Que come cérebro é essa mania de acreditar em tempo cronológico. Crença que ajuda bem, aos Levys, Maffesolis e Castells da vida, a parecerem dizer algo de novo quando não passam de novidadeiros a serviço da ideologia do progresso (da apropriação privada da riqueza).

Quem não quer saber da modernidade líquida, bem merece acabar diluído e diluindo por aí...

Que arrogância de um teórico da mídia que dá-se o luxo de ignorar pensadores como Z. Bauman (leiam, curtinho e poderoso: "Comunidade: a busa por segurança no mundo atual"... percam alguns deslumbres com as "comunidades virtuais" e ganhem mais fé na autonomia).

Quem quiser ler a boa argumentação sobre as relações entre máqunas e estilos de pensamento, que pule o picareta do Levy e procure os bons arguentaos nas fontes dele e nos teóricos que ele maliciosamente omite: Jack Goody, Doug Engelbart, Vannevar Bush, Otto Wiener, Claude Levy-Strauss, Anne-Marie Christin, Charles Sanders Peirce, Walter Benjamin, Villén Flusser e mesmo o McLuhan.


Quem se  ilumina, escapa à roda do tempo.




Rafael Evangelista escreveu:
xiii, esse negócio de soft livre é coisa do séc. passado. morreu e agora é só um zumbi comendo cérebro :)

eiabel lelex escreveu:
é... tem gosto prá tudo... já dizia a velha que comia ranho... eu, por exemplo, não gosto dum monte de coisa que escrevem nesse seculo atual...chegando a preferir mais os registros escritos em seculos do passado, até prá continuar aceitando o que escrevem como sendo novidade... e acho que ainda não entendi bem o software livre... sua filosofia até mesmo sua evangelição são compreensíveis, sedutoras, mas na prática, parece apenas uma escolha de software, somente. besos
lelex

Em 12/08/07, *Felipe Fonseca* <[EMAIL PROTECTED] <mailto:[EMAIL PROTECTED]>> escreveu:

    Que nao concorde Zigmunt com Bauman foi legal,
    mas acho que sem querer.

    Esse tio aí é do século passado, né?

    Nem entendeu o software livre, ainda. Pena,
    eu gostei de umas coisas que ele escreveu.
    No milênio passado.

    efe

    On 8/12/07, *eiabel lelex* < [EMAIL PROTECTED]
    <mailto:[EMAIL PROTECTED]>> wrote:

        **O profeta da cibercultura**
        Entrevista: Pierre Lévy, sociólogo
        GABRIEL BRUST

Mais de uma década depois da publicação de O que É o Virtual?
        (1996), um de seus livros mais famosos, o sociólogo Pierre
        Lévy ainda surfa na ondas de sua produção sobre cibercultura.
        Isso porque, para ele, nada mudou tanto assim desde então. O
        que vivemos hoje seria apenas a apropriação social das
        ferramentas que já existiam, nas quais Lévy - próximo
        conferencista do ciclo Fronteiras do Pensamento, promovido
        pela Copesul Cultural - foi um dos primeiros a identificar um
        gigantesco potencial, em uma época em que poucos sabiam dizer
        para que servia a Internet. A ousadia que marcou seus
        primeiros livros, no entanto, permanece. Diante do imenso
        barulho causado pelo que se está chamando de "a nova fase da
        Internet", a Web 2.0 - mais colaborativa, diferente dos anos
        iniciais, de mera contemplação - , Lévy é taxativo:

        - Não há nenhuma diferença entre a web 1 e a web 2.0, exceto
        que agora há mais gente que pode participar da web.

        Tendo como gênese os conceitos do canadense Marshall McLuhan,
        que cunhou expressões como "aldeia global" nos longínquos anos
        60, Lévy se tornou um dos pensadores mais representativos da
        revolução digital no mundo contemporâneo. Nascido na Tunísia,
        formou-se em Sociologia e Ciência da Informação e da
        Comunicação na Sorbonne, em Paris, e atualmente é professor
        titular do Departamento de Comunicações na Universidade de
        Ottawa, no Canadá.

        Considerado um otimista diante das transformações trazidas
        pelas redes, o sociólogo parte da visão do computador como um
        hiperdocumento vivo em expansão permanente. A Internet seria
        uma rede análoga às conexões entre os neurônios humanos. Lévy
        crê na rede não apenas como uma ferramenta para se aprofundar
        a democracia e se ampliar o conhecimento coletivo, mas como
        fundadora de uma verdadeira civilização que está apenas
        começando.

        Criador de conceitos como tecnodemocracia e cosmopédia, o
        sociólogo ainda luta para garantir que estas definições sobre
        cibercultura, das quais é um dos fundadores, sejam
        respeitadas. Para Lévy, o virtual, por exemplo, não se opõe ao
        real - como é freqüentemente citado - , mas sim ao atual.
        Mesmo sabendo que seu interlocutor, ao fazer tal
        contraposição, quer apenas diferenciar o que se passa na rede
        do que se passa fora dela, o sociólogo faz questão de frisar o
        conceito formal que deu ao virtual em seu livro de 1996.

        Em conversa por telefone, direto do Canadá, Lévy falou sobre a
        palestra que fará na próxima terça-feira em Porto Alegre e
        sobre o momento atual da cibercultura - sem deixar de lembrar
        que todo tipo de vida é real. Na rede ou fora dela.

        *Cultura - Em seu livro O Que É o Virtual?, publicado no
        Brasil em 1996, o senhor diz que o ciberespaço pode apenas
        reproduzir o espetáculo e a mídia em grande escala, ou pode
        criar uma civilização centrada na inteligência coletiva. Qual
        dos dois está ganhando a corrida hoje?

        Pierre Lévy -* (risos) Não há vencedores no momento. A
        inteligência coletiva está crescendo, como podemos ver na
        Wikipedia e em outros sites. A memória coletiva está sendo
        usada largamente. Mas os dois estão correndo juntos.

        *Cultura - A Internet tem mostrado capacidade de enfrentar
        regimes totalitários e ajudar a consolidar a democracia, como
        o senhor previa?

        Lévy -* Em geral, quanto ao aumento das possibilidades de
        comunicação servindo contra a estabilidade de regimes
        totalitários, o processo está relativamente lento. Temos que
        esperar, isso não vai acontecer logo. Mas quanto mais você tem
        possibilidades de criar associações e de ter contato com
        outras culturas, isso cria uma sociedade menos fechada e, a
        longo prazo, é bom para a democracia.

        *Cultura - Podemos dizer que a definição de Zigmunt Bauman
        sobre valores líquidos da sociedade atual (aqueles que se
        modificam rapidamente e cujos laços são frágeis) foram
        causados pela relação com o virtual?

        Lévy -* Como assim, líquidos?

        *Cultura - É uma teoria desse filósofo polonês radicado na
        Inglaterra, autor de Modernidade Líquida e Amor Líquido. O
        senhor acha que a instabilidade das relações tem a ver com o
        virtual?

        Lévy -* Bem, primeiro teríamos que concordar com essa coisa da
        liquidez dos valores, mas não sei se entendi direito (risos).

        *Cultura - Mesmo que não concorde Zigmunt com Bauman, o senhor
        acha que o virtual está modificando os relacionamentos entre
        as pessoas?

        Lévy -* Não acho que tenha a ver. Podemos falar em um tipo de
        aceleração de processos, todos os tipo de de processos,
        incluindo o conhecimento, a economia e a política. As coisas
        são rápidas, e isso não é causado pela Internet, ela é apenas
        um dos vários fatores que contribuem para acelerar todos os
        processos culturais e sociais. Mas é claro que a globalização
        em geral traz grandes facilidades a vida urbana.

        *Cultura - Vemos hoje ascender à adolescência a primeira
        geração que nasceu usando a Internet. É possível identificar
        características específicas dessa geração?

        Lévy -* A minha resposta não vai ser interessante porque a
        minha resposta é: sim, eles são diferentes, porque eles estão
        muito acostumados à Internet. Eles estão procurando por
        informações de maneira fácil, estão se entretendo nas redes. É
        fácil para eles usar computadores e videogames, mas não é uma
        completa mudança, não é uma questão de geração. O mais
        importante é que nós estamos construindo uma nova civilização.
        E seria um grande erro pedir aos jovens que guiem a nova
        civilização (risos).

        *Cultura - O senhor diz que as redes modificam algumas de
        nossas capacidades cognitivas. Como isso se aplica ao caso da
        memória, que parece ser cada vez menos utilizada, uma vez que
        tudo está em um grande banco de dados acessível a um clic?

        Lévy -* Acho que é exatamente o oposto disso (risos). A
        memória não é algo que está em nosso cérebro. Memória é tudo
        que podemos recordar. Então podemos recordar memórias do nosso
        cérebro, mas também podemos recordar de livros, de bibliotecas
        ou da web. Acho que uma das mais óbvias conseqüências do
        advento do ciberespaço é a documentação da memória.

        *Cultura - O senhor acha que o crescimento na quantidade de
        pessoas patologicamente viciadas em Internet se deve a um
        encantamento maior com a vida virtual do que com a real?

        Lévy -* Todo tipo de vida é real, não existe virtual ou real.
        Só há vida humana, não há diferença. Pessoas podem ser
        viciadas em qualquer coisa, em televisão, em sexo, em jogos,
        em álcool... Vício não tem nada a ver com o objeto.

        *Cultura - Por que a exposição da vida privada se tornou um
        valor nos tempos contemporâneos?

        Lévy -* Acho que estão crescendo a tendência à transparência.
        Há cada vez mais informação disponível online e parte dela é
        uma informação que antes era privada. Isso é uma tendência
        importante e vai continuar.

        *Cultura - O software Second Life foi considerado fenômeno,
        mas agora parece perder fôlego. Seus criadores acertaram ao
        tentar reproduzir a vida real na Internet?

        Lévy -* Não sei. Depende do crescimento e do que as pessoas
        querem fazer. Às vezes, é bom reproduzir, às vezes é bom criar
        algo completamente diferente. Como posso dizer que é um erro
        fazer alguma coisa ou outra? (risos). O princípio da realidade
        virtual online vem de 20 anos, já existia. A única diferença
        do Second Life é que mais pessoas têm acesso direto, assim
        como não há nenhuma diferença entre a web 1 e a web 2 (segunda
        geração da Internet, que reforça o conceito de troca de
        informações e colaboração), exceto que agora há mais pessoas
        que podem participar da web. Há em geral um movimento de
        apropriação por parte do público cada vez maior das mídias
        online. Só o que há de novo no Second Life é que ele está se
        tornando uma espécie de fenômeno social, mas do ponto técnico
        não tem nada novo.

        *Cultura - O que é realmente novo hoje na Internet?

        Lévy -* Estamos esperando por algo novo (risos). O que há de
        novo é a apropriação social da tecnologia da web e o
        progressivo crescimento de um tipo de espaço público global,
        mas acho que vai ser, no futuro, do ponto de vista conceitual
        e técnico, algo que não conhecemos hoje. No momento, estamos
        vivendo a fase da apropriação social. Vão existir novos
        adventos no futuro, provavelmente algum tipo de inteligência
        artificial distribuída.

        *Cultura - No que o senhor está trabalhando atualmente?

        Lévy -* Em Porto Alegre vou falar sobre minha atual pesquisa,
        que é sobre uma nova língua que inventei. Se chama IEML
        (Metalinguagem da Economia da Informação), pode ser acessada
        em todo tipo de idioma, em Francês, em Inglês ou Português, e
        pode ser entendida pelo computador. Uma linguagem que pode ser
        manipulada pelo computador. Não vai ser utilizada pelo público
        em geral, será uma linguagem underground, para ser manipulada
        por especialistas, pois é complexa, mas vai multiplicar o
        poder dos sistemas de busca e a habilidade de explorar
        informação na Internet. A linguagem hoje ainda é um problema
        na Internet. Temos interconexão técnica, mas não semântica.
        Então o objetivo da pesquisa é preencher essa lacuna semântica.

        *Cultura - Há algo no seu trabalho sobre cibercultura que não
        está se confirmando ou que o senhor repensaria hoje?

        Lévy -* Meu livro A Inteligência Coletiva foi publicado em
        1994 na França, e naquele tempo as pessoas nem sabiam que a
        web existia. Muita gente me acusou de ser um completo utópico
        e irrealista, mas hoje podemos ver que estamos num real e
        forte movimento de inteligência coletiva. A Wikipedia, em
        particular, mostra isso. Há também o uso de comunicação P2P,
        software de código aberto, e também redes sociais online.
        Então, há tendências, há inteligência coletiva, mas estamos
        apenas no começo.

        ([EMAIL PROTECTED]
        <mailto:[EMAIL PROTECTED]>)


-- Qualidade fundamental da unidade viva: dividir-se, reunir-se,
        desdobrar-se no universal, persistir no particular,
        transformar-se, especificar-se e (como a vida gosta de
        manifestar-se em mil condições) aparecer e desaparecer,
        solidificar-se e fundir-se, coagular e correr, dilatar-se e
        contrair-se. ora todos esses efeitos produzindo-se juntos no
        mesmo instante, toda coisa e cada uma podem chegar ao mesmo
        tempo; formação e deperecimento, criação e destruição,
        nascimento e morte, prazer e pena, tudo age no mesmo espírito
        e na mesma medida: assim o que acontece de mais particular
        apresenta-se sempre como imagem e o símbolo do universal."
        -goethe -

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        não posso me desculpar..."
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