Se é para morder ...lá vai:

este termo reapropriação já me deixou ensimesmado
também nesta questão da posse, propriedade, de toaml
algo para si.

ok, podemos pensar como ocupação de um espaço, invasão
pirata, remix e etc. mas...mas... e a autonomia como
se coloca aih? quem ocupa pode carregar a cultura do
colonizador, ávido por reproduzir a sua lógica, não?

O Romano no submidialogia disse algo que me marcou
bastante. Quando questionou um menino da favela porque
ele, Romano, era visto como playboy pelo garoto,
apesar de se vestir e usar materiais simples. E o
menino respondeu: pelo jeito que você fala!

taih a questão: como ocupar sem impor uma lógica
pré-concebida? 

então proponho um outro termo não-excludente:
reassimilação, no sentido de transformar convertendo
em sua própria substância. Indicaria então
reincorporação, como criação de um corpo autônomo.
Mastigar(interpretar), deglutir(adaptar) e cuspir
(reinventar). 

ou não?

no caso das tecnologias (que são muitas e não só
técnicas para se re-montar computadores) penso que a
função prática da coisa também pode estar ligada a
questão da auto-sustentabilidade. mas sem deixar de
lado a questão conceitual sobre o que são ferramentas,
instrumentos, técnicas e tecnologia, repensando
constantemente a prática.

 dizendo de outro modo, conceitos são pedras e o modo
artesão de modificá-los permite criar beleza a partir
da matéria bruta. como flores azuis nascendo do chão
árido, sem ninguém tê-las plantado. pura magia
xamanística.

no real: nem tanto ao sonho, nem tanto à dura
concretude.

agora, quanto ao cheiro no cangote... não vou nem
comentar (rsrsrsrs).

m.braz

--- Dalton Martins <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

> 
>  palm, 
>  
>  que email bacana, hein!
>  gostei. valeu muito a provocação que te fiz antes
> da palestra...
>  
>  bom, aqui vão meus 2 cents....
> 
>  penso, como eu estava falando na conferência, que
> apropriação
> tecnológica tem 3 níveis de possibilidade:
>  1. reinterpretação de uma dada tecnologia;
>  2. adaptação de uma dada tecnologia;
>  3. reinvenção de uma dada tecnologia.
> 
>  no metareciclagem, ao meu ver, fazemos as 3 coisas
> em níveis
> completamente caórdicos e interessantes do ponto de
> vista tecnológico,
> social e estético. vejamos exemplos mais práticos do
> que estou falando.
> 
>  nível 1: pegamos nosso amigo Glauco, que ao pintar
> computadores,
> reinterpreta a tecnologia dos computadores a partir
> de uma dimensão
> estética própria. essa reinterpretação ainda foi
> tacanha em relação ao
> que veio depois, com a criação de um VideoWall ou
> mesmo os Dom Quixote
> da mostra de artes do SEsc. Aquilo tudo foi
> reinterpretar a tecnologia
> de uma forma mais ampla, criando condições
> arquiteturais (sim, isso é
> uma provocação direta e reta) para repensar a
> disposição espacial de
> computadores, mas ainda realizando funções de
> computadores para aquilo
> que foram projetados (com algumas exceções que
> explicarei no nível 2).
> Buenas, a questão é que se pode ir além. Pq. o
> Glauco reinterpretou? Pq
> era um nível, num primeiro momento, de aproximação
> da tecnologia,
> evidenciando o conhecimento ainda parco de um
> artista plástico a
> respeito do universo de 0s e 1s.
> 
>  nível 2: num segundo momento, os técnicos percebem
> que podem ir além
> de seus limites conceituais, onde ficam apenas
> trocando peças e
> configurando softwares para funcionarem em acentos
> ABNT2. nesso ponto,
> acontece a mutação de um simples técnico para um
> metarecicleiro. é
> quando ele se percebe extrapolando os limites de sua
> tecnologia e
> quando vem em sua mente a primeira adaptação
> tecnológica para a
> resolução de um problema específico de seu
> interesse. Boom!!! Sim,
> estamos aqui invadindo a psiquê de um técnico na
> fronteira entre a
> economia de escala e o artesanato das redes. O
> técnico olha para o
> nível 1, percebe os limites do artista de
> manipulação de sua própria
> criação. Então, ele decide adaptar a tecnologia, ele
> decide que pode
> customizar aquele PC Pentium 200MHz, para rodar 4
> placas de vídeo e
> virar um vídeo Wall. O artista entorta os postes de
> ferro e constroe-se
> um vídeoWall. Constroem um Dom Quixote a partir da
> mesma tecnologia.
> Eles adaptaram.
> 
>  nível 3: reinventar é recriar a partir de uma
> tecnologia existente. é
> o que está sendo feito no caso da construção do robô
> de um floppy.
> certamente, o engenheiro que projetou um floppy,
> jamais pensou que ele
> poderia ser usado para a criação de um carrinho.
> sim, mas a mente
> humana reinterpreta, adapta e, no limite, recria.
> instrumentos musicais
> feitos de cuba de monitores de vídeo, motores de
> impressora nivelando
> tonalidades e modulando nossos ouvidos vibracionais
> simplificando sons
> e tecnologias. os metarecicleiros invadem
> tecnologias exponencialmente,
> revelando seus limites cognitivos em redes
> semânticas.
> 
>  apropriação tecnológica é, sim, se apropriar do
> conhecimento.
>  é transformar esse conhecimento através de conexões
> mentais.
>  esse é um dos motivos pelos quais estou aqui.
>  o outro, certamente é dar um cheiro no cangote do
> Feju toda segunda de
>  manhã.
> 
>  deixa eu ir, que o B-45 tá saindo e já estou
> atrasado...
> 
> abs,
> dalton
> 
> 
> 
--- ricardo palmieri <[EMAIL PROTECTED]>
escreveu:

> ola a [EMAIL PROTECTED]
> 
> estou escrevendo daqui de campinas, no
submidialogia.
> a razao deste mail eh bem simples: ontem, antes do
papo sobre o meta
> aqui no
> evento, meu querido dalton chegou ate a mim, junto
com a bia, e fez
> uma
> perguntinha um tanto quanto batuta: o que, para mim,
significava o
> termo
> "apropriacao tecnologica"?
> 
> na hora, a resposta obvia: tomar algo para si, e
refaze-lo do seu
> jeito.
> e a resposta de dalton: entao, se eu roubar uma
camera de video de
> alguem, e
> produzir com ela, eh fazer esta tal apropriacao tb?
> 
> e a obviedade da minha resposta e a avidez do rapaz
dalton, acabou
> por
> ativar um cantinho do meu cerebro q nao estava muito
ativo. me fez
> pensar
> durante a palestra toda e escrever alguns devaneios
sobre as palavras
> "apropriacao" e "tecnologica"
> 
> segue abaixo o q escrevi na palestra. vou tentar
explicar um pouco
> este
> monte de pensamento fragmentado, mas a principal
razao de mandar isto
> para a
> lista, eh poder entender melhor algumas palavras
chaves q estamos
> usando, e
> saber se realmente eh isso q estamos fazendo. e
gostari muito q vcs
> me
> ajudassem a entender tudo isso.
> 
> x-----------------x inicio
> 
> apropriacoes
> 
> proprias acoes
> 
> apropriar no sentido de tornar proprio, tomar,
apoderar, tornar-se
> proprietario.
> tomar o q? de quem? para que?
> se eu me aproprio, me aproprio de algo, q pode ser
de alguem. um
> alguem
> coletivo (?)
> 
> tomar um bem permanente - tornar um bem permanente
> tomar um bem instavel - tornar um bem instavel
> tomar um bem impermanente - tornar um bem
impermanente
> 
> 
> reapropriacao: tornar-se proprio novamente.
re-tornar-se
> proprietario. (?)
> 
> 
> 
> 
> tecnologias
> 
> modos de fazer.
> formas do fazer.
> techne.
> 
> reapropriacao de materiais - apoderamento de
materiais permanentes
> (funcao
> pratica e nao conceitual), utilizando um processo de
reflexao,
> re-invencao
> de novos usos para esta permanencia. mas estes
materiais foram
> contruidos a
> partir de conhecimentos de processos que podemos
aprender.
> 
> reapropriacao de fazeres - apoderamento do techne,
utilizando
> processos de
> reflexao, re-invencao e experimentacao para gerar
novos processos
> 
> 
> vejo tb um caminho/estrutura do processo de
pensamento nas acoes do
> meta.
> gostaria de saber de vcs ate onde ele acontece, ou
onde a ordem dos
> tratores
> podem modificar o viaduto.
> 
> desejar algo - aprender o processo de confeccao -
diagnosticar
> alternativas
> viaveis - captar a infra necessaria para execucao -
executar
> 
> 
> bem, eh isso. sao meus devaneios imersivos,
esperando ansiosamente
> por
> respostas!!!
> 
> abracao proceis.
> 
> 
> p!
> 
> --
> ricardo palmieri
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