Olha, essa acusação fácil de chamar pesquisa de pseudo-ciência por conta de uma visão pré-concebida de mundo pode facilmente aplicar-se a qualquer projeto de ponta. E aí reclamar do quanto se gastou fica mais fácil ainda. Por exemplo, gastam-se milhões para construir um laboratório gigantesco que passa a procurar partículas que, pelo que se saiba, só existem teoricamente. Este tipo de projeto que merece até colaboração internacional poderia ser igualmente rotulado de desperdício. Ainda mais se muitas das partículas buscadas não existirem.
Mas, há investimentos em projetos menos duvidosos que saem mais caro e que alguns podem chamar de inúteis: por exemplo, mandar voos tripulados à Lua, arriscando a vida de astronautas, quando sondas não-tripuladas poderiam fazer o mesmo trabalho. O que está acontecendo com os que se queixam contra a homeopatia é que a indústria alopática dos EUA resolveu promover uma campanha contra a medicina homeopática e com seu poder de mídia conseguiu convencer as pessoas de certos mitos anti-homeopáticos. Mas, a mesma campanha já foi tentada contra a acunputura, apesar de que acunputuristas conseguem com agulhas anestesiar pessoas incrédulas em eventos públicos. Enfim, apenas peço que as pessoas, ainda que duvidem de certas teorias, pelo menos tenham respeito pelos outros profissionais que estudam anos e anos, leem livros e livros, e fazem pesquisa científica e séria no assunto. Ideias pré-concebidas ou uma noção falsa de que existe conhecimento absoluto não justifica falta de respeito aos demais, principalmente porque os demais os respeitam. Em 6 de abril de 2012 14:27, Eduardo Ochs <[email protected]> escreveu: > A minha resposta ao protesto do João Marcos é a seguinte: há verbas > públicas sendo aplicadas em muitas coisas controversas... pra começar > com um exemplo relativamente inócuo, Arte Contemporânea, que eu aposto > que muita gente aqui despreza, mas nem todo mundo. Agora um exemplo > menos inócuo: corrupção - uma parte GIGANTESCA das nossas verbas > públicas são gastas em coisas que pelo menos 99% das pessoas da lista > rotulariam tranquilamente como "corrupção"... > > O que a gente pode fazer com relação a estas verbas mal utilizadas? O > nosso tempo e a nossa energia são limitados, e cada um de nós tem que > escolher onde e como vamos aplicá-los para "combater o mal" e daí > conseguirmos dormir bem de noite - e, claro, as respostas a estes > "onde" e "como" são individuais, e vão depender das preferências e > afinidades de cada um. É natural que algumas pessoas combatam > prioritariamente o que consideram como pseudo-ciência - o João Marcos > já explicou os porquês dele de forma super coerente, mas não tenho os > links à mão, ele deve ter -, mas há mil outras possibilidades, e, > quanto a mim, apesar da minha antipatia por alopatia eu gostaria que > os médicos alopatas nos hospitais públicos fizessem faculdades > melhores, tivessem condições de trabalho bem melhores e ganhassem bem > mais do que ganham hoje em dia... > > Como eu não consigo parar, lá vai: eu gostaria também que mais > calouros lá na Ilha das Ostras, onde eu trabalho, entrassem na > faculdade sabendo ler e escrever direito, e gostaria que o Brasil > fosse um estado laico - aliás, 1% de alunos ateus é muito pouco - e > que o nosso próximo presidente fosse alguém melhor do que o Romário. A > minha estratégia atual pra tentar salvar o mundo um pouquinho inclui > deixar as pseudo-ciências em paz. > > [[]], Eduardo > > > On Fri, Apr 6, 2012 at 1:33 PM, Joao Marcos <[email protected]> wrote: > > Meu protesto vai ser o usual, contra a *malversação das verbas > > públicas*: um dia debatemos aqui o Núcleo de Estudos de Fenômenos > > Paranormais da UnB (aquela mesma universidade onde o ex-reitor comprou > > uma lixeira de ouro), com suas sérias investigações sobre ufologia, > > astrologia e conscienciologia > > (http://www.dimap.ufrn.br/pipermail/logica-l/2007-October/001684.html), > > noutro dia descobrimos que a CAPES e a USP estão fomentando estudos > > profundos sobre impostação de mãos e espiritismo > > (http://www.dimap.ufrn.br/pipermail/logica-l/2012-January/006972.html), > > e agora descobrimos que o CNPq, o Banco do Brasil e a UFV estão > > investindo em prevenção homeopática de pragas na agricultura. > > > > Não me espanta que a versão brasileira da SciAm publique afinal o que > publica. > > > > JM > > > > 2012/4/6 Alvaro Augusto (L) <[email protected]>: > >> O Eduardo Ochs tinha razão. Eu não tinha ideia do bafafá que seria > criado > >> com uma simples mensagem off-topic. Queiram me desculpar. > >> > >> > >> [ ]s > >> > >> Alvaro Augusto > >> _______________________________________________ > >> Logica-l mailing list > >> [email protected] > >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > > > > > > > > -- > > http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ > > _______________________________________________ > > Logica-l mailing list > > [email protected] > > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
