Aos dois grandes mestres,

1. A parte da experiência de ensinar matemática é real: muitas vezes quem
vai ensinar não sabe ensinar. Talvez mesmo desconheça a matéria, mas isso
já é o pior dos casos. Normalmente, os professores começam sem avaliar em
que nível os alunos estão e não pensam que o principal é que os alunos
saiam melhor do que entraram. Acham que os alunos têm uma meta X para
alcançar, digamos, K% de um conteúdo C. No caso de matemática, existe o
problema comum do aluno aprender e o professor não conseguir entender que o
aluno aprendeu, porque não sabe avaliar. Nessa entra o mito do ensino
tradicional de que professor bom é o que reprova, o que dá prova difícil,
etc., tudo parte dessas teses educacionais que não funcionam.

2. A parte da lógica por onde começar, para mim é óbvio: pelas questões com
as quais os grupos de lógicos em determinada instituição estão trabalhando.
Não faz sentido começar com o cálculo proposicional clássico ou
intuicionista num lugar que, por exemplo, se destaca por estudar ou
enfatiza o estudo de lógica difusa, ou lógica paraconsistente, etc Como
lógica não é ensinada antes da faculdade, em filosofia é apenas um capítulo
do ensino médio, não faz sentido senão casar o ensino com a pesquisa.

Em 12 de março de 2013 15:34, Décio Krause <[email protected]> escreveu:

> Marcelo
> Não é do seu tempo, mas eu fui educado na "matemática moderna". Depois, eu
> li muito sobre o assunto e para mim transpareceu o que relata: professores
> não adaptados. Eles simplesmente não sabiam do que se tratava. Certo que
> houve abusos, mas o problema era essencialmente esse. O mesmo deve ocorrer
> com a teoria de categorias, como aponta você. Quem iria ensinar?
> Se impantassem isso, ia sair m*. Sorry.
> Abraço
> D
>
> *
> *
> *
> *
> *------------------------------------------------------*
> *Décio Krause*
> *Departamento de Filosofia*
> *Universidade Federal de Santa Catarina*
> *88040-900 Florianópolis - SC - Brasil*
> *http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause*
> *------------------------------------------------------*
>
> Em 12/03/2013, às 11:53, Marcelo Finger <[email protected]> escreveu:
>
> 2013/3/12 Decio Krause <[email protected]>
>
>> Lembre que Lawvere sugere que se se ensine matemática via categorias. Por
>> que não?
>>
>
> Porque não há professore(a)s que saibam a matéria para ensinar.
>
> O problema não é ensinar lógica clássica/não-clássica.  O problema é que
> quem ensina não entende patavinas de lógica e, pior, não entende sobre como
> ensinar lógica.
>
> IMHO, bons professores de lógica proposicional clássica resolveriam o
> problema.
>
> []s
>
>
>
>
>> Abraço
>> Décio
>>
>> ________________________________
>> Décio Krause
>> Departamento de Filosofia
>> Universidade Federal de Santa Catarina
>> 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil
>> deciokrause[at]gmail.com
>> www.cfh.ufsc.br/~dkrause
>> ________________________________
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>> Em 11/03/2013, às 11:17, Tony Marmo escreveu:
>>
>> > Caro Professor Décio,
>> >
>> > Aproveitando essa discussão, pergunto: não é esse tipo de dúvida mais
>> uma prova de que já é o tempo de começar o ensino da lógica não mais pela
>> lógica clássica?
>> >
>> > Em 10 de março de 2013 23:12, Décio Krause <[email protected]>
>> escreveu:
>> > Oi, Luiz
>> > Sim, concordo plenamente que de  P podemos inferir P na maioria dos
>> casos, mas em algumas lógicas isso não vale. O seu critèrio de P é
>> verdadeiro sse ~P é falso traz outro problema: o da verdade e da falsidade.
>> Nos cursos iniciais de Lógica, isso tudo é tomado intuitivamente, mas uma
>> discussão mais detalhada aponta os problemas.
>> > Outra coisa. Você colocou  uma boa questão sobre a possibilidade de
>> haver argumentos que são falaciosos tout court. Isso depende do que chama
>> se argumento e como eu disse na mensagem anterior, não há uma definição
>> precisa disso. Mas suponha que você elabore um argumento A. Invente agora
>> uma lögica que tenha A como regra de inferência. Pronto, ele é válido. Mas
>> você tem razão em dizer que precisamos pensar mais sobre o assunto.
>> > Abraço
>> > Décio
>> >
>> >
>> >
>> > ------------------------------------------------------
>> > Décio Krause
>> > Departamento de Filosofia
>> > Universidade Federal de Santa Catarina
>> > 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
>> > http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
>> > ------------------------------------------------------
>> >
>> > Em 10/03/2013, às 21:35, Luis Rosa <[email protected]> escreveu:
>> >
>> > > Caro Decio, muito obrigado pelos comentarios (desculpe a falta de
>> acentos).
>> > >
>> > > Sobre a negacao no argumento falacioso, infelizmente nao tenho
>> conhecimento sobre o 'nao' intuicionista e paraconsistente e, portanto, nao
>> tenho uma resposta para lhe dar. Acredito que a definicao extensional de
>> '~' nos argumentos falaciosos apresentados seja essa: ~P tem valor true sse
>> P tem valor false.
>> > >
>> > > Interessante observar que padroes de derivacao outrora validos em um
>> determinado sistema sao invalidos em outros - nao havia considerado isso.
>> Nao sera o caso que alguns padroes de derivacao sao falaciosos em todos os
>> sistemas? Ha como provar isso? Em particular, ha algum sistema em que (LOE)
>> seria valido? Preciso pensar sobre o assunto.
>> > >
>> > > E sim, nao vejo impedimento em classificar como argumento algo como:
>> > >
>> > > (1) P
>> > > (2) Portanto, P (from 1)
>> > >
>> > > Certamente o imperativo 'defina seus termos' precisa ser observado.
>> > >
>> > > Thanks,
>> > > LR
>> > >
>> > > --
>> > > Luis Rosa
>> > > @fsopho // prof // lattes
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>> > > Blog Distropia
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