Vamos lá, só para recapitular, usando de uma linguagem mais acessível:

Paraconsistente significa uma lógica em que a trivialização não é princípio.

Implicação é um geral nome que se dá a vários operadores binários. Um deles é a 
famosa implicação material. Uma maneira de definir implicação material é 
através da disjunção e da negação. A implica B seria o mesmo que não A ou B.

No resumo o Avron diz que entre os operadores que ele consideram estão 
justamente a negação e a disjunção. Então, ele já colocou ali os dois 
operadores a partir dos quais se define a implicação material. Como assim então 
não vai haver implicação?

https://independent.academia.edu/TonyMarmo

> On 29 May 2020, at 18:57, Walter Alexandre Carnielli <[email protected]> 
> wrote:
> 
> Obrigado João!
> Resposta mais rápida, e melhor, do que poderia!
> 
> Abs
> Walter
> 
>> Em sex., 29 de mai. de 2020 às 15:57, Joao Marcos <[email protected]> 
>> escreveu:
>> 
>>> A primeira dúvida que surge é a seguinte: por que na linguagem há disjunção 
>>> e negação, mas não há implicação material?
>> 
>> (A pergunta foi especificamente para o Walter, mas a lista é pública, 
>> logo...)
>> 
>> Do abstract citado:
>> "It is known that no three-valued paraconsistent logic which has an
>> implication can be self-extensional."
>> Avron, A., Béziau, J.-Y.: Self-extensional three-valued paraconsistent
>> logics have no implication. Log. J. IGPL 25, 183–194 (2017)
>> 
>> (Em contraste, no novo paper Avron demonstra que há exatamente uma
>> extensão auto-extensional da lógica 4-valorada de Dunn-Belnap com o
>> acréscimo de uma implicação dedutiva.)
>> 
>> JM
>> 
>>> On Fri, May 29, 2020 at 3:49 PM Antonio Marmo <[email protected]> wrote:
>>> 
>>> Caros Walter e demais amigos estimados,
>>> 
>>> Esse tema que o nosso bom Jean-Yves levantou, no tocante às contribuições 
>>> do autor citado, o Avron, é intrigante e curioso. Num resumo de um artigo 
>>> de 2017, cujo título é “Self-Extensional Three-Valued Paraconsistent 
>>> Logics”, também publicado na LU, ele coloca as coisas assim:
>>> 
>>> “A logic L is called self-extensional if it allows to replace occurrences 
>>> of a formula by occurrences of an L-equivalent one in the context of claims 
>>> about logical consequence and logical validity. It is known that no 
>>> three-valued paraconsistent logic which has an implication can be 
>>> self-extensional. In this paper we show that in contrast, there is exactly 
>>> one self-extensional three-valued paraconsistent logic in the language of 
>>> {¬, ∧, ∨}, for which ∨ is a disjunction, and ∧ is a conjunction.(...)”
>>> ∧
>>> 
>>> A primeira dúvida que surge é a seguinte: por que na linguagem há disjunção 
>>> e negação, mas não há implicação material?
>>> 
>>> Acho que você, Walter, poderia aclarar em breves linhas aclarar esse ponto 
>>> para todos poderem seguir melhor essa discussão. Obrigado.
>>> 
>>> 
>>> https://independent.academia.edu/TonyMarmo
>>> 
>>>> On 29 May 2020, at 12:26, Walter Alexandre Carnielli <[email protected]> 
>>>> wrote:
>>> 
>>> Car@s,
>>> 
>>> contribuindo para a discussão  (Joao, Jean-Yves) gostaria de dar meu  
>>> pitaco:
>>> 
>>> De fato, o paper  "Bivalent semantics, generalized compositionality
>>> and analytic classic-like
>>> tableaux for finite-valued logics" é excelente, e está disponível
>>> para  download no próprio site;
>>> 
>>> Mas  só gostaria de lembrar dois pequenos pontos:
>>> 
>>> 1) Nosso artigo   mais antigo  (com  João, Marcelo, Caleiro) :
>>> 
>>> C. Caleiro, W. Carnielli, M.E. Coniglio, J. MarcosTwo's company: “The
>>> humbug of many logical values”
>>> J.-Y. Béziau (Ed.), Logica Universalis, Birkhäuser Verlag, Basel,
>>> Switzerland (2005), pp. 169-189
>>> 
>>> traz a semente, de forma bastante intuitiva, da questão da
>>> "separabilidade", e ainda mostra o "trade off" entre  dar
>>> uma semântica de dois valores não-vero-funcional e uma de vários
>>> valores plenamente funcional.
>>> Acho que vale a pena chamar  a atenção  para este artigo   aos
>>> leitores mais jovens, ou que queiram  ingressar na questão.
>>> 
>>> 2) Outro ponto é que de fato, como o João menciona, nosso paper
>>> recente (submetido)  contribui bastante para esta discussão.
>>> 
>>> "Logics of Formal Inconsistency enriched with replacement: an
>>> algebraic and modal account ""
>>> (Carnielli, Coniglio, Fuenmayor)
>>> https://www.cle.unicamp.br/eprints/index.php/CLE_e-Prints/article/view/1348/1079
>>> 
>>> 
>>> Abraços,
>>> 
>>> Walter
>>> 
>>>> Em sex., 29 de mai. de 2020 às 11:54, Joao Marcos <[email protected]> 
>>>> escreveu:
>>> 
>>> 
>>> Viva, JY:
>>> 
>>> 
>>> do  Arnon Avron,
>>> 
>>> foi publicado ha pouco na Logica Universalis
>>> 
>>> https://link.springer.com/article/10.1007/s11787-020-00254-1
>>> 
>>> 
>>> Com foi mostrado num artigo anterior
>>> 
>>> não ha logicas paraconsistentes trivalentes  auto-extensionais que tem uma 
>>> implicação:
>>> 
>>> A.Avron and J.-Y.Beziau, “Self-extensional three-valued paraconsistent 
>>> logics have no implication”, Logic Journal of the IGPL, Volume 25, Issue 2 
>>> (April 2017), pp.183-194.
>>> 
>>> https://academic.oup.com/jigpal/article-abstract/25/2/183/2739325/Self-extensional-three-valued-paraconsistent?redirectedFrom=fulltext
>>> 
>>> 
>>> Neste novo  artigo o Arnon mostra que é possivel ter uma logica 
>>> paraconistente quadri-valorada auto-extensional com uma implicação,
>>> 
>>> 
>>> Não apenas isso, vale apontar que Avron mostrou que há uma ÚNICA
>>> 
>>> implicação que serve a este propósito.
>>> 
>>> 
>>> respondendo a uma pergunta que eu tinha feito par ele quando estava em Tel 
>>> Aviv trabalhando com ele em 2016 no ambito  do projeto GeTFun.
>>> 
>>> Acredito que esta nova logica parasonsistente (extensao da lógica de 
>>> Dunn-Belnap) é uma das melhores que foi descoberta até hoje.
>>> 
>>> 
>>> Tenho intenção de publicar um artigo apresentando uma semantica bivalorade 
>>> para esta nova lógica DBA (Dunn-Belnap-Avron), como eu fiz para a logica do 
>>> Dunn-Belnap:
>>> 
>>> J.-Y.Béziau, “Bivalent semantics for De Morgan logic (the uselessness of 
>>> four-valuedness)", in W.A.Carnielli, M.E.Coniglio, I.M.L.D'Ottaviano (eds), 
>>> The many sides of logic, College Publication, London, 2009, pp.391-402.
>>> 
>>> https://www.jyb-logic.org/papers/morgan.pdf
>>> 
>>> é um exercicio trivial usando o teorema que eu provei na minha tese de 
>>> doutrado establecededno relações entre regras de sequentes e bivalorações, 
>>> que foi publicado no artigo:
>>> 
>>> J.-Y.Béziau, “Sequents and bivaluations”, Logique et Analyse, 44 (2001), 
>>> pp.373-394.
>>> 
>>> https://www.jyb-logic.org/seqbiv.pdf
>>> 
>>> 
>>> De fato, JY, a semântica bivalente para a lógica proposta por Avron,
>>> 
>>> como extensão para a lógica 4-valorada de Dunn-Belnap, é muito fácil
>>> 
>>> de definir.  Basta acrescentar à semântica bivalente da lógica de De
>>> 
>>> Morgan (usando a negação como "separador", usado na receita mencionada
>>> 
>>> na digressão abaixo) as seguintes cláusulas para a implicação:
>>> 
>>> 
>>> b(\alpha\to\beta) = T  iff  b(\alpha) = F or b(\beta) = T
>>> 
>>> b(\sim(\alpha\to\beta)) = F  iff  b(\sim\alpha) = T and b(\beta) = F
>>> 
>>> 
>>> Problema resolvido, então. :-b
>>> 
>>> 
>>> %%%
>>> 
>>> 
>>> DIGRESSÃO
>>> 
>>> 
>>> Vale recordar que hoje conhecemos mecanismos inteiramente automáticos
>>> 
>>> para fornecer apresentações bivalentes para _qualquer_ lógica
>>> 
>>> finito-valorada.  Aos interessados:
>>> 
>>> https://sites.google.com/site/sequiturquodlibet/home/the-suszkian-odyssey
>>> 
>>> A receita _mais geral_ pode ser encontrada no paper "Bivalent
>>> 
>>> semantics, generalized compositionality and analytic classic-like
>>> 
>>> tableaux for finite-valued logics".
>>> 
>>> 
>>> A dita receita foi aplicada, de fato, a uma extensão da lógica de
>>> 
>>> Dunn-Belnap (e da "lógica de De Morgan") no paper "The value of the
>>> 
>>> two values".
>>> 
>>> 
>>> Ainda, com relação ao problema de encontrar lógicas paraconsistentes
>>> 
>>> "auto-extensionais", isto é, para as quais podemos demonstrar o
>>> 
>>> teorema de substitutividade ("replacement"), vale notar que _toda_
>>> 
>>> lógica modal normal é auto-extensional e pode ser apresentada como uma
>>> 
>>> lógica paraconsistente.  Vide, em particular, o paper "Nearly every
>>> 
>>> normal modal logic is paranormal", ou outros papers que publicamos
>>> 
>>> sobre "negative modalities" (que tratam não apenas do fenômeno da
>>> 
>>> paraconsistência, mas também da paracompletude).  Há infinitos
>>> 
>>> soluções para o dito problema, portanto: UMA destas é a lógica Z
>>> 
>>> estudada por Béziau (ou por Batens, com o nome A), que se trata de uma
>>> 
>>> reformulação de S5.  Vale notar que a euclidianidade acaba validando
>>> 
>>> uma forma fraca de explosão: o conjunto de fórmulas
>>> 
>>> \{\alpha,\neg\alpha\} é de fato insatisfatível sempre que \alpha é ela
>>> 
>>> própria uma fórmula negada (isto é, da forma \neg\beta, para algum
>>> 
>>> \beta).
>>> 
>>> 
>>> A propósito, a lógica de Dunn-Belnap (estendida agora com a dita
>>> 
>>> implicação) também tem uma semântica modal interessante...
>>> 
>>> 
>>> Recentemente Coniglio & Carnielli divulgaram nesta lista um paper que
>>> 
>>> estuda uma extensão _mínima_ da lógica mbC que possui a mencionada
>>> 
>>> propriedade de auto-extensionalidade.  Vale notar que todas as lógicas
>>> 
>>> modais normais já mencionadas podem ser vistas como extensões de mbC,
>>> 
>>> numa linguagem com o operador de consistência interpretado modalmente.
>>> 
>>> Observo que tal interpretação modal do operador de consistência foi
>>> 
>>> usada também no estudo de um certo operador de *essencialidade*
>>> 
>>> (classicamente oposto ao operador de *acidentalidade*), no paper
>>> 
>>> "Logics of Essence and Accident" (sem negações paraconsistentes).
>>> 
>>> 
>>> Todos os papers mencionados nesta digressão podem ser encontrados
>>> 
>>> online a partir da minha página (ou via Google Scholar).
>>> 
>>> 
>>> %%%
>>> 
>>> 
>>> Take care,
>>> 
>>> Joao Marcos
>>> 
>>> 
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>>> 
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