Julio, homem de encaixes:
(É um bocadinho difícil brincar com você pois você parece que cria as
regras na hora, e não se preocupa muito como as regras dos jogos dos
outros.  Mas vamos lá...)

Tenho muitos quebra-cabeças em casa.  Um deles, comprado recentemente,
é baseado em um tabuleiro 6x6, no qual podem se encaixar 36 peças de
diferentes alturas divididas igualmente em 6 cores diferentes.  O
interessante, de todo modo, é que se trata na realidade de um desafio
tridimensional, com pinos também de diferentes alturas, onde cada peça
pode igualmente se encaixar.  Esta é a *sintaxe do jogo*.

Cada uma das peças deve ser colocada sobre os 36 pinos de modo a no
final termos construído torres da mesma altura.  Esta são as
*restrições do jogo*.

Mas qual é o jogo?

Bom, o objetivo do quebra-cabeças é conseguir um "encaixe vitorioso".
Há duas noções diferentes de "vitória", caracterizando *dois jogos
diferentes*: na primeira, bem mais simples e com várias possibilidades
de vitória, os pinos devem ser encaixados de modo a que cada linha (ou
coluna) contenha pinos de uma só cor ; na segunda, realmente
desafiante, cada linha e cada coluna deve conter no final exatamente
um pino de cada cor.

Note que ambos os jogos possuem exatamente a mesma sintaxe e são
jogados sob as mesmas restrições.  Eles se diferenciam contudo com
relação à noção de "encaixe vitorioso".  Aqui, mudar de jogo é
exatamente mudar de "mecanismo", sem de forma alguma trocar as peças.

Joao Marcos


2012/4/11 Julio César <[email protected]>:
> Ola joao,
> Não me preocupo com bordoadas, mesmo porque muitas vezes só passam perto e 
> faz até ventinho. De qualquer forma, venho aqui para aprender.
>
> Ouso discordar de você quanto a meu exemplo ser mal elaborado, mesmo porque 
> você percebeu justamente o ponto que eu queria exemplificar, embora talvez 
> não tenha ficado claro o que eu queria com isso.
> De fato, o mecanismo M é o mesmo em ambas as situações, o interlocutor não 
> provou haver outro mecanismo, ele mudou as peças, não o mecanismo. Da maneira 
> semelhante, e eis o que eu queria ilustrar com isso, os sistemas 
> inconsistentes em geral mudam apenas de operadores, não de lógica. (foi só a 
> título de ilustração mesmo, para tentar fazer clara minha questão).
>
> Confesso que eu tenho grande dificuldade em compreender como que se justifica 
> que a criação de um sistema formal é sinônimo da criação de uma lógica.
>
> Talvez possamos recomeçar por aqui: como se justifica o que Aristoteles fez 
> como sendo lógica, embora não sendo um sistema formal?
>
> Abs,
> Júlio César A Custódio
>
>
> Em 10/04/2012, às 22:41, Joao Marcos <[email protected]> escreveu:
>
>> Se entendo bem a situação ilustrada, ela pressupõe que:
>>
>> (1) não há um encaixe das peças x, y, z em C segundo o mecanismo M
>>
>> (2) há um encaixe das peças x, w, z em C segundo o mesmo mecanismo M
>>
>> Parece especialmente ruim o "exemplo" (seja o que for que você esteja
>> querendo exemplificar).  Ou será que em (2) você pretendia usar um
>> mecanismo N diferente de M, e manter a peça y, ao invés?
>>
>> JM, nem M nem N
>>
>>
>> PS: Continua um pouco difícil entender o que você chama de "lógica"...
>> Insto-lhe a procurar se informar um pouco melhor a respeito destas
>> coisas, se não quiser continuar recebendo bordoadas (agora de certa
>> forma até justificadas) dos colegas!
>>
>>
>> 2012/4/10 Julio César <[email protected]>:
>>>
>>> Senhores,
>>>
>>> A título de ilustração: imaginem x,y e z como peças de Lego dentro de uma 
>>> caixa C. Chamemos aqui de "lógica" o mecanismo pelo qual as peças se 
>>> encaixam (pode-se entender como instrução de encaixe). Imaginem que alguém 
>>> verificou corretamente que x, y e z não possuem encaixe lógico. E essa 
>>> pessoa diz então:
>>>                           (a)   "As peças na caixa C não possuem encaixe 
>>> lógico".
>>> Imaginem também que certo interlocutor, por um motivo qualquer, quer provar 
>>> que existe outra lógica de encaixe das peças através da qual (a) se torne 
>>> falsa. Para tal, ele retira da caixa C a peça y e coloca a peça w, de forma 
>>> que a peça w, junto com x e z, tenham agora um encaixe lógico. Assim, (a) é 
>>> falsa, logo, existe sim outra lógica de encaixe das peças.
>>>
>>> Pergunta: Vocês considerariam legítima tal prova?
>>>
>>> abs
>>> Júlio César A. Custódio

-- 
http://sequiturquodlibet.googlepages.com/
_______________________________________________
Logica-l mailing list
[email protected]
http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l

Responder a