Vou tentar responder super rápido e sintéticamente, e sei que estou correndo o risco (e vai acontecer) de ser muito simplista, mas pensem nisso como uma rápida introdução.. ;)
De forma geral as empresas, no Brasil, não dão valor a investimentos em P&D. Quantas possuem laboratórios próprios de P&D? A BOSH na Alemanha, sozinha, deve fazer mais P&D que todas as empresas brasileiras juntas - Salvo raras excessões. E acho que esse motivo (cultura empresarial no BR) é o que me leva tender a ser contrário a essas "parcerias" entre empresa e universidade (que acaba nunca sendo uma parceria, porque a Universidade e a Sociedade ganham quase nada perto das empresas). Sobre "O Brasil não produz inovação", acho que é só olhar para Petrobrás (mesmo com toda corrupção que está se descobrindo) e Embrapa para perceber que quem afirma isso está praticando pseudo-jornalismo de segunda categoria né? Ou pesquisa meia-boca.. enfim... Por fim, eu acho que realmente temos um problema de "gestão nas pesquisas", e que poderia ser feito muito mais com os recursos que temos. Mas isso não significa que mais recursos não são necessários. E eu acho que as empresas deveriam ter setor de P&D próprios e ai sim estes poderiam trabalhar em parceria (de verdade) com as universidades, com limitações e condições bem claras de retorno para a sociedade. =) Abs! -------------------------------- Diego Rabatone Oliveira diraol(arroba)diraol(ponto)eng(ponto)br Identica: (@diraol) http://identi.ca/diraol Twitter: @diraol Em 21 de novembro de 2014 15:02, Andres MRM <[email protected]> escreveu: > Quando vi o assunto do e-mail já imaginei que fosse uma notícia vinda do > famoso "PIG", e acertei. Não gosto nem de abrir links deles para não dar > "views", mas para comentar aqui tive que ler. > > Não morro de amores pelo PT, mas essa notícia me parece mais uma da linha > "Olha como o país está indo para o buraco por culpa dos petralhas!", linha > BASTANTE em voga pelo "PIG" nos últimos meses. > > Para não ficar no "argumentum ad hominem", não achei na matéria a fonte da > dita "pesquisa" que eles citam, na qual se baseiam para afirmar: > "Agora atenção para o número brasileiro: de tudo o que criamos aqui, 0% é > completamente novo. Somos o país da inovação zero." > Essa afirmação me parece descabida impossível de ser provada, pelo menos > nesses termos genéricos. > > Inovação para mim é uma dessas palavras que, dita sozinha, pode querer > dizer > qualquer coisa, assim como desenvolvimento. Desenvolvimento para quem? > Inovação com qual fim? Um câncer também se desenvolve, a bomba atômica > também > foi inovadora. > > Sobre a parceria entre empresas e academia, eu sou um dos que acha isso um > "sacrilégio", pelo menos da forma como isso costuma ser feito: a população > paga rios de dinheiro para manter a universidade funcionando, uma > Microsoft da > vida gasta algumas centenas de milhares, cria um laboratório com software > deles e "sequestra" um grupo de pesquisadores para trabalhar para eles lá > dentro. Você acaba usando dinheiro público para financiar empresas que não > tem > nada de público. E isso não ocorre só com software não. Sei, via minhas > amigas > da nutrição, que professores dão espaço para Nestle, Danone e afins irem > nas > aulas "orientarem" sobre quais produtos elas deveriam recomendar para > crianças. Isso não faz sentido nem do ponto de vista científico, nem > social. > Quem se beneficia então? > > Sou totalmente contrário a universidades "torres de marfim", e tenho muitas > críticas à ciência como um fim, logo acho sim que elas devam se abrir, mas > não > para empresas (pelo menos não apenas), mas sim para toda a sociedade. Para > que > desenvolvam justamente aquilo que as empresas não podem, e não podem porque > não dá lucro. Remédios para doenças de "pobre", software que beneficie a > comunidade mas que não comporte um "modelo de negócios", e uma infinidade > de > outros casos que o nosso modelo econômico falha miseravelmente em resolver. > > As universidades públicas são uns dos poucos lugares que ainda resistem à > perversa lógica do mercado, de subordinar tudo ao lucro, o que permite a > elas > fazer o que talvez ninguém mais possa. A aproximação com empresas, pelo > menos > nos moldes atuais, me parece minar justamente essa característica tão > valiosa. > > > Abraços! > > > > On 21-11-14 11:12, Everton Zanella Alvarenga wrote: > >> Diogo e Leandro, obrigado pelos interessantes comentários. >> >> Diogo, legal saber esses exemplos, mas ainda acho que são tímidos. Espero >> que tenhamos políticas públicas no nível nacional para ampliar isso. >> >> Seu comentário me fez lembrar duas coisas que observei na minha graduação. >> Das várias horas que passei na biblioteca do instituto de física, me >> surpreendia o número de vagas de empregos para físicos nas revistas >> americanas e europeias. Nada comparado ao que vemos no Brasil. E o >> contraste foi maior quando comecei a ir nas minhas primeiras entrevistas >> de >> emprego. Lembro claramente de uma dupla num banco em entrevistando e >> fazendo aquela cara e comentários que física só servia para pesquisa e que >> meu currículo na época era muito acadêmico (era algum emprego desses que >> quem sabe ler e escrever consegue executar as tarefas e ganhar um salário >> de classe média, nada muito desafiador, confesso que hoje estou feliz não >> terem aceito, mesmo na época precisando dos fins.) >> >> Sobre a lei do Petróleo, não conhecia, parece interessante. É essa aqui >> que >> achei na Wikipédia, Lei do Petróleo >> <https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_do_Petr%C3%B3leo>? (diz que é de 1997) >> Queria ver melhor como é executada e se esses repasses funcionam. >> >> Há uns 10 anos lembro ter lido alguma matéria que mostrava que muito menos >> do que é previsto por lei era repassado para as agências de fomento à >> pesquisa estaduais, a exceção mais próxima do previsto por lei sendo São >> Paulo via FAPESP, que me parece hoje ser uma das mais ricas e produtivas >> (também por causa da situação econômica do estado). >> >> Mesmo que não vá todo dinheiro, pouca coisa vai mudar se não houver >> mudanças culturais profundas, como essa cultura empreendedora nas >> universidades. Eu gostaria de saber quais políticas públicas poderiam >> catalisar esse processo. >> >> >> Tom >> > > _______________________________________________ >> okfn-br mailing list >> [email protected] >> https://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br >> Unsubscribe: https://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br >> > > _______________________________________________ > okfn-br mailing list > [email protected] > https://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br > Unsubscribe: https://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br >
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