Oi, Tony
Aquilo que chamamos de "lógica clássica" nem é bem definido. O que é a LC? A 
lógica positiva "clássica" é LC? E o cálculo proposicional? Parece que sim, mas 
fica vago. Mas e as teorias de tipos "clássicas"?  E as teorias de conjuntos? 
(grande lógica). E a teoria de categorias? Isso é discutível e você conhece a 
opinião de gente como Quine. Mas temos uma ideia do que seja a LC por certo. 
Começamos com ela porque parece (parece) que ela nos é mais intuitiva, mas 
desconfio disso: o que há de intuitivo na implicação material? 
Eu não tenho nada conta começar com outra lógica, só que não saberia dizer 
quais os efeitos disso. Valeria tentar. Você tem alguma experiência nisso?
Uma vez duas ex-colegas minhas do departamento de matemática da UFPR foram 
convidadas a dar um curso para professores de primeiro grau, para detectar os 
problemas que poderiam haver com o aprendizado dos alunos em matemática. As 
professoras (eram todas mulheres) diziam que os alunos eram meio tolos e que 
não entendiam nada. As duas notaram que as professoras pressupunham 
conhecimentos que os alunos não dispunham e se propuseram a fazer um curso para 
elas ensinando as mesmas coisas que elas lecionavam, só que em base 5!!
Foi uma loucura. As professoras apresentavam os mesmos problemas que seus 
alunos tinham com a base 10. Quando elas entenderam isso, dizem as duas, houve 
uma sensível melhora. É um exemplo de que em certos casos pode dar certo, mas 
eu não generalizaria.
Lembre que Lawvere sugere que se se ensine matemática via categorias. Por que 
não?
Abraço
Décio

________________________________
Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil
deciokrause[at]gmail.com
www.cfh.ufsc.br/~dkrause
________________________________







Em 11/03/2013, às 11:17, Tony Marmo escreveu:

> Caro Professor Décio,
> 
> Aproveitando essa discussão, pergunto: não é esse tipo de dúvida mais uma 
> prova de que já é o tempo de começar o ensino da lógica não mais pela lógica 
> clássica?
> 
> Em 10 de março de 2013 23:12, Décio Krause <[email protected]> escreveu:
> Oi, Luiz
> Sim, concordo plenamente que de  P podemos inferir P na maioria dos casos, 
> mas em algumas lógicas isso não vale. O seu critèrio de P é verdadeiro sse ~P 
> é falso traz outro problema: o da verdade e da falsidade. Nos cursos iniciais 
> de Lógica, isso tudo é tomado intuitivamente, mas uma discussão mais 
> detalhada aponta os problemas.
> Outra coisa. Você colocou  uma boa questão sobre a possibilidade de haver 
> argumentos que são falaciosos tout court. Isso depende do que chama se 
> argumento e como eu disse na mensagem anterior, não há uma definição precisa 
> disso. Mas suponha que você elabore um argumento A. Invente agora uma lögica 
> que tenha A como regra de inferência. Pronto, ele é válido. Mas você tem 
> razão em dizer que precisamos pensar mais sobre o assunto.
> Abraço
> Décio
> 
> 
> 
> ------------------------------------------------------
> Décio Krause
> Departamento de Filosofia
> Universidade Federal de Santa Catarina
> 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
> http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
> ------------------------------------------------------
> 
> Em 10/03/2013, às 21:35, Luis Rosa <[email protected]> escreveu:
> 
> > Caro Decio, muito obrigado pelos comentarios (desculpe a falta de acentos).
> >
> > Sobre a negacao no argumento falacioso, infelizmente nao tenho conhecimento 
> > sobre o 'nao' intuicionista e paraconsistente e, portanto, nao tenho uma 
> > resposta para lhe dar. Acredito que a definicao extensional de '~' nos 
> > argumentos falaciosos apresentados seja essa: ~P tem valor true sse P tem 
> > valor false.
> >
> > Interessante observar que padroes de derivacao outrora validos em um 
> > determinado sistema sao invalidos em outros - nao havia considerado isso. 
> > Nao sera o caso que alguns padroes de derivacao sao falaciosos em todos os 
> > sistemas? Ha como provar isso? Em particular, ha algum sistema em que (LOE) 
> > seria valido? Preciso pensar sobre o assunto.
> >
> > E sim, nao vejo impedimento em classificar como argumento algo como:
> >
> > (1) P
> > (2) Portanto, P (from 1)
> >
> > Certamente o imperativo 'defina seus termos' precisa ser observado.
> >
> > Thanks,
> > LR
> >
> > --
> > Luis Rosa
> > @fsopho // prof // lattes
> > FsOpHo Epistemology Blog
> > Blog Distropia
> > Greek van Peixe - Gamer Rock
> >
> _______________________________________________
> Logica-l mailing list
> [email protected]
> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
> 

_______________________________________________
Logica-l mailing list
[email protected]
http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l

Responder a