Obrigado, mas a análise não é só minha. O Terence Tao já viu isso antes, e
eu identifiquei o problema junto com um colega (que já escreveu para o
Nelson).

Não conheço especificamente o algoritmo do Kunen, mas conheço outro
algoritmo para a mesma coisa (a consistência de Peano).
Esses algoritmos não são primitivos recursivos.

Mas tudo bem, não importa. A afirmação do Nelson não é que alguma teoria T
não prova que uma função primitiva recursiva é total. Isso de fato existe,
teorias mais fracas que PRA.  A afirmação do Nelson é que superexponenciação
não é total, e não apenas que alguma teoria não prova isso. É essa afirmação
mais forte que não sei o que quer dizer.

A propósito, para localizar bem o erro do Nelson no livro:

página 37, linha 8 de baixo para cima. O que segue sobre o \mu está errado.
Em particular, está errado que \mu >= l_1, que seria a contradição.


Abraço
Rodrigo





2011/9/28 Francisco Antonio Doria <[email protected]>

> Gostei da tua análise; te cumprimento por ela, mas tem um ponto de que
> discordo:
>
>  *não acho que exista a mais remota possibilidade de
> Nelson ter provado o que ele afirma, que alguma função primitiva recursiva
> não é total. Afinal, o que faz o algoritmo que calcula a função em termos
> dos valores anteriores? *
>
> O que a gente vê intuitivamente, nesse caso ou em casos similares, não é
> necessariamente o que se prova. Vc conhece o algoritmo de Kunen para provar
> Paris-Harrington? A gente vê que o algoritmo converge, mas PA não...
>
> 2011/9/28 Rodrigo Freire <[email protected]>
>
>> Li, junto com um colega, uma parte do manuscrito do Nelson. Identificamos
>> o
>> erro que o Terence Tao apontou: no livro ocorre na página 37 na parte de
>> aritmetização do teorema de Chaitin e da prova de Kritchman e Raz.
>>
>> O problema é que a cada subteoria de Q* corresponde um l diferente na
>> aritmetização do teorema de Chaitin, e o Nelson está usando sempre o mesmo
>> l
>> da teoria Q*.
>>
>> A descrição de Nelson da sua construção na seção "The plan" usa apenas
>> resultados conhecidos de lógica e generalidades de teoria da complexidade.
>> Ele poderia tentar mostrar como fica a construção se substituir PRA por
>> ZFC
>> e Q por PA, o que facilitaria bastante a codificação. Afinal, é um
>> corolário
>> do que ele propõe (e um corolário bem mais modesto) que ZFC provaria que
>> PA
>> é inconsistente. Ele tenta usar o fato que Q* prova a consistência de suas
>> subteorias finitas para tentar tirar alguma inconsistência. PA e ZFC
>> provam
>> que suas subteorias finitas são consistentes, a construção parece não ter
>> nada de especial em relação a Q*. Além disso ele usa que PRA prova a
>> consistência de Q. Claro que ZFC também prova a consistencia de PA. Acho
>> que
>> seria útil ver nesse caso "modesto" como fica a prova.
>>
>> Para deixar bem claro, não acho que exista a mais remota possibilidade de
>> Nelson ter provado o que ele afirma, que alguma função primitiva recursiva
>> não é total. Afinal, o que faz o algoritmo que calcula a função em termos
>> dos valores anteriores? Essa afirmação não me parece inteligível.
>>
>> Obs: Vi que o Nelson escreveu na lista fom, supostamente respondendo o
>> comentário do Terence Tao. Não acho que ele tenha respondido
>> satisfatoriamente. Parece que o  Terence Tao não se expressou muito bem
>> falando de "complexidade da teoria", o que Nelson diz que não está
>> definido.
>> No entanto, parece claro que Tao se referia ao l que é um para cada
>> teoria.
>>
>> Abraço
>> Rodrigo
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