"Atenuação" é bacana, Valeria, e ainda tem conotações científicas
(físicas, ou fisiológicas).  Melhor que "enfraquecimento", muito
ligado a "debilidade", "prostração"...

A propósito: você identificaria com tranquilidade a "atenuação" com a
asserção ├ P→(Q→P)?

Joao Marcos


2012/7/30 Valeria de Paiva <[email protected]>:
> Joao,
> outro nome que o pessoal da "teoria das demonstracoes" usa 'e "atenuacao",
> acho. pelo menos ja vi mais vezes que diluicao, mas enfraquecimento acho que
> 'e  bom tambem.
>
> abracos,
> valeria
>
> 2012/7/30 Joao Marcos <[email protected]>
>>
>> >
>> > Joao, no contexto em questão, do livro (*Logic Primer*) que estou
>>
>> > traduzindo, ├ P→(Q→P) é apresentado como um teorema da lógica sentencial
>> > de
>> > primeira ordem, onde a definição de teorema é esta: um teorema é uma fbf
>> > que pode ser provada a partir do conjunto vazio de premissas (usando as
>> > regras de inferência do sistema em questão).
>> > Segundo esta definição, nem P,Q├ P nem P├ Q→P são teoremas, uma vez que
>> > há
>> > premissas ao lado esquerdo do sinal de consequência. Ajuda?
>> >
>>
>> Bem, a mim não "ajuda", já que não entendo bem o sentido da tarefa de "dar
>> nome a teoremas".  Se fórmulas nunca realmente "dizem" nada, asserções
>> tais
>> como aquela que você escreveu, com a catraca├,  podem até dizer, mas não
>> mais do que aquilo que já está escrito.  Com efeito, uma asserção já tem
>> como "nome" (sintaxe) a própria fórmula que esta asserção afirma "valer
>> como teorema".  (Se alguém achar mais bonito, pode chamar o teorema acima
>> de "primeiro axioma de Mendelson para o cálculo de Hilbert implicacional",
>> ou qualquer coisa assim...)
>>
>> Dito isto, para insistir na importância do *contexto*, vale acrescentar
>> que
>> a coisa mais próxima que um lógico relevante, digamos, conseguirá chegar
>> da
>> sua asserção (sem aninhar implicações que representam condicionais na
>> linguagem-objeto) é escrever P├ Q→P.  Do ponto de vista da Lógica
>> Universal, a asserção cujo nome você quer traduzir não merece mais o nome
>> de "enfraquecimento" do que qualquer outra fórmula parecida.  De maneira
>> semelhante, que faz pouquíssimo ou nenhum sentido dizer que a
>> *fórmula* ¬(A∧¬A), ou mesmo a *asserção* ├¬(A∧¬A), representa algo como o
>> "princípio da não-contradição".
>>
>> Voltando-me novamente para a sua pergunta, de um ponto de vista puramente
>> lógico-linguístico, "weakening/dilution" costumam ser traduzidos na nossa
>> língua (embora nem todos gostem disso) como "enfraquecimento/diluição".
>>  Mas vale lembrar que estes são nomes típicos de uma tradição, uma área de
>> estudos chamada Teoria das Demonstrações (que alguns gostam de traduzir
>> ---mal--- como Teoria da Prova), e ali também não se encontrará nenhum
>> interesse na tarefa de "dar nomes a teoremas".
>>
>> Bom trabalho na tradução!
>> Joao Marcos
>>
>>
>>
>> 2012/7/30 Joao Marcos <[email protected]>
>> >
>> >> Supondo que valha o *Teorema da Dedução* para a setinha →, e que você
>> >> está portanto interessado na propriedade análoga em termos de
>> >> *consequência lógica*, sua asserção ├ P→(Q→P) poderia ser reescrita
>> >> como P,Q├ P.  Neste caso ela poderia ser entendida, do ponto de vista
>> >> da relação de *consequência lógica*, como uma instância da
>> >> "reflexividade" desta relação ("se P∈Γ, então Γ├ P").
>> >>
>> >> Se, contudo, o que lhe interessa é a (meta-)inferência de P,Q├ P a
>> >> partir da "asserção auto-evidente" P├ P, mais uma vez do ponto de
>> >> vista da relação de consequência lógica, um nome comum é "diluição"
>> >> (normalmente tido como sinônimo de "enfraquecimento").  Cabe contudo
>> >> um aviso: este nome só é de fato usado na Teoria das Demonstrações ---
>> >> em Lógica Universal é mais comum falar em "monotonicidade" ("se Γ├ P e
>> >> Γ⊆Δ, então Δ├ P").
>> >>
>> >> Finalmente, se o que lhe interessa na realidade é a propriedade do
>> >> condicional material segundo a qual P├ Q→P, isto é, que a fórmula da
>> >> direita possa ser inferida da fórmula da esquerda, então vale a pena
>> >> lembrar que este se trata de um dos "paradoxos da implicação
>> >> material", relacionados à "adição de premissas irrelevantes".
>> >>
>> >> (Dar nomes para "axiomas" nunca é uma atividade muito brilhante...)
>> >>
>> >> * * *
>> >>
>> >> Faço um aparte, para saber a opinião dos colegas.  Parece-me no mínimo
>> >> curioso que em *dedução natural* temos regras bem parecidas para o
>> >> "absurdo clássico" (¬A==>⊥)==>A e para o "absurdo intuicionista" ⊥==>A
>> >> (a segunda difere da primeira em não permitir o descarte de
>> >> hipóteses), mas aparentemente não é bem estudada a "versão restrita"
>> >> da "introdução da implicação" (B==>A)==>(B→A) segundo a qual só seria
>> >> permitido fazer A==>(B→A), sem o descarte do B.  Por quê?
>> >>
>> >> JM
>> >>
>> >>
>> >> PS: Uso acima ==> para a "meta-implicação" que usamos para especificar
>> >> regras na meta-lingaugem da Teoria das Demonstrações.
>> >>
>> >>
>> >> 2012/7/30 Louis Lambda <[email protected]>:
>> >> > Olá colegas!
>> >> > Estou traduzindo para os meus alunos de lógica o livro *Logic Primer*
>> >> que é
>> >> > usado na MIT e foi escrito por Michael Hand e Colin Allen. Encontrei
>> >> > problemas para traduzir o seguinte teorema:
>> >> >
>> >> > ├ P→(Q→P)
>> >> >
>> >> > No livro, o teorema recebe o bem conhecido nome "Weakening". Qual
>> >> > seria
>> >> a
>> >> > melhor tradução para o nome deste teorema?
>> >> >
>> >> > p.s: paga-se um certo preço por só ler material em inglês...
>> >> >
>> >> > Obrigado para quem puder me ajudar!
>> >> >
>> >> > --
>> >> > *Luis Fernando Munaretti da Rosa                            *
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