Olá Heloisa, Fernanda e Pessoal, tudo bem? Heloisa, permita-me tomar a liberdade de te perguntar: qual o sentido de "inchaço da máquina sem benefícios claros" a que você se refere? Te pergunto isso porque não compreendi se o inchaço da máquina aconteceria por conta de uma ausência de clareza sobre os benefícios (o que, portanto, seria solucionado com uma maior clareza sobre estes benefícios), ou se este inchaço é uma condição inevitável, de natureza metafísica, para toda e qualquer estrutura organizacional criada dentro do Estado.
Sobre a outra questão, a "possibilidade de uso político da máquina", não tenho clareza se compreendi ao que você refere-se com "uso político". Isto seria uma coisa excelente, ou péssima? Evidentemente, muito da resposta que cada um dá a isso tem lastro na própria compreensão sobre o que é a Política e se ela, em si, é algo inerente bom, ruim, ou "neutro". Digo isso porque, à priori, o que mais quero da máquina pública é que ela seja direcionada politicamente, que ela tenha um rumo estabelecido dentro da Política, e não fora dela, não por meio de negociatas, não por estratégias patrimonialistas. Porque se não for por meio da Política que a máquina é direcionada, e Política aqui entendida como a arena pública onde os conflitos de interesses entram em disputa e as escolhas são tomadas, o que resta é a arena privada, que coopta o Estado em muitas esferas e lhe dá uma aparência de "neutralidade" e uso "não político". E, é claro, tanto em relação ao uso "político" quanto em relação ao "inchaço" da máquina, nossa visão de positivo e negativo é orientada pela nossa própria concepção do que deve ser o Estado. Se o Estado é concebido estrutural e inevitavelmente como uma praga corrupta, e sua (do Estado) ausência como um alívio para o contribuinte-de-bem-pagador-de-impostos, daí, de fato, não há nada que um governo sério possa fazer, por mais republicano e democrático e transparente e coerente que seja. Não há Controladoria séria. Não há Plano de Metas sério. Não há transparência e participação social sérias. Não há concursos públicos sérios. Tudo, inevitavelmente, é traduzido by default como nocivo e mal intencionado. O discurso hegemônico, pelo menos, que conquista corações e mentes, é este. Adoraria que, dessas considerações, conseguíssemos estabelecer um debate de ideias em que elogios e críticas pudessem ser realizados com fundamento e com precisão. Grande Abraço!
_______________________________________________ okfn-br mailing list [email protected] http://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br Unsubscribe: http://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br
