Olá, Kiki. Agradeço a atenção às perguntas.
Não havia baseado meus questionamentos em cima do release. Como falei, li e reli os documentos e fundamentei tal estudo baseada nessa leitura. No entanto, como vc sugeriu vou convocar o comitê de ID aqui do meu Estado pra discutir as propostas e as eventuais perguntas encaminharei pra lá. No entanto, ao colocar na lista fica patente que não é um mero informe daí que me senti à vontade pra lançar os questionamentos. Continuo com muitas lacunas mas com mais certeza de que a proposta é interessante mas não atinge aos pontos críticos desse segmento. A formação via EAD, não está clara como se dará. A bolsa é irrisória. As oficinas presenciais ficarão restritas aos encontros eliminando a presença indiscutível de implementadorxs. A conexão via embratel é sofrível. Não fala quem fará a manutenção nos PCs e por último e principalmente, não resolve o problema da sustentabilidade financeira do telecentros. A solução via CNPq é provisória. O ideal é que houvesse uma secretaria, uma coordenadoria com verba e autonomia pra garantir uma poltica pública pro setor. Um abraço e boa sorte, Andréa Saraiva 2009/5/6 Kiki Mori <[email protected]> > Andréa, > > O projeto está em consulta pública para ser criticado e agregar > sugestões. Pontuar questões a partir do release é um pouco complicado > pq o texto é direto e sintético, mas simplifica às vezes demais (e > olha que este release em especial já é longo demais para > jornalistas-padrão). Vamos lá. > > Os três ministérios que reúnem esforços para que o projeto aconteça, e > que são a Coordenação Geral definida no documento, são os que têm > atribuição, de acordo com a lei que institui o PPA (Plano Plurianual) > e a lei orçamentária vigente, de tocar ações orçamentárias do programa > inclusão digital, nº 1008 no Plano Plurianual, cuja gerência executiva > é atribuição do MPOG. Isso é o que o projeto tem, digamos, sob > controle. Cada um ficou responsável pela parte que seu ministro ou > secretário executivo achou que poderia ficar e que acordou com os > demais perante o presidente, sem fugir do que as ações do PPA já > previam, pois não é um momento de revisão do Plano (tem um monte de > regras para isso). > > Mas acho que o ponto principal das suas dúvidas vem de um entendimento > do projeto como algo mais centralizado do que é a proposta. O eixo é o > inverso: encontrar quem já está cuidando de telecentros pelo país, e > dar um reforço para ajudar que façam mais e melhor. > > Esse "quem já está cuidando" são programas e projetos tocados por > órgãos federais, estaduais, municipais e sociedade civil que dão um > apoio de caráter continuado às unidades. Os equipamentos, conexão, > bolsa e formação oferecidas de maneira centralizada pelo projeto são > elementos de reforço às iniciativas que já estão na rua, e de estímulo > para que aquelas que estão começando ou que não tinham a compreensão > do telecentro como um espaço vivo, apropriado pela comunidade, passem > a trabalhar nesse sentido também. > > Bolsista deste projeto não é quem carrega o telecentro "nas costas", > não é o coordenador da unidade ou o gestor. São jovens que curtem essa > história de trazer a comunidade para perto, ou que se apaixonam pela > tecnologia, ou pela produção de conteúdos, ou por tudo isso. A > participação nessas redes vai ajudando a ampliar horizontes, e a fazer > coisas bacanas no telecentro também, é claro. > > Tanto bolsistas como gente que trabalha nos telecentros e que não > receberá bolsas, vão ter oportunidade da formação EAD, de participar > de um encontro regional e de um encontro temático, e não apenas da > Oficina. Mas mais do que isso, o projeto deseja e quer estimular que > esse pessoal participe de atividades de formação do próprio programa > ou projeto ao qual o telecentro se vincula, e das atividades que > outros órgãos do governo federal ofereçam e que possam alcançar essa > galera. o trabalho dxs implementas que vc menciona é um caso assim. o > projeto quer é que mais monitorxs de telecentros possam participar > desse tipo de atividade, sempre que estiver sendo oferecida. São > várias as possibilidade de integração. o detalhamento dessas > possibilidade em edital me parece que restrigiria demais, porque a > gente não tem como saber de antemão a programação das atividades que > vão estar rolando ao longo dos próximos dois anos por todos esses > potenciais parceiros, nem onde acontecerão. > > A ênfase na minha fala sobre a qualificação de monitorxs é para que > não venha uma manchete assim: "governo distribuirá equipamentos a > telecentros", que é o clássico no jornalismo. dizer que vamos > fortalecer telecentros existentes já dá uma trabalheira danada. > jornalista (tirando a pati cornils, que é das poucas que entende do > assunto) quer sempre falar de novos, e de equipamento, essa coisa de > restringir inclusão digital a hardware. é muito presente ainda essa > história de que basta chegarem as máquinas e os problemas terminaram. > > Espero que tenha ajudado a tirar dúvidas. Os documentos estão lá em > consulta, estimulo que vc poste os comentários a cada documento na > forma que está lá orientado. E também envie as perguntas que querem > que sejam respondidas na audiência pública do dia 19 a > [email protected], além de fazer a inscrição pelo mesmo > e-mail. > > Um abraço, > Kiki > > > > > > > 2009/5/6 Andrea Saraiva <[email protected]>: > > Olá, Kiki > > > > Como porta-voz desse projeto e mais que isso pelo respeito que temos com > sua > > sua história, creio que vocẽ está à altura pra responder a alguns > > questionamentos que servirão de base pra responder à chamada pública a > que > > estamos sendo instadxs a opinar. Desta forma gostaria de pontuar algumas > > questões. Por partes. > > > > > >> > >> Projeto nacional de apoio a telecentros está em consulta pública > >> > >> Objetivo é qualificar a implantação e o funcionamento de espaços de > >> inclusão digital. Audiência pública sobre a proposta será realizada em > >> 19/05. > > > > Li os documentos detidamente e vejo que há sim a tentativa de implantar > os > > espaço de ID. No entanto, me questiono o alcance da dita "qualificação" > pois > > a referida proposta esmiúça alguns pontos e deixa outros em mar aberto > sem > > um farol que possa nos guiar. lá na frente fundamento esse pensamento. > >> > >> O Governo Federal vai apoiar a implantação e o fortalecimento de centros > >> públicos de acesso gratuito à internet no país. O Projeto Nacional de > Apoio > >> a Telecentros visa ampliar a inclusão digital junto à população que > ainda > >> não dispõe de renda para aquisição de um computador e dos serviços de > >> conexão à Internet. > > > > A proposta prevẽ a manutenção de 5 mil pontos e ampliação de mais 3 mil. > > Pagamento de bolsas para telecentristas com a percepção de um pouco mais > de > > $400,00 reais. E no entanto pede pra que haja funcionamento de 40h > semanais. > > Isso não é qualificação profissional. Ademais, as bolsas serão gestadas > pelo > > CNPq que pela minha experiẽncia de casa brasil tem sido um dos grandes > > gargalos. Eles não engolem que haja formação não-acadẽmica e > > sistematicamente sabotam tais experiências. Saí do casa brasil mas > acompanho > > o sofrimento de quase 500 bolsistas que estão com suas respectivas bolsas > > suspensas por problemas meramente burocráticos e que não lhes dizem > > respeito. Dai que não considero que a saida pelo CNPq seja > "qualificante". > > Tenho apelidado de "institucionalização da puxadinha". > > > >> > >> O projeto pretende oferecer apoio à implantação de dois a três mil novos > >> telecentros e ao fortalecimento de cinco a dez mil unidades já > existentes no > >> país. O Observatório Nacional de Inclusão Digital (Onid) já mapeou os > dados > >> de localização e contatos de mais de cinco mil telecentros e a > estimativa é > >> de que a quantidade total seja superior a esse número. O Governo prevê a > >> adesão de iniciativas de órgãos federais, estaduais, municipais e da > >> sociedade civil responsáveis pela implantação e funcionamento de espaços > >> públicos e comunitários de inclusão digital da população. > > > > Oferecer apoio com esse pagamento ínfimo, não aponta para a necessidade > real > > que é de política pública com sustentabilidade. É bem fato que atende em > > parte às demandas dos diversos órgãos federais como Serpro, caixa, BB que > > implantaram telecentros e têm necessidade de pagamento dos ditos > > telecentrista. Mas isso apenas arrefece a carência, não a resolve. > >> > >> Para isso, está em consulta pública até o dia 29 de maio no endereço > >> http://www.governoeletronico.gov.br/consulta-publica um conjunto de > três > >> documentos relativos ao Projeto Nacional de Apoio a Telecentros. Os > >> documentos consistem na proposta preliminar do projeto, na minuta de > chamada > >> para adesão de iniciativas responsáveis por telecentros a serem apoiados > e > >> na minuta de edital para seleção de entidades que ofertarão atividades > de > >> formação a monitores que atuam nesses locais. > > > > Li os documentos e não vi qual a proposta de formação que daí sim seria > > qualificar. Quando muito aponta para a formação em EAD pra aos > > "telecentristas" (com o perdão do uso dessa palavra) sem dizer como isso > vai > > se dar, nem quem e como isso vai ser feito. Aponta também e dai com > riqueza > > de detalhes pra participação dos ditos telecentristas pra o OID. > Inclusive > > esmiúça a proporcionalidade de quantos participarão. Aproveito então, > pra > > pedir esclarecimento a esse respeito. Como vocẽs estão pensando essa > > formação? Não é forçoso, portanto, admitir que a formação resume-se a EAD > e > > ao OID. Basta? > >> > >> O apoio se dará com o oferecimento de conexão, computadores, bolsas de > >> auxílio financeiro a jovens monitores e formação de monitores bolsistas > e > >> não-bolsistas que atuem nos telecentros. Segundo a responsável pela > >> coordenação do projeto no Ministério do Planejamento, Cristina Mori, o > >> objetivo é oferecer condições ao aperfeiçoamento da qualidade e à > >> continuidade das iniciativas em curso, além da instalação de novos > espaços. > > > > A conexão do gesac não atende as demandas. O Gesac tem muito mais coisas > a > > oferecer que essa maldita conexão. A embratel que ganhou a licitação só > > piorou a situação. Os Pcs, não se aponta a quem cabe a manutenção. A > bolsas > > de auxilio já comentei em algum momento aí em cima. Então, com isso tudo > há > > perpectivas realmente de que esse plano dá "condições ao aperfeiçoamento > da > > qualidade"? > >> > >> A coordenadora ressaltou a importância das parcerias. “A intenção de > >> colocar o projeto em consulta pública é conhecer as sugestões dos > >> interessados, principalmente das iniciativas que são potencialmente > >> aderentes ao projeto, aquelas que já possuem um conjunto de telecentros > sob > >> sua responsabilidade e que querem ampliar essa atuação”, afirmou. O > projeto > >> também prevê a adesão de novas iniciativas com objetivos convergentes às > >> suas diretrizes. > > > > Louvo a iniciativa de se colocar em consulta pública. No entanto gostaria > de > > saber como os demais projetos irão fazer essa dita convergẽncia. Qual a > > parte que cabe aos implementadorxs, a galera que está na ponta nos demais > > projetos? è o fim das oficinas presenciais e dos implmentadrxs que vão > bem > > além dos telecentros? > >> > >> Para realizar a qualificação, será constituída uma rede nacional de > >> formação de monitores, composta por instituições selecionadas pelo > >> Ministério do Planejamento, em diálogo e interação com as atividades já > >> oferecidas pelas iniciativas aderentes e por parceiros do projeto. > > > > Gostaria de saber mais como se deu a escolha dessa seleção do Ministério > do > > Planejamento. Quais os critérios? > >> > >> “Os agentes de inclusão digital são fundamentais para que a comunidade > se > >> aproprie das tecnologias que estão nesses espaços”, explicou a > coordenadora. > >> “A formação de monitores é o eixo central deste projeto.” > > > > Acho que o projeto erra de foco. A formação dos agentes pode ser até uma > > ponte mas não é o fim. Uma politica de qualidade visaria isso. > >> > >> A ação é resultado de um esforço conjunto do Governo Federal para > ampliar > >> a inclusão digital no país por meio dos telecentros. Pelas diretrizes do > >> projeto, são considerados telecentros espaços sem fins lucrativos de > acesso > >> público e gratuito às Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs), > com > >> computadores conectados à Internet, disponíveis para múltiplos usos, > >> incluindo navegação livre. > > > > Quais os participantes desse esforço conjunto? > >> > >> O projeto foi elaborado a partir das conclusões do grupo operacional de > >> inclusão digital coordenado pela Presidência da República, do qual > >> participaram diversos ministérios e órgãos atuantes no tema. A decisão > de > >> apoiar os telecentros também levou em conta as considerações de > >> representantes da sociedade civil. > > > > Tenho vários questionamentos com relação a isso mas acho que margeia a > > discussão. Sendo colocado como consulta pública a lucidez me impede de > > questionar a legitimidade desses grupos. Será validado, portanto. > >> > >> São responsáveis pela coordenação geral do Projeto Nacional os > Ministérios > >> das Comunicações, da Ciência e Tecnologia e do Planejamento, sendo este > >> último o responsável pela coordenação executiva. “A idéia é que os > >> telecentros funcionem, cada vez mais, como espaços de uso efetivo e > >> cotidiano dessas tecnologias, e que integrem uma política pública de > caráter > >> nacional e permanente, pactuada entre os vários atores envolvidos”, > >> salientou Cristina. > > > > Ok. Mas pq o planejamento ? > >> > >> Segundo o coordenador de inclusão digital da Presidência da República, > >> Cezar Alvarez, o projeto faz parte do esforço do Governo Federal na > >> ampliação da inclusão digital no país. Com a disseminação e o > fortalecimento > >> de telecentros, a intenção é incluir o segmento da população que ainda > não > >> dispõe de renda suficiente para a aquisição de serviços e equipamentos. > > > > É isso então, o mero acesso? isso basta? > > Por fim, esepero que vocẽ compreenda que esses questionamentos não > > constituem em afronta nem muito menos descrédito a sua pessoa ou a > > instituição que vocẽ representa. Quero ratificar o respeito que tenho por > ti > > e pelo teu trabalho mas não posso me eximir frente a essa proposta que > > considero bem intencionada mas que não atende as reais demandas de uma > > política sustentável para esse setor. > > > > Um abraço, > > Andréa Saraiva > > > > > > > > -- > > Andréa Saraiva > > -------------------------------------------------- > > Ceará em Foco: Antenas e Raízes > > cultura, ecosol e tecnologias livres > > -------------------------------------------------- > > http://www.cearaemfoco.org.br/ > > > > + 55 - 85 8605 5181 > > > > > > > > > > _______________________________________________ > > Lista de discussão da MetaReciclagem > > Envie mensagens para [email protected] > > http://lista.metareciclagem.org > > > -- Andréa Saraiva -------------------------------------------------- Ceará em Foco: Antenas e Raízes cultura, ecosol e tecnologias livres -------------------------------------------------- http://www.cearaemfoco.org.br/ + 55 - 85 8605 5181
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