A violência atual é como antes a manifestação mais explícita da miséria. A
violência atual é como antes uma forma de acumulação primitiva (ou seja,
baseada na expropriação). A violência atual é como antes uma funcionalização
da pobreza.

Mas contrário a antes, a violência atual é orgânica, é uma forma de
inclusão. Não se trata de um ato separatista de segregação ativa (desejo de
auto-exclusão em busca de autonomia). Nem se trata também de "novos
bárbaros" que invadem a sociedade organizada. Na verdade, já são partes
organizadas dessa sociedade que se desenvolve de forma desigual e combinada
sem mais a necessidade de utilizar-se da idéia de "ordem e progresso"
(talvez o novo lema será: "desordem e estabilização").

Por isso, quem é atacado não é a elite e seu discurso hegemônico voltado
para assegurar a manutenção da acumulação capitalista e a ideologia da
modernidade. Essas coisas estão garantidas. Afinal, a violência atual não é
revolucionária! A violência atual é a expressão do poder assegurado,
reflexo da propriedade e controle do processo de produção.  E assim, as
forças do atraso social reproduzem a miséria, reduzindo a violência sua
forma de apropriação material e expressão cultural. O resto é humilhação.


Em 22/01/08, Fabianne Balvedi <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> Esta não é a primeira vez que se proibem jogos por aqui.
> carmageddom é um exemplo. São ações desesperadas
> que não ajudam em nada, pq e muito fácil conseguir
> cópias no mercado paralelo.
>
> Pegando carona na opinião de Arnaldo Jabor sobre
> os filmes de Tarantino, acredito que também nos jogos
> temos prazer de rir da superficialidade da violência, o que expõe
> e condena um dos maiores problemas da sociedade atual:
> a violência da superficialidade.
>
>
> --
> Fabianne Balvedi
> GNU User #286985
> http://fabs.estudiolivre.org
> "As contradições mais agudas da vida humana
> não foram feitas para serem solucionadas, mas vividas
> com plena ciência de seu carater paradoxal."
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