E ai João Marcos, bão?
olha, eu assinaria com prazer essa proposta pra se ter horas de experimentos antes de poder falar sobre ciência! Mas isso praticamente mataria a Filosofia da Ciência atual, não? rs.. (e imagina se a moda pega e se exigissem previamente dos Filósofos da Arte alguma publicação artística relevante? Todos iam perder o emprego. E a Filosofia da Mente, não teriam eles que fazer experimentos em Neurociência e Computação antes de abrir o bico? Sobraria então alguma Filosofia?) Ainda assim, ou por isso mesmo, eu assinaria! Agora eu realmente me surpreendi você nunca ter sequer ouvido aproximações entre as lógicas multi-valoradas e os movimentos de desconstrução da filosofia continental. Não digo de aproximações institucionais ou acadêmicas em publicações especializadas sobre conceitos técnicos com demonstrações ou experimentos e tudo mais, mesmo porque quem faz tal aproximação são os desconstrucionistas, pós-estruturalistas, etc.. e não o pessoal da Lógica, ou da Físcia (ao menos espero!). A aproximação se dá mais no *inimigo em comum* e nas estrutura dos argumentos com os quais combatem tais *inimigos* (talvez também na motivação!) Para um rápido exemplo: se acaso não conhecer e tiver paciência (confesso que eu não tenho), entre em contato com os trabalhos de Deleuze, Derrida e outros do mesmo tipo e veja a *crítica* principal do pós-estruturalismo continental em relação à Lógica e ao Racionalismo, pois tirando o aparato técnico que eles fazem questão de zombar, é praticamente a mesma crítica que as Lógicas Não-clássicas desferem contra à Lógica Clássica, principalmente na questão da bivalência. Qualquer Deleuziano *rechaça* com prazer o fato de que existem apenas dois valores de verdade, colocando de argumento coisas estruturalmente parecidas com *Uma maça é amarela e vermelha, ou seja, é amarela e não-amarela ao mesmo tempo*, *Dois médicos distintos sugerem posologias distintas para os mesmo problemas num mesmo paciente*, *Haverá uma batalha naval amanhã!*.. e pelo menos tais coisas você já deve ter visto nas defesas de algumas Lógicas Não-clássicas multi-valoradas, certo? Outro ponto de semelhança é a questão do Pluralismo. Toda desconstrução, todo pós-estruturalismo e, em geral, toda filosofia dita continental (em oposição aos analíticos) são em essência posições Pluralistas, e seus argumentos contra um Monismo na Lógica (e também na Ciência) são também de extraordinária semelhança com os argumentos do Pluralismo Lógico à la Grahan Priest. Mas, como disse, se quiser entrar em contato com tais aproximações, acredito que não é na literatura especializada da lógica ou da matemática que isso será encontrado! (e talvez valeria a pena ao menos como exemplo do que não fazer) ________________________________ De: Joao Marcos <[email protected]> Para: julio cesar <[email protected]> Cc: "[email protected]" <[email protected]> Enviadas: Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011 10:36 Assunto: Re: [Logica-l] continentais x analiticos x paraconsistencia > Eu cursava um mestrado interdisciplinar, numa universidade federal, onde a > *professora* > (que era coordenadora do mestrado, e possuía dois pós-doutorados, diga-se de > passagem) > afirmava com todas as letras que Lógica é coisa de medievalista, que a > Ciência sempre foi > apenas um mito bem propagado (por isso as pessoas *acreditam* nas teorias > científicas!) > e que as certezas da matemática não possuem mais exigências que, por exemplo, > as > interpretações de um Deleuze sobre os rizomas da biologia (a famosa > *desterritorialização* ou, > a meu ver, o greencard filosófico pra falar besteira - às vezes penso que > Deleuze resolveu tirar > uma onda da academia pois sabia que o nível estava tão baixo que mesmo que > ele só falasse > asneira todo mundo ia levar a sério; se foi o caso, nisso sim ele acertou em > cheio! - ) > Teve uma vez que eu até tentei alertar tal *professora* que, se quisesse > falar que a > objetividade lógica e científica é mito, pelo menos > não fazer isso enquanto liga o ar-condicionado e controla a temperatura da > sala através > de um controle remoto de precisão digital, mas ela não entendeu... Justo. Talvez houvesse menos bobagem no mundo, contudo, se quem fala sobre ciências naturais (incluindo matemáticos, cientistas da computação, e principalmente filósofos da ciência) fosse obrigado primeiro a cumprir um certo de número de horas montando experimentos em laboratório. > No entanto, tem outra questão interessante aqui. Já vi inúmeras vezes, e > acredito que > todos aqui já viram isso, a própria Paraconsistência e outras Lógicas > não-clássicas > sendo utilizada junto com a Física Quântica e a Relatividade justamente ao > lado do > Desconstrucionismo, Pós-Estruturalismo e outras pluralidades esteticistas Você pode mandar referências sobre estas coisas, para que eu entenda exatamente a que você se refere? (embora trabalhe há muitos anos sobre lógica paraconsistente e lógicas multivaloradas, confesso que desconheço completamente as publicações às quais você estaria se referindo) > Mas até hoje não consigo compreender como as Lógicas ditas não-clássica > (principalmente as não bi-valentes) conseguem, se apertadas, escapar de tais > interpretações. Um *terceiro valor de verdade*, nem falso, nem verdadeiro, ou > tudo-junto-ao-mesmo-tempo, é tudo que a Desconstrução e a *crítica* > estético-literária precisa para invalidar qualquer coisa, porém agora com o > aval > da Lógica, pois bastaria ajustar convenientemente seus próprios axiomas e > regras > para se criar um sistema de Lógica Desconstrucionista perfeitamente válido > (obviamente, válido em tal sistema, como qualquer outro). E o que seria esta "Lógica Desconstrucionista"? 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