> A primeira dúvida que surge é a seguinte: por que na linguagem há disjunção e 
> negação, mas não há implicação material?

(A pergunta foi especificamente para o Walter, mas a lista é pública, logo...)

Do abstract citado:
"It is known that no three-valued paraconsistent logic which has an
implication can be self-extensional."
Avron, A., Béziau, J.-Y.: Self-extensional three-valued paraconsistent
logics have no implication. Log. J. IGPL 25, 183–194 (2017)

(Em contraste, no novo paper Avron demonstra que há exatamente uma
extensão auto-extensional da lógica 4-valorada de Dunn-Belnap com o
acréscimo de uma implicação dedutiva.)

JM

On Fri, May 29, 2020 at 3:49 PM Antonio Marmo <[email protected]> wrote:
>
> Caros Walter e demais amigos estimados,
>
> Esse tema que o nosso bom Jean-Yves levantou, no tocante às contribuições do 
> autor citado, o Avron, é intrigante e curioso. Num resumo de um artigo de 
> 2017, cujo título é “Self-Extensional Three-Valued Paraconsistent Logics”, 
> também publicado na LU, ele coloca as coisas assim:
>
> “A logic L is called self-extensional if it allows to replace occurrences of 
> a formula by occurrences of an L-equivalent one in the context of claims 
> about logical consequence and logical validity. It is known that no 
> three-valued paraconsistent logic which has an implication can be 
> self-extensional. In this paper we show that in contrast, there is exactly 
> one self-extensional three-valued paraconsistent logic in the language of {¬, 
> ∧, ∨}, for which ∨ is a disjunction, and ∧ is a conjunction.(...)”
> ∧
>
> A primeira dúvida que surge é a seguinte: por que na linguagem há disjunção e 
> negação, mas não há implicação material?
>
> Acho que você, Walter, poderia aclarar em breves linhas aclarar esse ponto 
> para todos poderem seguir melhor essa discussão. Obrigado.
>
>
> https://independent.academia.edu/TonyMarmo
>
> On 29 May 2020, at 12:26, Walter Alexandre Carnielli <[email protected]> 
> wrote:
>
> Car@s,
>
> contribuindo para a discussão  (Joao, Jean-Yves) gostaria de dar meu  pitaco:
>
> De fato, o paper  "Bivalent semantics, generalized compositionality
> and analytic classic-like
> tableaux for finite-valued logics" é excelente, e está disponível
> para  download no próprio site;
>
> Mas  só gostaria de lembrar dois pequenos pontos:
>
> 1) Nosso artigo   mais antigo  (com  João, Marcelo, Caleiro) :
>
> C. Caleiro, W. Carnielli, M.E. Coniglio, J. MarcosTwo's company: “The
> humbug of many logical values”
> J.-Y. Béziau (Ed.), Logica Universalis, Birkhäuser Verlag, Basel,
> Switzerland (2005), pp. 169-189
>
> traz a semente, de forma bastante intuitiva, da questão da
> "separabilidade", e ainda mostra o "trade off" entre  dar
> uma semântica de dois valores não-vero-funcional e uma de vários
> valores plenamente funcional.
> Acho que vale a pena chamar  a atenção  para este artigo   aos
> leitores mais jovens, ou que queiram  ingressar na questão.
>
> 2) Outro ponto é que de fato, como o João menciona, nosso paper
> recente (submetido)  contribui bastante para esta discussão.
>
> "Logics of Formal Inconsistency enriched with replacement: an
> algebraic and modal account ""
> (Carnielli, Coniglio, Fuenmayor)
> https://www.cle.unicamp.br/eprints/index.php/CLE_e-Prints/article/view/1348/1079
>
>
> Abraços,
>
> Walter
>
> Em sex., 29 de mai. de 2020 às 11:54, Joao Marcos <[email protected]> 
> escreveu:
>
>
> Viva, JY:
>
>
> do  Arnon Avron,
>
> foi publicado ha pouco na Logica Universalis
>
> https://link.springer.com/article/10.1007/s11787-020-00254-1
>
>
> Com foi mostrado num artigo anterior
>
> não ha logicas paraconsistentes trivalentes  auto-extensionais que tem uma 
> implicação:
>
> A.Avron and J.-Y.Beziau, “Self-extensional three-valued paraconsistent logics 
> have no implication”, Logic Journal of the IGPL, Volume 25, Issue 2 (April 
> 2017), pp.183-194.
>
> https://academic.oup.com/jigpal/article-abstract/25/2/183/2739325/Self-extensional-three-valued-paraconsistent?redirectedFrom=fulltext
>
>
> Neste novo  artigo o Arnon mostra que é possivel ter uma logica 
> paraconistente quadri-valorada auto-extensional com uma implicação,
>
>
> Não apenas isso, vale apontar que Avron mostrou que há uma ÚNICA
>
> implicação que serve a este propósito.
>
>
> respondendo a uma pergunta que eu tinha feito par ele quando estava em Tel 
> Aviv trabalhando com ele em 2016 no ambito  do projeto GeTFun.
>
> Acredito que esta nova logica parasonsistente (extensao da lógica de 
> Dunn-Belnap) é uma das melhores que foi descoberta até hoje.
>
>
> Tenho intenção de publicar um artigo apresentando uma semantica bivalorade 
> para esta nova lógica DBA (Dunn-Belnap-Avron), como eu fiz para a logica do 
> Dunn-Belnap:
>
> J.-Y.Béziau, “Bivalent semantics for De Morgan logic (the uselessness of 
> four-valuedness)", in W.A.Carnielli, M.E.Coniglio, I.M.L.D'Ottaviano (eds), 
> The many sides of logic, College Publication, London, 2009, pp.391-402.
>
> https://www.jyb-logic.org/papers/morgan.pdf
>
> é um exercicio trivial usando o teorema que eu provei na minha tese de 
> doutrado establecededno relações entre regras de sequentes e bivalorações, 
> que foi publicado no artigo:
>
> J.-Y.Béziau, “Sequents and bivaluations”, Logique et Analyse, 44 (2001), 
> pp.373-394.
>
> https://www.jyb-logic.org/seqbiv.pdf
>
>
> De fato, JY, a semântica bivalente para a lógica proposta por Avron,
>
> como extensão para a lógica 4-valorada de Dunn-Belnap, é muito fácil
>
> de definir.  Basta acrescentar à semântica bivalente da lógica de De
>
> Morgan (usando a negação como "separador", usado na receita mencionada
>
> na digressão abaixo) as seguintes cláusulas para a implicação:
>
>
> b(\alpha\to\beta) = T  iff  b(\alpha) = F or b(\beta) = T
>
> b(\sim(\alpha\to\beta)) = F  iff  b(\sim\alpha) = T and b(\beta) = F
>
>
> Problema resolvido, então. :-b
>
>
> %%%
>
>
> DIGRESSÃO
>
>
> Vale recordar que hoje conhecemos mecanismos inteiramente automáticos
>
> para fornecer apresentações bivalentes para _qualquer_ lógica
>
> finito-valorada.  Aos interessados:
>
> https://sites.google.com/site/sequiturquodlibet/home/the-suszkian-odyssey
>
> A receita _mais geral_ pode ser encontrada no paper "Bivalent
>
> semantics, generalized compositionality and analytic classic-like
>
> tableaux for finite-valued logics".
>
>
> A dita receita foi aplicada, de fato, a uma extensão da lógica de
>
> Dunn-Belnap (e da "lógica de De Morgan") no paper "The value of the
>
> two values".
>
>
> Ainda, com relação ao problema de encontrar lógicas paraconsistentes
>
> "auto-extensionais", isto é, para as quais podemos demonstrar o
>
> teorema de substitutividade ("replacement"), vale notar que _toda_
>
> lógica modal normal é auto-extensional e pode ser apresentada como uma
>
> lógica paraconsistente.  Vide, em particular, o paper "Nearly every
>
> normal modal logic is paranormal", ou outros papers que publicamos
>
> sobre "negative modalities" (que tratam não apenas do fenômeno da
>
> paraconsistência, mas também da paracompletude).  Há infinitos
>
> soluções para o dito problema, portanto: UMA destas é a lógica Z
>
> estudada por Béziau (ou por Batens, com o nome A), que se trata de uma
>
> reformulação de S5.  Vale notar que a euclidianidade acaba validando
>
> uma forma fraca de explosão: o conjunto de fórmulas
>
> \{\alpha,\neg\alpha\} é de fato insatisfatível sempre que \alpha é ela
>
> própria uma fórmula negada (isto é, da forma \neg\beta, para algum
>
> \beta).
>
>
> A propósito, a lógica de Dunn-Belnap (estendida agora com a dita
>
> implicação) também tem uma semântica modal interessante...
>
>
> Recentemente Coniglio & Carnielli divulgaram nesta lista um paper que
>
> estuda uma extensão _mínima_ da lógica mbC que possui a mencionada
>
> propriedade de auto-extensionalidade.  Vale notar que todas as lógicas
>
> modais normais já mencionadas podem ser vistas como extensões de mbC,
>
> numa linguagem com o operador de consistência interpretado modalmente.
>
> Observo que tal interpretação modal do operador de consistência foi
>
> usada também no estudo de um certo operador de *essencialidade*
>
> (classicamente oposto ao operador de *acidentalidade*), no paper
>
> "Logics of Essence and Accident" (sem negações paraconsistentes).
>
>
> Todos os papers mencionados nesta digressão podem ser encontrados
>
> online a partir da minha página (ou via Google Scholar).
>
>
> %%%
>
>
> Take care,
>
> Joao Marcos
>
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