>
> Joao, no contexto em questão, do livro (*Logic Primer*) que estou
> traduzindo, ├ P→(Q→P) é apresentado como um teorema da lógica sentencial de
> primeira ordem, onde a definição de teorema é esta: um teorema é uma fbf
> que pode ser provada a partir do conjunto vazio de premissas (usando as
> regras de inferência do sistema em questão).
> Segundo esta definição, nem P,Q├ P nem P├ Q→P são teoremas, uma vez que há
> premissas ao lado esquerdo do sinal de consequência. Ajuda?
>

Bem, a mim não "ajuda", já que não entendo bem o sentido da tarefa de "dar
nome a teoremas".  Se fórmulas nunca realmente "dizem" nada, asserções tais
como aquela que você escreveu, com a catraca├,  podem até dizer, mas não
mais do que aquilo que já está escrito.  Com efeito, uma asserção já tem
como "nome" (sintaxe) a própria fórmula que esta asserção afirma "valer
como teorema".  (Se alguém achar mais bonito, pode chamar o teorema acima
de "primeiro axioma de Mendelson para o cálculo de Hilbert implicacional",
ou qualquer coisa assim...)

Dito isto, para insistir na importância do *contexto*, vale acrescentar que
a coisa mais próxima que um lógico relevante, digamos, conseguirá chegar da
sua asserção (sem aninhar implicações que representam condicionais na
linguagem-objeto) é escrever P├ Q→P.  Do ponto de vista da Lógica
Universal, a asserção cujo nome você quer traduzir não merece mais o nome
de "enfraquecimento" do que qualquer outra fórmula parecida.  De maneira
semelhante, que faz pouquíssimo ou nenhum sentido dizer que a
*fórmula* ¬(A∧¬A), ou mesmo a *asserção* ├¬(A∧¬A), representa algo como o
"princípio da não-contradição".

Voltando-me novamente para a sua pergunta, de um ponto de vista puramente
lógico-linguístico, "weakening/dilution" costumam ser traduzidos na nossa
língua (embora nem todos gostem disso) como "enfraquecimento/diluição".
 Mas vale lembrar que estes são nomes típicos de uma tradição, uma área de
estudos chamada Teoria das Demonstrações (que alguns gostam de traduzir
---mal--- como Teoria da Prova), e ali também não se encontrará nenhum
interesse na tarefa de "dar nomes a teoremas".

Bom trabalho na tradução!
Joao Marcos



2012/7/30 Joao Marcos <[email protected]>
>
>> Supondo que valha o *Teorema da Dedução* para a setinha →, e que você
>> está portanto interessado na propriedade análoga em termos de
>> *consequência lógica*, sua asserção ├ P→(Q→P) poderia ser reescrita
>> como P,Q├ P.  Neste caso ela poderia ser entendida, do ponto de vista
>> da relação de *consequência lógica*, como uma instância da
>> "reflexividade" desta relação ("se P∈Γ, então Γ├ P").
>>
>> Se, contudo, o que lhe interessa é a (meta-)inferência de P,Q├ P a
>> partir da "asserção auto-evidente" P├ P, mais uma vez do ponto de
>> vista da relação de consequência lógica, um nome comum é "diluição"
>> (normalmente tido como sinônimo de "enfraquecimento").  Cabe contudo
>> um aviso: este nome só é de fato usado na Teoria das Demonstrações ---
>> em Lógica Universal é mais comum falar em "monotonicidade" ("se Γ├ P e
>> Γ⊆Δ, então Δ├ P").
>>
>> Finalmente, se o que lhe interessa na realidade é a propriedade do
>> condicional material segundo a qual P├ Q→P, isto é, que a fórmula da
>> direita possa ser inferida da fórmula da esquerda, então vale a pena
>> lembrar que este se trata de um dos "paradoxos da implicação
>> material", relacionados à "adição de premissas irrelevantes".
>>
>> (Dar nomes para "axiomas" nunca é uma atividade muito brilhante...)
>>
>> * * *
>>
>> Faço um aparte, para saber a opinião dos colegas.  Parece-me no mínimo
>> curioso que em *dedução natural* temos regras bem parecidas para o
>> "absurdo clássico" (¬A==>⊥)==>A e para o "absurdo intuicionista" ⊥==>A
>> (a segunda difere da primeira em não permitir o descarte de
>> hipóteses), mas aparentemente não é bem estudada a "versão restrita"
>> da "introdução da implicação" (B==>A)==>(B→A) segundo a qual só seria
>> permitido fazer A==>(B→A), sem o descarte do B.  Por quê?
>>
>> JM
>>
>>
>> PS: Uso acima ==> para a "meta-implicação" que usamos para especificar
>> regras na meta-lingaugem da Teoria das Demonstrações.
>>
>>
>> 2012/7/30 Louis Lambda <[email protected]>:
>> > Olá colegas!
>> > Estou traduzindo para os meus alunos de lógica o livro *Logic Primer*
>> que é
>> > usado na MIT e foi escrito por Michael Hand e Colin Allen. Encontrei
>> > problemas para traduzir o seguinte teorema:
>> >
>> > ├ P→(Q→P)
>> >
>> > No livro, o teorema recebe o bem conhecido nome "Weakening". Qual seria
>> a
>> > melhor tradução para o nome deste teorema?
>> >
>> > p.s: paga-se um certo preço por só ler material em inglês...
>> >
>> > Obrigado para quem puder me ajudar!
>> >
>> > --
>> > *Luis Fernando Munaretti da Rosa                            *
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