Carol,

que bom ter respondido com sua experiência,
querida. Vlw mesmo! Citei o mosaico pois estamos
falando de registros de aprendizagem e percursos
no metareciclagem e ele é uma ótima referência
para uma escola livre.

Aproveito para colar um texto da Fundação Semco
que fala sobre o mosaico. Retirado do link:
http://www.fundacaosemco.org.br/lumiar/mellos.asp

mbraz

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Mosaico

O Mosaico é a tecnologia intelectual que
possibilita a gestão democrática do conhecimento
e a reflexão crítica sobre seus processos de
construção.

O Mosaico é uma tecnologia para a gestão do
conhecimento nos estabelecimentos de ensino, que
pode ser utilizada por coletividades locais e
outras associações. Este instrumento faz
reconhecer a diversidade de saberes, mesmo
aqueles que não são validados por sistemas
acadêmicos. O Mosaico disponibiliza para a
comunidade escolar uma multiplicidade organizada
de saberes, consultável por meio do Banco de
Mestres.

Construindo-se com base nas descrições que os
Mestres - pessoas com particular interesse,
cuidado e paixão por certo estudo, que se dedicam
a um ramo de atividades, que têm habilidade ou
prática especial em determinado assunto - fazem
de suas habilidades e competências, o Mosaico
disponibiliza para a comunidade escolar uma
multiplicidade organizada de saberes. Assim,
ficam disponíveis no Banco de Mestres tanto as
aptidões comportamentais (saber ser) como as
habilidades (savoir-faire, know-how) e os
conhecimentos teóricos.

Caminhar pelo Mosaico significa desenhar um
percurso em uma rede, um percurso único, porque
cada pedra pode conter um Mosaico inteiro. A
interação dos estudantes com as peças do Mosaico
produz uma construção dinâmica de saberes que não
resulta de uma classificação a priori: ela é a
expressão dos percursos de aprendizagem e de
experiência dos membros da coletividade. Cada
estudante constrói o seu Mosaico e o Mosaico da
coletividade escolar cresce e se transforma na
medida da evolução dos saberes de cada estudante
e dos projetos por ele realizados.

Na forma do Mosaico tridimensional, os estudantes
podem passar de uma pedra para a que está a seu
lado, explorando os saberes de base, ou podem ir
de uma pedra para aquela que lhe está
imediatamente abaixo, experimentando saberes mais
especializados. Mas a organização dos saberes
expressa pelo Mosaico não é fixa, ela reflete a
experiência coletiva de um grupo humano e vai,
portanto, evoluir com esta experiência. O
dispositivo de construção dinâmica e de percurso
que ele propõe produz um espaço de saber em
reorganização permanente segundo contextos e
usos.

A representação em Mosaico permite determinar a
posição ocupada por um saber em um dado momento e
os itinerários de aprendizagem possíveis para se
ter acesso a ele. O Mosaico permite ao estudante
perceber sua situação no "espaço do saber" e
elaborar, com conhecimento de causa, suas
estratégias de aprendizagem.

Trata-se, portanto, de um instrumento a serviço
do laço social para troca de saberes e emprego de
competências, que coloca em funcionamento uma
pedagogia cooperativa. O Mosaico oferece
instrumentos de determinação e mobilização das
habilidades.
--- Carol Sumie <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

> Bom,
> 
> estou acompanhando a discussão illichiana e vcs
> imaginem qual não foi a
> dúvida de relamente levar a cabo a idéia de
> fazer uma escola depois de ler
> Sociedade sem escolas!
> Mas, estamos aí. A aposta é fazer uma escola
> que esteja longe da definição
> de escolarizar as cças e a sociedade. Vou
> copiar aqui um email que respondi
> para o ff sobre a nossa organização de mestres
> e educadores e o mosaico:
> 
> "É um história um pouco longa...
> A idéia que estamos experimentando na prática é
> a de que o professor é
> sobrecarregado de duas funções importantes:
> estar atento e intervir nas
> questões sociais das crianças, nas suas
> conquistas, desafios, problemas,
> saber o que é importante e interesasnte para
> cada criança e trabalhar,
> orientar estes aspectos, ALÈM  DE ensinar,
> nutrir de conhecimento, orientar
> para o aprendizado de mundo, ou seja, cumprir o
> currículo até o fim do ano.
> Por essa pressão de cumprir o currículo ou
> terminar o livro didático ser
> mais presente nas escolas a primeira função
> importante fica de  lado, por
> isso, dividiu-se o proferssor em duas figuras
> na Lumiar: o educador e o
> mestre. O educador é esse orientador social
> presente todos os dias que gere
> descobertas, conflitos, ouve, fala, aconselha,
> e trabalha com a pedagogia do
> exemplo, principalmente, aconselha...e não muda
> a cada ano, pois não nos
> organizamos em séries, mas em ciclos: Infantil
> (2 a 6), Fundamental 1 (7 a
> 10) e Fundamental 2 (poe enquanto 11 e 12 anos,
> ano que vem até os 14). Que
> também não ficam restritos a espaço delimeitado
> e também interagem com os
> outros ciclos pela casa toda.
> 
> Os mestres são pessoas apaixonadas pelo que
> fazem e vêm compartilhar isso
> com as crianças. Ele vem uma ou duas vezes por
> semana para fazer um projeto
> com as crianças que querem, que têm interesse
> pelo assunto. E oferecem
> diferentes projetos para os diferentes ciclos
> que mencionei acima.
> 
> Isso antes da prática....
> 
> Hoje há muitas questões sobre o papel de cada
> uma dessas "partes" do
> professor desmebrado.
> Primeiro que até agora os projetos de mestre só
> desenvolveram bem depois de
> muito tempo que o mestre está na escola pois é
> necessário um vínculo, que
> leva tempo para ser criado. Segundo que eles
> têm uma tarefa de esclarecer ás
> crianças o que elas estão aprendendo com o
> projeto, ser também um orientador
> de itinerário, como o educador, num processo de
> avaliação e auto-avaliação.
> 
> As crianças mais velhas tem necessidade de
> saber o que elas estão aprendendo
> e saber dizer aos amigos que estão na sétima
> série que eles também sabem
> Biologia, Matemática, português, etc... pois na
> ausência de um livro
> didático ou uma apostila, elas precisam de
> outras referências. o Mosaico é
> uma delas e falarei daqui a pouco. O educador é
> outra, e nós temos o Plano
> de Estudos uma vez por semana, reunião do
> educador com seu educando para
> planejar as atividades e discutir os relatórios
> de avaliação a cada
> trimestre.
> 
> Outra coisa é que os educadores também
> começaram a dar projetos porque as
> cças pediram, então os papéis começaram a se
> misturar.
> 
> OUtra coisa importante é que alguns mestres já
> desistiram dos projetos
> porque não conseguiam o comprometimento das
> crianças com o projeto, elas
> participavam, depois desistiam e não davam
> satisfação.
> 
> Frustrante. começamos a criar ferramentas de
> comprometimento, votação dos
> projetos no final dos
> trimestres, possibilidade de estabelecer a
> quantidade de faltas toleráveis
> por projeto junto com as cças. OUtros mestres
> desistiram de trabalhar porque
> fazem um trabalhão e ganham muito pouco, doze
> reais a hora e vêm uma ou duas
> vezes por semana durante duas horas cada dia.
> 
> Como escolhemos os projetos:
> precisa de um equilíbrio entre as áreas do
> conhecimento
> oferecemos alguns, outros as crianças pedem,
> sob a condição de
> comprometimento e "reputação" - pra utilizar um
> termo que vcs usam - ou
> seja, só se ela já começou e terminou um
> projeto ela pode pedir outro. E
> pela quantidade de pedidos: se só uma pessoa
> pede dança flamenca não tem
> condições.
> 
> Quanto tempo o projeto dura:
> até este ano cada projeto durava 1 trimestre e
> depois avaliamos se continua
> ou não a partir da votação das crianças. As
> perguntas da votação são as
> seguintes:
> 
> 1 - vc participa deste projeto?
> 2- Gostaria que continuasse?
> 3 - Gostaria que mudasse de período/horário?
> 4 - Se continuar ou mudar de período vc se
> compromete a participar?
> 5- há outros projetos que você gostaria que
> fossem realizados na escola?
> Quais? (você poderá sugerir o número de
> projetos igual ao do total de
> projetos que vc realizou neste trimestre)
> 
> Depois de todos votarem montamos o horário do
> próximo trimestre. Se for
> preciso um projeto novo recorremos ao Banco de
> Mestres.
> 
> outra coisa que aconteceu com os mestre é que
> eles sentiram a necessidade de
> fazer o curso de formação de educadores para
> entender melhor o que estamos
> fazendo na Lumiar. Não há pré-requisito para
> ser mestre, apenas querer
> compartilhar o conhecimento, mas não é tão
> simples assim e hj a maioria dos
> mestres já participou pelo menos um vez do
> curso de formação.
> 
> A discussão do que é mais importante para a
> Lumiar se a relação, o
> desenvolvimento social e a liberdade ou a
> preocupação com o conhecimento e
> sua síntese e avaliação às vezes vêm à tona.
> Pra mim há um equilíbrio. O
> conhecimento também é libertador e para uma
> criança escolher os projetos que
> ela vai fazer ela precisa estar muito
> conscinente de si e ter uma
> auto-regulação e auto-disciplina que eu não
> tenho. São aprendizados
> concomitantes e cada um tem seu tempo
> respeitado.
> 
> Anexo os Mosaicos para vcs terem uma idéia do
> que é isso. Completos eles são
> muito mais interessantes. E ficam nas pastas
> das crianças.
> 
> 
> Abs, Carol
> 
> 
> ----- Original Message ----- 
> From: "Dalton Martins" <[EMAIL PROTECTED]>
> To: "Lista do projeto MetaReciclagem"
> <[email protected]>
> Sent: Thursday, November 03, 2005 9:47 AM
> Subject: Re: [MetaReciclagem] Ivan Illich, Rede
> de Educadores, et al
> 
> 
> > poxa, marcelo, me parece interessante essa
> coisa de mosaico.
> > cepode falar mais a respeito?
> >
> > abs,
> > dalton
> >
> > --- Marcelo Braz <[EMAIL PROTECTED]>
> escreveu:
> >
> 
=== message truncated ===



        



        
                
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