estatistica Bayesiana EH uma Logica, vide meu artigo no link: http://www.ime.usp.br/~jstern/papers/papersJS/IGPL07.pdf Como tambem afirmou o Walter, Estatistica Bayesiana eh o fundamento de muitas applicacoes praticas, em engenharia, economia, financas, e quase todas as ciencias empiricas. Concluo que Estatistica Bayesiana eh uma logica muito boa, em um sentido estritamente pragmatico. O formalismo da Estatistica Bayesiana usa calculo, teoria da medida, analise funcional e outros formalismos em espacos continuos, enquanto muitos dos formalismos logicos tradicionais usam formalismos algebricos discretos. Creio que esta eh a razao pela qual alguns afirmam que, Estatistica Bayesiana nao "Parece" logica, ou nao eh um formalismo "tradicional" (respeitavel enquanto Logica), ou outra "desqualificacao" semelhante. Creio que vale a pena tentar superar este pre-conceito, pois eh enorme o potencial para pesquisa interessante, original e util nesta area, isto eh, na interface entre Logica e Estatistica Bayesiana. ---Julio
---Julio > Date: Wed, 18 Aug 2010 12:29:48 -0300 > From: [email protected] > To: [email protected] > Subject: [Logica-l] O mundo é mal-comportado... > > Prezados: > > não vai mesmo haver modo de decidir 'a priori' quais sentenças > seriam confiáveis, e quais seriam mal-comportadas. Talvez se > possa suspeitar das *potencialmente* mal comportadas, por uma > análise Bayesiana, como os filtros anti-spam. mas isso é engenharia, > não Lógica. > > Lembro aqui uma das coisas mais interessantes que o Saul Kripke > disse, que na minha opinião só rivaliza com a sua ideia de > relacionar mundos (mais ainda que se referir a 'mundos > possíveis'): > > "There is no mathematical substitute for philosophy". Nem mesmo , > completa ele, para a filosofia da Matemática. Ou da Lógica. > > Abs, > > Walter > > : > > > > 1. Re: formulas mal-comportadas (Joao Marcos) > > 2. Re: formulas mal-comportadas (Decio Krause) > > > Olá, Julio: > > > > Esta é mais uma boa pergunta. Tenho a impressão, contudo, de que não > > tenho muito mais a acrescentar, em princípio, do que aquilo que já foi > > dito pelo Décio: não é papel da Lógica fornecer critérios ou > > justificativas para a verdade, a falsidade, a > > indeterminação/indecidibilidade ou a inconsistência de uma > > sentença(++). Você mesmo tem falado em linguagens para *descrever* o > > mundo de forma eficiente ou adequada, mas não para *regulá-lo*. > > Ninguém tem dúvida assim na hora de dizer por exemplo que as > > definições matemáticas devem se comportar bem, isto é, que a definição > > de "função" por exemplo deve ser consistente. > > > > Na minha reconstrução particular da abordagem da "consistência > > formal", eu entendo na realidade que a verdadeira motivação por trás > > do design de linguagens suficientemente ricas a ponto de serem capazes > > de expressar a consistência mesmo em um contexto paraconsistente se > > baseia na proposta mais geral de que o raciocínio clássico deveria ser > > de alguma forma recuperável sempre que possível. Há outras formas de > > proceder a esta recuperação, contudo --- e algumas não são vistas com > > particular boa vontade no Brasil, embora sejam bastante interessantes. > > Este é o caso, por exemplo, da abordagem não-monotônica segundo a > > qual as sentenças são consideradas consistentes por defeito, até prova > > em contrário. > > > > Mas a questão, repito, é interessante: haverá alguma forma de decidir > > "de forma prévia" quais sentenças são confiáveis, e quais são > > potencialmente mal-comportadas? Seria surpreendente se houvesse um > > método geral com tal efeito, já que o problema da consistência em > > casos práticos tem solução custosa, e em teoria frequentemente beira o > > indecidível. No caso não-monotônico, em particular, a dificuldade de > > decisão fica mais clara, já que em geral não há nem mesmo um _critério > > positivo_ para o meta-predicado "ser teorema" (no caso monotônico > > clássico faltam apenas _critérios negativos_ para este meta-predicado, > > já que os teoremas podem ao menos ser enumerados). > > > > Joao Marcos > > > > (++) Admito que a busca por tais "justificativas" talvez faça sentido, > > contudo, da perspectiva do Dritte Reich do pensamento fregeano, no > > qual a lógica serve para _descobrir_ verdades _intersubjetivas_. > > Mas fora de um tal reino ideal dificilmente este seria o caso > > > > > > 2010/8/14 julio cesar <[email protected]>: > >> Olá, pessoal, > >> estou com outra dúvida! Assumindo que certas lógicas paraconsistentes não > >> querem rejeitar o princípio da não-contradição, mas apenas restringi-lo, há > >> algum parâmetro prévio em tais lógicas para diferenciar quais tipos de > >> formulas a não-contradição se aplica e quais não? Isto é, há alguma outra > >> diferença entre fórmulas bem-comportadas e mal-comportadas sem ser as > >> diferenças geradas pelo fato de que uma aceita a contradição e outra não? > >> Em outras palavras, existe alguma outra justificativa lógica, interna ao > >> sistema, para se aceitar as contradições de certas fórmulas sem ser o fato > >> de que, se não aceitássemos tais contradições, o sistema explodiria? > >> Abraços, > >> Júlio > > > > > > ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ > Walter Carnielli > Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE > State University of Campinas –UNICAMP > P.O. Box 6133 13083-970 Campinas -SP, Brazil > Phone: (+55) (19) 3521-6515 > Fax: (+55) (19) 3289-3269 > e-mail: [email protected] > Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
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