Não porque a teoria homeopática não diz que as diluições possam ser feitas
de qualquer forma e não é todo grau de diluição que faz feito. Se não me
falha a memória, o limite seria algo em torno de 200 CH.

Segundo, não há analogia com imuno-supressão ou vacina. Em momento nenhum
fiz analogias.

Um princípio é o da cura por semelhantes. Este princípio não é exclusivo da
homeopatia, embora seja central para ela. Outro princípio é o da
ultra-diluição. Vacinas são casos de aplicação do princípio do semelhante
curando o semelhante e não do princípio da ultra-diluição. Os homeopatas
reconhecem o valor da vacinação, mas a vacinação não é um procedimento
exclusivo da homeopatia ou da alopatia.

O argumento contra o princípio da ultra-diluição com base no número de
Avogadro eu cansei de ouvir do meu próprio médico, que era engenheiro
químico antes de se formar médico. O meu médico tinha suas respostas. A
minha resposta está no fato de que é uma ideia pré-concebida achar que é a
substância presente no medicamento que promove a cura. Isto é mais ou menos
como uma ideia antiga de que um corpo precisaria tocar continuamente outro
para exercer uma força sobre ele. Não há uma razão para supor que seja a
presença da substância em si que promova a cura, se a questão depende de
interações que produzem efeitos práticos, mas para quais ainda não há uma
explicação clara. Essa explicação por descobrir não precisa estar na física
quântica, embora nada impeça que ela esteja.

Como eu disse anteriormente: o estágio de desenvolvimento da química e da
física não é dá a palavra final sobre os assuntos. Avogadro e Hahneman são
da mesma época, praticamente, mas um não seria obrigado a conhecer o que o
outro descobriu ou aceitar o que outro está propondo. Não é o mundo que tem
de se adaptar ao que eles dizem, mas sim o contrário. É possível até hoje
descobrir coisas que a ciência prevê serem impossíveis.

Definitivamente, não é um placebo. Mas, se fosse, o fato de que seres
humanos são curados no sistema de saúde britânico com somente placebos e
que viram artigos publicados em revistas científicas seria um avanço muito
grande para a medicina.

E certamente, o meu tratamento com homeopatia, que sempre funcionou comigo
desde criança, para coisas placebos não curam, segundo dizem, não foi
desumano. Desumano seria tentar negar-me uma cura com base num preconceito
de pessoas ou numa visão absolutista do conhecimento científica. Mas, na
medicina, homeopática ou não, o conhecimento da cura sempre precedeu o
conhecimento do que poderiam ser as explicações físico-químicas. Mas, não
necessariamente vice-versa: a teoria dos quatro humores, baseada em antigas
teorias físicas, que propunha sangria como tratamento, dificilmente curou
pessoas. Mas, dietas ricas em vitamina C receitadas preveniram ou
reverteram quadros de escorbuto, antes de que se descobrisse a vitamina C.

Em 6 de abril de 2012 00:38, Manuel Doria <[email protected]> escreveu:

> Se hiper-diluições fizessem princípios ativos funcionarem com ainda maior
> eficácia, bebendo água da torneira eu estaria me infectando e me medicando
> de toda moléstia possível e imaginável.
>
> As analogias com imuno-supressão por via oral no tratamento de alergias e
> vacinas são falsas. Homeopatia envolve diluições onde não existe uma
> singela molécula do soluto no solvente (há remédios de 15, 30 e até 200
> diluições!) e são realizados procedimentos ritualísticos pré-científicos de
> como as soluções devem ser chacoalhadas exatamente cem vezes, em cada
> diluição. Muito diferente de como patógenos são criados para vacinas, tenha
> certeza disso.
>
> No *Phaedrus*, Platão indagava a respeito de universais capazes de
> "cortar particulares em suas articulações naturais". As ciências naturais
> desvendaram vários destes cortes discretos. Um desses é o Número de
> Avogadro, e ele restringe o campo de atuação da homeopatia. Em um litro
> d'água, se você diluir mais de 11 vezes qualquer solução, só vai sobrar...
> água. Não é um remédio, é um placebo. Considero anti-ético um médico
> prescrever placebos.
>
> Abraços.
>
>
> 2012/4/5 Tony Marmo <[email protected]>
>
>> Respeitosamente discordo. Na verdade, os detratores da homeopatia é que,
>> sem ofensas da minha parte, revelam ignorar pontos importantes daquilo que
>> falam.
>>
>> Não entendi a retratação do sujeito. Mas, pseudo-científico é o ataque à
>> homeopatia e a atitude preconceituosa, e diria mesmo sem-respeito, de uma
>> nota que diz que os princípios da homeopatia não têm validade científica.
>> Primeiro porque quem escreve confunde validade científica com suporte em
>> dado empírico. A validade científica consiste em poder formular hipóteses
>> testáveis ou falsificáveis, que é o caso da homeopatia.
>>
>> Ademais, o princípio da cura pelos semelhantes, ao contrário do que diz a
>> nota, tem comprovação empírica sim e não se limita à homeopatia. Exemplos
>> mais que conhecidos: veneno de cobra se cura com soro à base do veneno de
>> cobra. As vacinas são feitas dos próprios agentes causadores das doenças.
>> Remédios alopáticos que curam a mesma doença muitas vezes não podem ser
>> utilizados em conjunto porque um anula o efeito do outro. Abundam as provas
>> de que o semelhante cura o semelhante e esse princípio inclusive tem de ver
>> com competição entre seres vivos em ecologia e nos estudos evolutivos.
>>
>> Quanto às ultra-diluições, questionar sua eficácia não faz mal
>> academicamente. Mas, querer descartar uma teoria que foi criada antes da
>> física quântica porque a física moderna ou a química não proveria os
>> conceitos que a justificam é um erro pior. É óbvio que Hanemann não tinha à
>> sua disposição os conhecimentos que foram descobertos depois do seu tempo.
>> Tampouco é sensato achar que a física e a química no seu atual estágio
>> podem dar a palavra final a tudo, que tudo foi descoberto nesses dois
>> campos e que o que se pensou antes está necessariamente descartado. Não é
>> assim. Até porque estamos até hoje, em vários domínios do conhecimento,
>> lidando com questões deixadas por outros vários séculos antes de Hanemann
>> ou Newton.
>>
>> Em 5 de abril de 2012 20:30, Manuel Doria <[email protected]>escreveu:
>>
>> Que vergonha a SciAm Brasil publicar esse pastelão! Ainda bem que tivemos
>>> uma retratação.
>>>
>>> Um forte abraço.
>>>
>>> 2012/4/5 Tony Marmo <[email protected]>
>>>
>>>> Meu caro Álvaro Augusto, eu cheguei a pesar mais de 160 kg e somente
>>>> consegui emagrecer tomando remédio homeopático. No período em que perdi
>>>> peso tomando homeopatias, jamais fiz regime. Ao contrário, comia muito
>>>> mais
>>>> que hoje que estou com 116. Só não pude continuar o processo de
>>>> emagrecimento e derrotar a diabetes porque meu médico morreu, tinha
>>>> mais de
>>>> 90 anos e somente se tratava com homeopatia também.
>>>>
>>>> Em 5 de abril de 2012 14:46, Alvaro Augusto (L) <[email protected]
>>>> >escreveu:
>>>>
>>>> > O que vocês acham?: http://neveraskedquestions.**
>>>> blogspot.com.br/2012/04/*
>>>> > *homeopatia-na-sciam-brasil.**html<
>>>> http://neveraskedquestions.blogspot.com.br/2012/04/homeopatia-na-sciam-brasil.html
>>>> >
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