Não, não chocou. Mas, veja que na literatura existe já a detecção do
problema da relevância em exemplos como:


   - Se Sócrates é humano, então a bengala está no canto.
   - Sócrates é humano.
   - Modus ponens, a bengala está no canto.


E a crítica é que esse tipo de implicação e o raciocínio é rejeitada pelas
pessoas porque falha a relação de relevância entre o consequente e o
antecedente na implicação.

No caso do paradoxo da Independência da Holanda, a relação de relevância
não ajuda.

Agora, é claro que esse paradoxo é como o paradoxo do corvo, não tem
somente questões matemáticas imediatamente visíveis. Mas, por séculos não
se viram quais seriam os objetos matemáticos por detrás do Organon e houve
até uma opinião aceite de que lógica e matemática nada teriam uma com a
outra.

Há, no caso que examino, o problema filosófico da verdade aceite, ainda que
rejeitadas suas (possíveis) premissas e (possíveis) consequencias, mesmo
que se mostre que um raciocínio perfeitamente lógico (clássico) possa ser
construído em cima delas. E, no entanto, este seria aparentemente o
problema causado pela falta de relevância.

Em 28 de novembro de 2012 14:37, Marcelo Finger <[email protected]>escreveu:

> Oi Tony.
>
> Como se resolve o paradoxo?  Assim, ó: "a lógica da matemática e a lógica
> do raciocínio médio humano são distintas".
>
> Chocou?  Não devia.
>
> A lógica da matemática tende a ser a lógica clássica, onde vale (A ->
> (B->A)).  A lógica do raciocínio humano é e será tema de estudo por muiiito
> tempo.  Nenhum consenso a vista, nem no fato de existir uma lógica do
> raciocínio humano.
>
> []s
>
> Marcelo
>
>
> 2012/11/28 Tony Marmo <[email protected]>
>
>>  Caros Participantes
>>
>>
>>
>> Essa é uma experiência que eu observei de perto. Pessoas que aceitam como
>> verdadeira uma proposição A, mas rejeitam simultaneamente a implicação
>> tautológica A=>(B=>A) e inferir por modus ponens que B=>A, mesmo quando há
>> uma relação de relevância entre A e B.
>>
>>
>>
>> A situação é a seguinte: numa cidade da Holanda, todos os anos, no mês de
>> outubro, comemora-se a resistência dos habitantes, num cerco, contra
>> tropas
>> de Espanha pela independência, também dita libertação, da Holanda.
>> Pergunte-se a um holandês “independência ou libertação do quê?” e ele
>> responde normalmente “da Espanha”. Mas, em seguida tente tirar alguma
>> ilação disso, tal como “se a Holanda se tornou independente da Espanha,
>> então antes a Holanda era colônia da Espanha?” Automaticamente o mesmo
>> holandês dirá “jamais”. Pergunte, então “era província da Espanha?” O
>> mesmo
>> holandês dirá “evidentemente que não”. Tente reformular uma vez mais a
>> pergunta: “era possessão espanhola?” “Não mesmo”, dirá o holandês. Tente
>> mais uma: “digamos então que a Holanda fazia parte da Espanha?” E o
>> holandês: “Nunca fez, que absurdo!” Pela última vez, experimente mais uma
>> reformulação da pergunta: “os espanhóis haviam invadido, dominado ou
>> anexado a Holanda?” E o holandês sentenciará: “aha, eles que tentassem!”
>>
>>
>>
>> Eu várias vezes tentei colocar a questão para alguns na forma da
>> implicação:
>>
>>
>>
>> [1] Se a Holanda lutou para se tornar independente da Espanha, então o
>> fato
>> da Holanda ter pertencido à Espanha implica que ela lutou para se tornar
>> independente.
>>
>>
>>
>> Mesmo mostrando o raciocínio que teria de existir uma vez aceite a
>> proposição “a Holanda lutou para se tornar independente da Espanha” e
>> mesmo
>> havendo uma conexão de relevância entre esta proposição e “o fato da
>> Holanda ter pertencido à Espanha”, os holandeses tinham dificuldade de
>> entender o raciocínio, dado que a ideia do país deles não ter sido
>> independente é completamente repugnante. É como se “a independência da
>> Holanda” fosse uma verdade que não pudesse ter nem premissa nem
>> consequência.
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