Andréa,

O projeto está em consulta pública para ser criticado e agregar
sugestões. Pontuar questões a partir do release é um pouco complicado
pq o texto é direto e sintético, mas simplifica às vezes demais (e
olha que este release em especial já é longo demais para
jornalistas-padrão). Vamos lá.

Os três ministérios que reúnem esforços para que o projeto aconteça, e
que são a Coordenação Geral definida no documento, são os que têm
atribuição, de acordo com a lei que institui o PPA (Plano Plurianual)
e a lei orçamentária vigente, de tocar ações orçamentárias do programa
inclusão digital, nº 1008 no Plano Plurianual, cuja gerência executiva
é atribuição do MPOG. Isso é o que o projeto tem, digamos, sob
controle. Cada um ficou responsável pela parte que seu ministro ou
secretário executivo achou que poderia ficar e que acordou com os
demais perante o presidente, sem fugir do que as ações do PPA já
previam, pois não é um momento de revisão do Plano (tem um monte de
regras para isso).

Mas acho que o ponto principal das suas dúvidas vem de um entendimento
do projeto como algo mais centralizado do que é a proposta. O eixo é o
inverso: encontrar quem já está cuidando de telecentros pelo país, e
dar um reforço para ajudar que façam mais e melhor.

Esse "quem já está cuidando" são programas e projetos tocados por
órgãos federais, estaduais, municipais e sociedade civil que dão um
apoio de caráter continuado às unidades. Os equipamentos, conexão,
bolsa e formação oferecidas de maneira centralizada pelo projeto são
elementos de reforço às iniciativas que já estão na rua, e de estímulo
para que aquelas que estão começando ou que não tinham a compreensão
do telecentro como um espaço vivo, apropriado pela comunidade, passem
a trabalhar nesse sentido também.

Bolsista deste projeto não é quem carrega o telecentro "nas costas",
não é o coordenador da unidade ou o gestor. São jovens que curtem essa
história de trazer a comunidade para perto, ou que se apaixonam pela
tecnologia, ou pela produção de conteúdos, ou por tudo isso. A
participação nessas redes vai ajudando a ampliar horizontes, e a fazer
coisas bacanas no telecentro também, é claro.

Tanto bolsistas como gente que trabalha nos telecentros e que não
receberá bolsas, vão ter oportunidade da formação EAD, de participar
de um encontro regional e de um encontro temático, e não apenas da
Oficina. Mas mais do que isso, o projeto deseja e quer estimular que
esse pessoal participe de atividades de formação do próprio programa
ou projeto ao qual o telecentro se vincula, e das atividades que
outros órgãos do governo federal ofereçam e que possam alcançar essa
galera. o trabalho dxs implementas que vc menciona é um caso assim. o
projeto quer é que mais monitorxs de telecentros possam participar
desse tipo de atividade, sempre que estiver sendo oferecida. São
várias as possibilidade de integração. o detalhamento dessas
possibilidade em edital me parece que restrigiria demais, porque a
gente não tem como saber de antemão a programação das atividades que
vão estar rolando ao longo dos próximos dois anos por todos esses
potenciais parceiros, nem onde acontecerão.

A ênfase na minha fala sobre a qualificação de monitorxs é para que
não venha uma manchete assim: "governo distribuirá equipamentos a
telecentros", que é o clássico no jornalismo. dizer que vamos
fortalecer telecentros existentes já dá uma trabalheira danada.
jornalista (tirando a pati cornils, que é das poucas que entende do
assunto) quer sempre falar de novos, e de equipamento, essa coisa de
restringir inclusão digital a hardware. é muito presente ainda essa
história de que basta chegarem as máquinas e os problemas terminaram.

Espero que tenha ajudado a tirar dúvidas. Os documentos estão lá em
consulta, estimulo que vc poste os comentários a cada documento na
forma que está lá orientado. E também envie as perguntas que querem
que sejam respondidas na audiência pública do dia 19 a
[email protected], além de fazer a inscrição pelo mesmo
e-mail.

Um abraço,
Kiki






2009/5/6 Andrea Saraiva <[email protected]>:
> Olá, Kiki
>
> Como porta-voz desse projeto e mais que isso pelo respeito que temos com sua
> sua história, creio que vocẽ está à altura pra responder a alguns
> questionamentos que servirão de base pra responder à chamada pública a que
> estamos sendo instadxs a opinar. Desta forma gostaria de pontuar algumas
> questões. Por partes.
>
>
>>
>> Projeto nacional de apoio a telecentros está em consulta pública
>>
>> Objetivo é qualificar a implantação e o funcionamento de espaços de
>> inclusão digital. Audiência pública sobre a proposta será realizada em
>> 19/05.
>
> Li os documentos detidamente e vejo que há sim a tentativa de implantar os
> espaço de ID. No entanto, me questiono o alcance da dita "qualificação" pois
> a referida proposta esmiúça alguns pontos e deixa outros em mar aberto sem
> um farol que possa nos guiar. lá na frente fundamento esse pensamento.
>>
>> O Governo Federal vai apoiar a implantação e o fortalecimento de centros
>> públicos de acesso gratuito à internet no país. O Projeto Nacional de Apoio
>> a Telecentros visa ampliar a inclusão digital junto à população que ainda
>> não dispõe de renda para aquisição de um computador e dos serviços de
>> conexão à Internet.
>
> A proposta prevẽ a manutenção de 5 mil pontos e ampliação de mais 3 mil.
> Pagamento de bolsas para telecentristas com a percepção de um pouco mais de
> $400,00 reais. E no entanto pede pra que haja funcionamento de 40h semanais.
> Isso não é qualificação profissional. Ademais, as bolsas serão gestadas pelo
> CNPq que pela minha experiẽncia de casa brasil tem sido um dos grandes
> gargalos. Eles não engolem que haja formação não-acadẽmica e
> sistematicamente sabotam tais experiências. Saí do casa brasil mas acompanho
> o sofrimento de quase 500 bolsistas que estão com suas respectivas bolsas
> suspensas por problemas meramente burocráticos e que não lhes dizem
> respeito. Dai que não considero que a saida pelo CNPq seja "qualificante".
> Tenho apelidado de "institucionalização da puxadinha".
>
>>
>> O projeto pretende oferecer apoio à implantação de dois a três mil novos
>> telecentros e ao fortalecimento de cinco a dez mil unidades já existentes no
>> país. O Observatório Nacional de Inclusão Digital (Onid) já mapeou os dados
>> de localização e contatos de mais de cinco mil telecentros e a estimativa é
>> de que a quantidade total seja superior a esse número. O Governo prevê a
>> adesão de iniciativas de órgãos federais, estaduais, municipais e da
>> sociedade civil responsáveis pela implantação e funcionamento de espaços
>> públicos e comunitários de inclusão digital da população.
>
> Oferecer apoio com esse pagamento ínfimo, não aponta para a necessidade real
> que é de política pública com sustentabilidade. É bem fato que atende em
> parte às demandas dos diversos órgãos federais como Serpro, caixa, BB que
> implantaram telecentros e têm necessidade de pagamento dos ditos
> telecentrista. Mas isso apenas arrefece a carência, não a resolve.
>>
>> Para isso, está em consulta pública até o dia 29 de maio no endereço
>> http://www.governoeletronico.gov.br/consulta-publica um conjunto de três
>> documentos relativos ao Projeto Nacional de Apoio a Telecentros. Os
>> documentos consistem na proposta preliminar do projeto, na minuta de chamada
>> para adesão de iniciativas responsáveis por telecentros a serem apoiados e
>> na minuta de edital para seleção de entidades que ofertarão atividades de
>> formação a monitores que atuam nesses locais.
>
> Li os documentos e não vi qual a proposta de formação que daí sim seria
> qualificar. Quando muito aponta para a formação em EAD pra aos
> "telecentristas" (com o perdão do uso dessa palavra) sem dizer como isso vai
> se dar, nem quem e como isso vai ser feito. Aponta também e dai com riqueza
> de detalhes pra participação dos ditos telecentristas pra o OID. Inclusive
> esmiúça a proporcionalidade de quantos participarão.  Aproveito então, pra
> pedir esclarecimento a esse respeito. Como vocẽs estão pensando essa
> formação? Não é forçoso, portanto, admitir que a formação resume-se a EAD e
> ao OID. Basta?
>>
>> O apoio se dará com o oferecimento de conexão, computadores, bolsas de
>> auxílio financeiro a jovens monitores e formação de monitores bolsistas e
>> não-bolsistas que atuem nos telecentros. Segundo a responsável pela
>> coordenação do projeto no Ministério do Planejamento, Cristina Mori, o
>> objetivo é oferecer condições ao aperfeiçoamento da qualidade e à
>> continuidade das iniciativas em curso, além da instalação de novos espaços.
>
> A conexão do gesac não atende as demandas. O Gesac tem muito mais coisas a
> oferecer que essa maldita conexão. A embratel que ganhou a licitação só
> piorou a situação. Os Pcs, não se aponta a quem cabe a manutenção. A bolsas
> de auxilio já comentei em algum momento aí em cima. Então, com isso tudo há
> perpectivas realmente de que esse plano dá "condições ao aperfeiçoamento da
> qualidade"?
>>
>> A coordenadora ressaltou a importância das parcerias. “A intenção de
>> colocar o projeto em consulta pública é conhecer as sugestões dos
>> interessados, principalmente das iniciativas que são potencialmente
>> aderentes ao projeto, aquelas que já possuem um conjunto de telecentros sob
>> sua responsabilidade e que querem ampliar essa atuação”, afirmou. O projeto
>> também prevê a adesão de novas iniciativas com objetivos convergentes às
>> suas diretrizes.
>
> Louvo a iniciativa de se colocar em consulta pública. No entanto gostaria de
> saber como os demais projetos irão fazer essa dita convergẽncia. Qual a
> parte que cabe aos implementadorxs, a galera que está na ponta nos demais
> projetos? è o fim das oficinas presenciais e dos implmentadrxs que vão bem
> além dos telecentros?
>>
>> Para realizar a qualificação, será constituída uma rede nacional de
>> formação de monitores, composta por instituições selecionadas pelo
>> Ministério do Planejamento, em diálogo e interação com as atividades já
>> oferecidas pelas iniciativas aderentes e por parceiros do projeto.
>
> Gostaria de saber mais como se deu a escolha dessa seleção do Ministério do
> Planejamento. Quais os critérios?
>>
>> “Os agentes de inclusão digital são fundamentais para que a comunidade se
>> aproprie das tecnologias que estão nesses espaços”, explicou a coordenadora.
>> “A formação de monitores é o eixo central deste projeto.”
>
> Acho que o projeto erra de foco. A formação dos agentes pode ser até uma
> ponte mas não é o fim. Uma politica de qualidade visaria isso.
>>
>> A ação é resultado de um esforço conjunto do Governo Federal para ampliar
>> a inclusão digital no país por meio dos telecentros. Pelas diretrizes do
>> projeto, são considerados telecentros espaços sem fins lucrativos de acesso
>> público e gratuito às Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs), com
>> computadores conectados à Internet, disponíveis para múltiplos usos,
>> incluindo navegação livre.
>
> Quais os participantes desse esforço conjunto?
>>
>> O projeto foi elaborado a partir das conclusões do grupo operacional de
>> inclusão digital coordenado pela Presidência da República, do qual
>> participaram diversos ministérios e órgãos atuantes no tema. A decisão de
>> apoiar os telecentros também levou em conta as considerações de
>> representantes da sociedade civil.
>
> Tenho vários questionamentos com relação a isso mas acho que margeia a
> discussão. Sendo colocado como consulta pública a lucidez me impede de
> questionar a legitimidade desses grupos. Será validado, portanto.
>>
>> São responsáveis pela coordenação geral do Projeto Nacional os Ministérios
>> das Comunicações, da Ciência e Tecnologia e do Planejamento, sendo este
>> último o responsável pela coordenação executiva. “A idéia é que os
>> telecentros funcionem, cada vez mais, como espaços de uso efetivo e
>> cotidiano dessas tecnologias, e que integrem uma política pública de caráter
>> nacional e permanente, pactuada entre os vários atores envolvidos”,
>> salientou Cristina.
>
> Ok. Mas pq o planejamento ?
>>
>> Segundo o coordenador de inclusão digital da Presidência da República,
>> Cezar Alvarez, o projeto faz parte do esforço do Governo Federal na
>> ampliação da inclusão digital no país. Com a disseminação e o fortalecimento
>> de telecentros, a intenção é incluir o segmento da população que ainda não
>> dispõe de renda suficiente para a aquisição de serviços e equipamentos.
>
> É isso então, o mero acesso? isso basta?
> Por fim, esepero que vocẽ compreenda que esses questionamentos não
> constituem em afronta nem muito menos descrédito a sua pessoa ou a
> instituição que vocẽ representa. Quero ratificar o respeito que tenho por ti
> e pelo teu trabalho mas não posso me eximir frente a essa proposta que
> considero bem intencionada mas que não atende as reais demandas de uma
> política sustentável para esse setor.
>
> Um abraço,
> Andréa Saraiva
>
>
>
> --
> Andréa Saraiva
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