Quando vi o assunto do e-mail já imaginei que fosse uma notícia vinda do famoso "PIG", e acertei. Não gosto nem de abrir links deles para não dar "views", mas para comentar aqui tive que ler.
Não morro de amores pelo PT, mas essa notícia me parece mais uma da linha "Olha como o país está indo para o buraco por culpa dos petralhas!", linha BASTANTE em voga pelo "PIG" nos últimos meses. Para não ficar no "argumentum ad hominem", não achei na matéria a fonte da dita "pesquisa" que eles citam, na qual se baseiam para afirmar: "Agora atenção para o número brasileiro: de tudo o que criamos aqui, 0% é completamente novo. Somos o país da inovação zero." Essa afirmação me parece descabida impossível de ser provada, pelo menos nesses termos genéricos. Inovação para mim é uma dessas palavras que, dita sozinha, pode querer dizer qualquer coisa, assim como desenvolvimento. Desenvolvimento para quem? Inovação com qual fim? Um câncer também se desenvolve, a bomba atômica também foi inovadora. Sobre a parceria entre empresas e academia, eu sou um dos que acha isso um "sacrilégio", pelo menos da forma como isso costuma ser feito: a população paga rios de dinheiro para manter a universidade funcionando, uma Microsoft da vida gasta algumas centenas de milhares, cria um laboratório com software deles e "sequestra" um grupo de pesquisadores para trabalhar para eles lá dentro. Você acaba usando dinheiro público para financiar empresas que não tem nada de público. E isso não ocorre só com software não. Sei, via minhas amigas da nutrição, que professores dão espaço para Nestle, Danone e afins irem nas aulas "orientarem" sobre quais produtos elas deveriam recomendar para crianças. Isso não faz sentido nem do ponto de vista científico, nem social. Quem se beneficia então? Sou totalmente contrário a universidades "torres de marfim", e tenho muitas críticas à ciência como um fim, logo acho sim que elas devam se abrir, mas não para empresas (pelo menos não apenas), mas sim para toda a sociedade. Para que desenvolvam justamente aquilo que as empresas não podem, e não podem porque não dá lucro. Remédios para doenças de "pobre", software que beneficie a comunidade mas que não comporte um "modelo de negócios", e uma infinidade de outros casos que o nosso modelo econômico falha miseravelmente em resolver. As universidades públicas são uns dos poucos lugares que ainda resistem à perversa lógica do mercado, de subordinar tudo ao lucro, o que permite a elas fazer o que talvez ninguém mais possa. A aproximação com empresas, pelo menos nos moldes atuais, me parece minar justamente essa característica tão valiosa. Abraços! On 21-11-14 11:12, Everton Zanella Alvarenga wrote:
Diogo e Leandro, obrigado pelos interessantes comentários. Diogo, legal saber esses exemplos, mas ainda acho que são tímidos. Espero que tenhamos políticas públicas no nível nacional para ampliar isso. Seu comentário me fez lembrar duas coisas que observei na minha graduação. Das várias horas que passei na biblioteca do instituto de física, me surpreendia o número de vagas de empregos para físicos nas revistas americanas e europeias. Nada comparado ao que vemos no Brasil. E o contraste foi maior quando comecei a ir nas minhas primeiras entrevistas de emprego. Lembro claramente de uma dupla num banco em entrevistando e fazendo aquela cara e comentários que física só servia para pesquisa e que meu currículo na época era muito acadêmico (era algum emprego desses que quem sabe ler e escrever consegue executar as tarefas e ganhar um salário de classe média, nada muito desafiador, confesso que hoje estou feliz não terem aceito, mesmo na época precisando dos fins.) Sobre a lei do Petróleo, não conhecia, parece interessante. É essa aqui que achei na Wikipédia, Lei do Petróleo <https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_do_Petr%C3%B3leo>? (diz que é de 1997) Queria ver melhor como é executada e se esses repasses funcionam. Há uns 10 anos lembro ter lido alguma matéria que mostrava que muito menos do que é previsto por lei era repassado para as agências de fomento à pesquisa estaduais, a exceção mais próxima do previsto por lei sendo São Paulo via FAPESP, que me parece hoje ser uma das mais ricas e produtivas (também por causa da situação econômica do estado). Mesmo que não vá todo dinheiro, pouca coisa vai mudar se não houver mudanças culturais profundas, como essa cultura empreendedora nas universidades. Eu gostaria de saber quais políticas públicas poderiam catalisar esse processo. Tom
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