Olá Marcelo, olá Carol!
Fico muito feliz que vocês tenham curtido as idéias que eu trouxe.

Estou meio sem tempo para falar muita coisa mais agora, mas teremos uma reunião do pessoal da Sucateca/Brincadeira de Fazer daqui de BSB agora no início da semana e eu reporto depois para vocês o que rolou por lá.

Vou dialogar com o email do Marcelo, para enriquecer nossa conversa...


duende, que maravilha isto, hein!!.

Poisé... eu acho essa história toda (metarec+brincadeira_de_fazer+festejos_ludicos) um grande tesão! :)

vamos remixar
dentro do foco que buscamos que é a passagem do lúdico
à techné-logia.

Esta é a idéia. :)
Eu estava "entregando matéria prima" para a reciclagem técnica, metodológica e filosófica de todos nós :)

Dentro destas construções de sentido temos uma
máquina infernal que formata a cabecinha das crianças
o tempo todo: a escola.

Sem dúvida!
 

Neste ponto a Lumiar resolveu
descontruí-la para que novos sentidos apareçam na
relação que se estabele criança<->saber<->mestre.

Isto se faz necessário, sem dúvida alguma. Desconstruir a escola, com sua rigidez, sua competição, suas notas (eu estava lendo hoje mesmo o trecho de "Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas que versa sobre a experiência de Fedro em retirar as notas do ciclo de ensino...), é o primeiro passo para a construção de um espaço de integração e verdadeiro aprendizado...
Não vou me alongar muito nisso, mas sabemos todos do que estamos falando, né? :)


Neste processo o mestre desaprende seu conhecimento e
a criança transborda sua criatividade e seu potencial;
se a força criadora fosse um rio, os saberes
apareceriam nas confluências.

Sim...
 

Vou botar uma colherzinha de pau pelos tópicos,
abrindo mais um pouco:

Esta é a idéia.
Ao ler suas colocações percebi que eu poderia tê-los escrito melhor, mas que bom que vcs pegaram a idéia :)
 

1 - Ouvir Histórias (brincadeira de colecionar
histórias): aqui além da partilha de vivências penso
que caiba algum tipo de sensibilização, estimulação
por algum material lúdico-visual-táctil compartilhado.

Sim... esta é uma das coisas que eu havia pensado também, mas no fim acabei não deixando claro. Mas acho que  sobretudo é interessante que tenhamos concordado neste ponto sem que eu sequer tenha citado ele :)

Mostrar algo para  aqueles que ficam mais quietinhos,
provocar o envolvimento. O facilitador não deve ter
este nome à toa...

Sim... existe algo de xamã/falador/agitador na figura do facilitador. Tem que ser um verdadeiro "palhaço divino" (um termo interessante para designar um xamã que se relaciona com o mundo através do humor).


2 - Tecer Histórias (brincadeira de fazer
histórias): todos os participantes se juntam!? (mas,
els já não estavam juntos? nuentendi ...).

Falha minha. Por conta da figura de linguagem acabei faltando com a clareza. Sim, eles já estão todos juntos... o que acontece é que naquele momento se concentram em tecer histórias, e não em apenas  relatar histórias pré tecidas. Como eu disse as 3 fases são assim distintas apenas para fins de compreensão do método, pois acontecem de forma bastante fluida e concomitante. Só as separo para que se entenda que são 3 eixos que se articulam na ação...

A
possibilidade de linkar histórias é riquíssima...

Eu tb acho que isso é parte do tesão da coisa. Libertar a criatividade, e não só uma criatividade isolada, desconectada, mas a criatividade coletiva, sinérgica, agregante...

entrecruzar sentidos em um mosaico, tecer uma trama de
resignificações unirá o grupo para que na próxima
etapa o contruir junto_com aconteça.

Sim... aí que entra novamente a coisa do mito como contrução coletiva de sentidos que agrega pessoas.... :)
Eu não tava citando Campbell só para ficar bem na fita :)
 

3 - Transformar Coisas (brincadeira de fazer
coisas): aqui a techné é para ser exercitada, matéria
manipulada e reconstruída, mutação mesmo.

Sim!
 

Eu vejo o
que contruo, sou esta circunstância da minha própria
imaginação.

Como diz (mais ou menos) Robert Pirsig em seu "Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas": Muitas pessoas não entendem manuais, pois os manuais não ensinam a realizar coisas ou resolver problemas. Manuais são apenas mapas que mostram um caminho pelo qual se pode resolvar aquele problema. Por outro lado a relação entre o indivíduo e o material é muito mais ampla. O indivíduo dotado de uma certa intimidade com os materiais e métodos, quando frente à frente com o material, não segue instruções mas tece uma relação entre sua mente e o material. Nesta relação a mente é moldada pelas possibilidades do material, e nele opera modificações que por sua vez irão modificar a própria mente, adaptando-se mutuamente no processo de trabalho com o material...
Ok, ficou meio confuso pois ao mesmo tempo eu tentava lembrar das palavras e tornar minha lembrança delas uma coisa inteligível...

Vale a intenção, né? :)


Esta etapa ainda considero, dentro do foco
previsto, uma infra-cognitiva; já que se trata de
resgatar algo que estava oculto, embaçado pelo
bombardeio midiático cotidiano.

Sim!
Exatamente!
O fazer/transformar coisas é um poder tão esquecido quanto o de fazer/transformar ideias. :)


Órvio(sic) que cabe muito mais detalhes no texto.
Dalton, Elly, Felipe, tantos outros; botem lenha nesta
fogueira. As brasinhas estão brilhando (hehe) e
estrilando.

É isso aí! :)
O texto tá lá no  wikki para ser reaproveitado/reciclado.

Logo a Carol_Lumiar entra na dança também ;-))

Seja bem vinda à dança, Carol! :)

cont.
marcbraz

Abraços do Duende!

--- Daniel Duende Carvalho <[EMAIL PROTECTED] >
escreveu:

> Ok, vou resumir (mais ou menos) a coisa por aqui e
> depois formato mais
> bonitinho e jogo no Wikki. Estou com pouco tempo e
> há muito a se dizer,
> então não me cobrem um texto lá muito bem escrito...
>
> Primeiro, à guisa de justificativa:
> Tem um cara chamado Joseph Campbell (ele já morreu,
> mas tá bem vivo no que
> escreveu) que dizia que o mito é para um povo aquilo
> que o sonho é para uma
> pessoa. Mito é aquilo que você pensa e sente sobre o
> mundo que te cerca, a
> história que você constrói com fatos e crenças (e
> também, por que não,
> poesia?) para fazer o seu mundo fazer sentido. Houve
> um tempo em que as
> pessoas se reuniam à volta dos mitos que haviam sido
> criados entre elas
> mesmas, colaborativamente, e viviam suas vidas em
> contato direto com isso,
> cada acontecimento enriquecendo o corpo mítico que
> as agregava. Quando
> surgiram os primeiros governantes, foi com a força
> que os mitos investiam
> neles e com o conhecimento para moldar o pensamento
> mítico de seu povo que
> eles governaram. Isso nunca mudou. Até hoje somos
> movidos, direcionados e
> nos localizamos em nosso mundo a partir de crenças,
> idéias, conhecimentos,
> tecnologias... cultura.... e tudo isso é o construto
> do pensamento mítico de
> um povo.
>
> As crianças são mitologistas naturais. Estão a todo
> momento descobrindo o
> mundo e tentando elaborar um sentido para aquilo que
> descobrem. São também
> constantemente bombardeados com os construtos de
> sentido elaborados pelas
> pessoas à sua volta, sua família, as pessoas de seu
> convivio, a televisão...
> o que for. Ao mesmo tempo em que tentam arranjar
> sentido para seu mundo,
> elas recebem o tempo todo elaborações e idéias já
> prontas, muitas vezes
> contrárias àquelas que elaboraram, e quase sempre
> acabam por ser vencidas
> por elas. É neste momento que é massacrada a
> criatividade, a capacidade de
> elaboração de sentido próprio e uma parte da
> individualidade da criança.
> Somos ensinados a obedecer e acreditar no que nos
> dizem, e a acreditar que
> aquilo que vem de fora é sempre melhor e maior do
> que aquilo que sentimos a
> respeito de nosso mundo. Este é o início da
> dominação cultural e mítica que
> nos submete e nos impede de questionar realmente o
> nosso mundo.
>
> O trabalho da Sucateca/Brincadeira de Fazer visa ser
> uma força contrária a
> esta mó (mó é uma roda de moer grãos, n. do d.) da
> imaginação, chamando seus
> participantes a ouvir e contar histórias de um modo
> despreocupado e livre,
> mas não sem importância. A iniciativa é dividida em
> 3 eixos que se articulam
> constantemente:
>
> 1 - Ouvir Histórias (brincadeira de colecionar
> histórias): todos os
> participantes, e não apenas os facilitadores, trazem
> histórias de fora do
> grupo e partilham ela com o grupo. Podem ser relatos
> de segunda mão sobre
> algo que aconteceu na vizinhança, fábulas, histórias
> vistas em filmes,
> histórias, lendas... a variedade é importante, assim
> como a ênfase em contar
> histórias que avivem a criatividade de todos que
> fazem parte da brincadeira.
>
> 2 - Tecer Histórias (brincadeira de fazer
> histórias): todos os participantes
> se juntam e contam histórias, criam histórias a
> partir de suas vivências ou
> simplesmente de sua imaginação, e são convidados a
> participar da criação de
> histórias um do outro. O papel dos facilitadores
> (que também criam histórias
> neste eixo do processo) é estimular a agregação dos
> universos sensíveis
> tecidos pelos participantes tendo o cuidado de não
> limitar ou agredir a
> criação, estimulando ao mesmo tempo a criatividade e
> a integração (e
> colaboração) entre os criativos.
>
> 3 - Transformar Coisas (brincadeira de fazer
> coisas): Estimulados pelas
> histórias que ouviram e contaram, os participantes
> são chamados a criar
> alguma coisa a partir dos materiais (sucata /
> rejeitos / coisas não mais
> úteis na visão da maioria das pessoas) que estão
> disponíveis. Podem ser
> desenhos, pinturas, brinquedos, adereços... qualquer
> coisa que venha como
> uma continuação da história contada, uma
> materialização da imaginação dos
> criativos.
>
> Com estas atividades se busca não só mostrar aos
> participantes que a
> criatividade deles é importante (e poderosa) como
> também que eles tem poder
> criador verdadeiro. É um movimento de se libertar do
> que "vem de cima ou de
> fora" e se conectar com aquilo que você pode criar,
> revalorizando a sua
> criação low-tech e simples como elemento precioso e
> criador de identidade.
>
> Dentro das oficinas os participantes tem a
> oportunidade de expressar
> simbólicamente suas experiências de viver e conectar
> estes elementos
> simbólicos com aqueles produzidos por outros
> participantes. Dentro desta
> dinâmica de criação de histórias (que é a essência
> da mitogênese = criação
> de mitos) estimula o tipo poderoso de imaginação
> realizadora que nos é
> roubado pelo ambiente ácido e empobrecido de nosso
> convívio urbano atual.
>
> Bem... isso tá longe de ser um texto definitivo (e
> qual é o texto que é
> definitivo) mas já dá alguma idéia a respeito do que
> alguns de nós estão
> pensando quando falamos da Brincadeira de Fazer.
>
>
> Aceito, claro, todo o tipo de sugestão, crítica ou
> colocação, e chamos todos
> vocês a participarem da conversa. Aos interessados
> convido também a se
> juntarem a nós no grupo de discussão que foi criado
> para discutir a sucateca
> (eu passo o endereço mais pra frente).
>
>
> Abraços do Duende.
>
> p.s. eu disse que a explicação não era simples....
> vou jogar o texto desse
> jeito lá no Wikki e depois eu dou mais uma mexida
> nele.
>
> On 9/1/05, Felipe Fonseca < [EMAIL PROTECTED]>
> wrote:
> >
> > Então explica em mais de um email e no wiki....
> >
> >
>
http://xango.metareciclagem.org/wiki/index.php/MetaMitos
> >
> > gf
> >
> > Em 01/09/05, Daniel Duende
> Carvalho<[EMAIL PROTECTED] > escreveu:
> > > Eu achei a oportunidade que foi criada por vocês
> MUITO INTERESSANTE.
> > >
> > > Estamos começando umas conversas por aqui a
> respeito de uma reconstrução
> > da
> > > capacidade mitogenética infantil (de construção
> de mitos /
> > resignificação de
> > > objetos e situaçoes) através da reciclagem de
> rejeitos (lixo/sucata).
> > Nosso
> > > projeto visa fazer oficinas de ressensibilização
> + oficinas de criação
> > > emergente e colaborativa de histórias +
> atividades com sucata
> > > contextualizadas pelas histórias (alguém me
> xinga se eu usar a palavra
> > > metamitos?). Não é algo que se possa explicar
> direito assim, em um
> > email, e
> > > ainda estamos começando a pirar e elaborar a
> coisa, mas acho que em
> > algum
> > > ponto nossas conversas e as conversas de vocês
> podem se encontrar.
> > >
>
=== message truncated ===>
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