Caro Renato,

Obrigado pela resposta. Esse tópico dos limites da lógica e do que seja um
paradoxo têm escopo muito maior que o que proponho aqui. Acho que há um
paradoxo sim, no mesmo sentido que o problema dos corvos (toda coisa
não-negra é não-corvo) ou do irmão mais velho que é cinco anos mais novo,
etc, por exemplo. Todos esses problemas estão citados na literatura como
paradoxos e são da mesma natureza filosófica.

Concordo, todavia, que uma das interpretações é que o interlocutor possa
rejeitar a relação causal. Mas, aí também ele rejeita a provável causa
juntamente com a relação causal.

Em 3 de dezembro de 2012 18:32, Renato Mendes Rocha
<[email protected]>escreveu:

> Caro Tony,
>
> Há de se compreender melhor os limites do uso da lógica. Não vejo que este
> caso que você apresenta consista em um paradoxo, no sentido estrito.
>
> Para o senso comum, uma implicação entre dois eventos consiste em um
> sentença condicional ("Se A, então B") e uma relação de causalidade ("A foi
> causado por B"). Ou seja, Implicação = condicional + causalidade. Acontece
> que a lógica proposicional é insuficiente para dar conta do segundo
> aspecto, pois trata-se de uma questão mais complexa do que a mera
> construção de uma tabela de verdade.
>
> Penso que talvez seja esta a razão de seu interlocutor aceitar:
>
> A = "A Holanda lutou para se tornar independente da Espanha",
>
> e rejeitar
>
> "B => A" = "Se a Holanda pertenceu à Espanha, então a Holanda lutou para
> se tornar independente da Espanha"
>
> e consequentemente também rejeitar,
>
> "A =>(B=>A)"
>
> O interlocutor nega a relação causal entre os eventos A e B. Neste
> sentido, são dois eventos logicamente distintos e apenas causalmente
> contigentes.
>
> Abs,
> Renato
>
>
> Em 28 de novembro de 2012 13:42, Tony Marmo <[email protected]>escreveu:
>
>>  Caros Participantes
>>
>>
>>
>> Essa é uma experiência que eu observei de perto. Pessoas que aceitam como
>> verdadeira uma proposição A, mas rejeitam simultaneamente a implicação
>> tautológica A=>(B=>A) e inferir por modus ponens que B=>A, mesmo quando há
>> uma relação de relevância entre A e B.
>>
>>
>>
>> A situação é a seguinte: numa cidade da Holanda, todos os anos, no mês de
>> outubro, comemora-se a resistência dos habitantes, num cerco, contra
>> tropas
>> de Espanha pela independência, também dita libertação, da Holanda.
>> Pergunte-se a um holandês “independência ou libertação do quê?” e ele
>> responde normalmente “da Espanha”. Mas, em seguida tente tirar alguma
>> ilação disso, tal como “se a Holanda se tornou independente da Espanha,
>> então antes a Holanda era colônia da Espanha?” Automaticamente o mesmo
>> holandês dirá “jamais”. Pergunte, então “era província da Espanha?” O
>> mesmo
>> holandês dirá “evidentemente que não”. Tente reformular uma vez mais a
>> pergunta: “era possessão espanhola?” “Não mesmo”, dirá o holandês. Tente
>> mais uma: “digamos então que a Holanda fazia parte da Espanha?” E o
>> holandês: “Nunca fez, que absurdo!” Pela última vez, experimente mais uma
>> reformulação da pergunta: “os espanhóis haviam invadido, dominado ou
>> anexado a Holanda?” E o holandês sentenciará: “aha, eles que tentassem!”
>>
>>
>>
>> Eu várias vezes tentei colocar a questão para alguns na forma da
>> implicação:
>>
>>
>>
>> [1] Se a Holanda lutou para se tornar independente da Espanha, então o
>> fato
>> da Holanda ter pertencido à Espanha implica que ela lutou para se tornar
>> independente.
>>
>>
>>
>> Mesmo mostrando o raciocínio que teria de existir uma vez aceite a
>> proposição “a Holanda lutou para se tornar independente da Espanha” e
>> mesmo
>> havendo uma conexão de relevância entre esta proposição e “o fato da
>> Holanda ter pertencido à Espanha”, os holandeses tinham dificuldade de
>> entender o raciocínio, dado que a ideia do país deles não ter sido
>> independente é completamente repugnante. É como se “a independência da
>> Holanda” fosse uma verdade que não pudesse ter nem premissa nem
>> consequência.
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