Olá, Nehab:
Pois é, Nehab, muita gente pensa que o tal de Nicolas Bourbaki foi (é) um grande matemático. Na verdade, ninguém sabe quem é esse tal de Bourbaki – alguns acreditam que se trate de uma homenagem a um certo general francês de sobrenome Bourbaki, mas cujo nome não era Nicolas!? Outros pensam que seja uma brincadeira do grupo, particularmente do seu primeiro líder, o André Weil. Isso também contribuiu para aumentar o lado mítico do grupo, que tinha uma maneira de trabalhar pra lá de esquisita... Fiquei espantado com uma coincidência de nosso comportamento: quando você ministrava alguma cadeira de Matemática para o 1º ano de Engenharia do IME, você adotava o "Theory of Sets" do Bourbaki; eu, quando ministrava um curso de Teoria da Elasticidade, nos idos de 85/90, para o 5º ano de uma outra Escola de Engenharia, adotava o "A Treatise of the Mathematical Theory of Elasticity" do Love (esse livro situa-se depois do árduo e do formal, além disto, é totalmente calcado no Cálculo Tensorial). Hoje, me arrependo muito disto, acho que era mais um exercício da minha vaidade do que uma tentativa de dar um curso correto e de alto nível... No final das contas, eu reprovava cerca de 30% dos alunos – alunos do último ano! Imagine o problema que eu criava pros garotos! Finalizando, uma curiosidade histórica: – foi justamente o A. Weil que descobriu (formalizou) a existência do conjunto-vazio e o chamou de "fi". By the way: alguns trabalhos do Bourbaki foram "assinados" pelo próprio! Dá pra entender esses caras? Saudações, AB 2008/10/30 Carlos Nehab <[EMAIL PROTECTED]> > Oi, Bouskela, > > Gostei dos livros também... > > Na década de 70 eu "trucidava" alguns alunos do IME do primeiro ano (turmas > de 70 a 73) com o Theory of Sets do Burbaki (ainda tenho a edição de 68...) > e alguns até confessaram, 20 ou 30 anos depois, que foi útil... Na época, > entretanto, alguns queriam me matar só um pouquinho.... E realmente sou > fanzoca da coleção deste cara virtual desde aquela época. E engraçado que > recentemente meu filho me mandou um email se dizendo surpreso, pois achava > que o cara era mesmo de carne e osso... > > Quanto ao livro da Rebbeca, é realmente um achado e saiu a resenha deste > livro há uns 2 ou 3 meses na Folha. > > Bem, tenha bom proveito e se tiver mais dicas não deixe de enviá-las... > Também sou rato de livros (e de cds...), mas o tempo para ler atualmente > infelizmente anda escasso. > > Grande abraço, > Nehab > . > > Bouskela escreveu: > > Meus caros amigos: > > > > Agradeço, sinceramente, a todos que, de alguma forma, me cumprimentaram > pelo meu aniversário – foram, todos vocês, muito carinhosos. Obrigado! > > > > Vou comentar alguns presentes que ganhei: > > > > – Um notebook, que faz qualquer processamento muito antes que eu pense em > clicar o "Enter". E, o que é melhor, já devidamente equipado com a última > versão do Maple e a versão 3 do Rybka (o melhor "engine" de xadrez!). > > – Uns apetrechos, com os quais – acreditem! – vou jogar tênis igual ao > Federer! > > – E... livros! Muitos livros! > > > > É exatamente sobre os livros que vou fazer as minhas observações: > > > > – Um caríssimo amigo me arrumou (não me perguntem como, porque eu não tenho > a menor idéia!) uma edição praticamente sem uso do "O Teorema de Gödel e a > Hipótese do Contínuo (Continuum)" – uma antologia organizada, prefaciada e > traduzida por Manuel Lourenço (um português pra lá de competente). > > – Minha mulher me deu (dentre muitos outros mimos) o recém lançado > "Incompletude – A prova e o paradoxo de Kurt Gödel", escrito por Rebecca > Goldstein. > > – Por último, ganhei uma edição especial da Scientific American sobre o > Bourbaki. > > > > Esse último presente traz algumas curiosidades que me deixaram furibundo: > (1) Aos 50 anos, o cara era expulso do Bourbaki, porque era considerado > velho demais... (2) Um professor do Bourbaki só podia dar aulas para alunos > que > fossem 10, no máximo 15 anos, mais novos; além disso, julgavam-no > ultrapassado... > > > > E eu aqui, já com 53, é de doer... > > > > Mas é exatamente sobre a Hipótese do Continuum que quero falar: recomendo a > todos o livro "O Mistério do Alef" (Amir D. Aczel). Esse livro narra, > apaixonadamente, o drama de Georg Cantor e a história da sua fantástica > Hipótese. É uma leitura agradabilíssima, tanto pelo aspecto matemático, > como, também, pelas agruras sofridas pelo desafortunado Cantor. Em suma, uma > jóia pra qualquer biblioteca de quem gosta das Ciências (quase exatas) do > Homem. > > > > Novamente, obrigado a todos! > > AB > > ========================================================================= > Instruções para entrar na lista, sair da lista e usar a lista em > http://www.mat.puc-rio.br/~obmlistas/obm-l.html========================================================================= -- Saudações, AB [EMAIL PROTECTED] [EMAIL PROTECTED]

