Gostei da tua análise; te cumprimento por ela, mas tem um ponto de que
discordo:

 *não acho que exista a mais remota possibilidade de
Nelson ter provado o que ele afirma, que alguma função primitiva recursiva
não é total. Afinal, o que faz o algoritmo que calcula a função em termos
dos valores anteriores? *

O que a gente vê intuitivamente, nesse caso ou em casos similares, não é
necessariamente o que se prova. Vc conhece o algoritmo de Kunen para provar
Paris-Harrington? A gente vê que o algoritmo converge, mas PA não...

2011/9/28 Rodrigo Freire <[email protected]>

> Li, junto com um colega, uma parte do manuscrito do Nelson. Identificamos o
> erro que o Terence Tao apontou: no livro ocorre na página 37 na parte de
> aritmetização do teorema de Chaitin e da prova de Kritchman e Raz.
>
> O problema é que a cada subteoria de Q* corresponde um l diferente na
> aritmetização do teorema de Chaitin, e o Nelson está usando sempre o mesmo
> l
> da teoria Q*.
>
> A descrição de Nelson da sua construção na seção "The plan" usa apenas
> resultados conhecidos de lógica e generalidades de teoria da complexidade.
> Ele poderia tentar mostrar como fica a construção se substituir PRA por ZFC
> e Q por PA, o que facilitaria bastante a codificação. Afinal, é um
> corolário
> do que ele propõe (e um corolário bem mais modesto) que ZFC provaria que PA
> é inconsistente. Ele tenta usar o fato que Q* prova a consistência de suas
> subteorias finitas para tentar tirar alguma inconsistência. PA e ZFC provam
> que suas subteorias finitas são consistentes, a construção parece não ter
> nada de especial em relação a Q*. Além disso ele usa que PRA prova a
> consistência de Q. Claro que ZFC também prova a consistencia de PA. Acho
> que
> seria útil ver nesse caso "modesto" como fica a prova.
>
> Para deixar bem claro, não acho que exista a mais remota possibilidade de
> Nelson ter provado o que ele afirma, que alguma função primitiva recursiva
> não é total. Afinal, o que faz o algoritmo que calcula a função em termos
> dos valores anteriores? Essa afirmação não me parece inteligível.
>
> Obs: Vi que o Nelson escreveu na lista fom, supostamente respondendo o
> comentário do Terence Tao. Não acho que ele tenha respondido
> satisfatoriamente. Parece que o  Terence Tao não se expressou muito bem
> falando de "complexidade da teoria", o que Nelson diz que não está
> definido.
> No entanto, parece claro que Tao se referia ao l que é um para cada teoria.
>
> Abraço
> Rodrigo
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