Já eu tenho certeza que as lógicas multi-valoradas *não* vão contra o princípio
da bivalência pois isso simplesmente é impossível!
Qualquer que seja o valor de verdade que se atribua para uma fórmula, que seja
a raiz quadrada de -0,9999999..., é sempre verdadeiro ou falso que tal fórmula
possui tal valor (isso é um tanto metalinguístico mas é como sempre compreendi
o princípio da bivalência, é essa a necessidade que ele exprime) e por esse
ponto de vista não tem como *escapar* dele.
E será que isso não é uma quedinha pro monismo lógico? E não seria ainda um
monismo mais clássico que não-clássico?
Sobre desconstrução, pós-estruturalismo, e a francesada toda... se "publicações
especializadas" for artigos de estudiosos eu não sei pois não acompanho a área.
Mas já citei Deleuze e Derrida, se você tiver interessado, uma olhada na wiki
lhe mostraria as principais obras deles, e como as idéias nesses tipos de
autores espalham-se pelas obras, lê duas principais de cada um que já foi
demais. Porém, já que mencionou, não acredito que valha a pena ir procurar!
Citei-os apenas pois sempre vi semelhança no modo como eles e alguns
proponentes das lógicas não-clássicas dizem se livrar (ter alternativas,
restringir, escapar) da lógica clássica.
E também não vejo sentido em filosofar sobre o que não se conhece, mas a
acadêmica, em geral, parece discordar disso.
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De: Joao Marcos <[email protected]>
Para: julio cesar <[email protected]>
Cc: "[email protected]" <[email protected]>
Enviadas: Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011 19:27
Assunto: Re: [Logica-l] continentais x analiticos x paraconsistencia
> olha, eu assinaria com prazer essa proposta pra se ter horas de experimentos
> antes de poder falar sobre ciência!
> Mas isso praticamente mataria a Filosofia da Ciência atual, não? rs..
> (e imagina se a moda pega e se exigissem previamente dos Filósofos da Arte
> alguma publicação artística relevante? Todos iam perder o emprego. E a
> Filosofia da Mente, não teriam eles que fazer experimentos em Neurociência e
> Computação antes de abrir o bico? Sobraria então alguma Filosofia?)
E qual o sentido de se "filosofar" sobre aquilo que não se conhece?
> Agora eu realmente me surpreendi você nunca ter sequer ouvido aproximações
> entre as lógicas multi-valoradas e os movimentos de desconstrução da
> filosofia continental. Não digo de aproximações institucionais ou acadêmicas
> em publicações especializadas sobre conceitos técnicos com demonstrações ou
> experimentos e tudo mais, mesmo porque quem faz tal aproximação são os
> desconstrucionistas, pós-estruturalistas, etc.. e não o pessoal da Lógica,
> ou da Físcia (ao menos espero!). A aproximação se dá mais no *inimigo em
> comum* e nas estrutura dos argumentos com os quais combatem tais *inimigos*
> (talvez também na motivação!)
Parece então que simplesmente tenho sido seletivo demais na escolha do
que leio...
Por outro lado, parece-me paradoxal que para me informar a respeito
destas "aproximações" entre lógicas não-clássicas e "movimentos de
desconstrução" eu tenha que buscar publicações "não-especializadas".
De modo que fico realmente sem saber o que ler.
Não é falta de paciência minha. A verdade é que eu não sei de que
"inimigo" estaríamos falando.
> Para um rápido exemplo: se acaso não conhecer e tiver paciência (confesso
> que eu não tenho), entre em contato com os trabalhos de Deleuze, Derrida e
> outros do mesmo tipo e veja a *crítica* principal do pós-estruturalismo
> continental em relação à Lógica e ao Racionalismo, pois tirando o aparato
> técnico que eles fazem questão de zombar, é praticamente a mesma crítica que
> as Lógicas Não-clássicas desferem contra à Lógica Clássica, principalmente
> na questão da bivalência. Qualquer Deleuziano *rechaça* com prazer o fato de
> que existem apenas dois valores de verdade, colocando de argumento coisas
> estruturalmente parecidas com *Uma maça é amarela e vermelha, ou seja, é
> amarela e não-amarela ao mesmo tempo*, *Dois médicos distintos sugerem
> posologias distintas para os mesmo problemas num mesmo paciente*, *Haverá
> uma batalha naval amanhã!*.. e pelo menos tais coisas você já deve ter visto
> nas defesas de algumas Lógicas Não-clássicas multi-valoradas, certo?
Engraçado. Tenho publicado muitos papers em que mostro como vindicar
a tese (de Roman Suszko) de que as lógicas multivaloradas usuais *não*
vão contra o princípio da bivalência...
Mas também acredito (sei?), devo confessar, que há circunstâncias
específicas, tecnicamente definidas, em que este princípio pode
realmente ser falsificado. Serei um desconstrucionista em potencial?
Um pós-estruturalista? Um irracionalista?
> Outro ponto de semelhança é a questão do Pluralismo. Toda desconstrução,
> todo pós-estruturalismo e, em geral, toda filosofia dita continental (em
> oposição aos analíticos) são em essência posições Pluralistas, e seus
> argumentos contra um Monismo na Lógica (e também na Ciência) são também de
> extraordinária semelhança com os argumentos do Pluralismo Lógico à la Grahan
> Priest.
>
> Mas, como disse, se quiser entrar em contato com tais aproximações, acredito
> que não é na literatura especializada da lógica ou da matemática que isso
> será encontrado! (e talvez valeria a pena ao menos como exemplo do que não
> fazer)
Continuei portanto sem saber como seriam estas "semelhanças" e como
exatamente me informar a respeito delas... Ou mesmo se valeria a pena
(em termos de dispêndio de tempo X objetivos alcançados) fazê-lo.
JM
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