Olá professor Jorge, tudo bem? Achei útil entender o contexto em que o artigo foi escrito, mas ele foge à proposta da discussão, que é termos a meritocracia como um valor da Open Knowledge Brasil. Também para fins históricos, na minha primeira apresentação sobre a Open Knowledge <http://pt.slideshare.net/everton137/open-knowledge-foundation-brasil> no Brasil, eu mencionava a meritocracia, algo que gosto desde épocas de estudante, mesmo sabendo o quão injusto alguns sistemas que tentam reconhecer algum mérito podem ser (e. g., focar dar bolsas de iniciação científica somente na média ponderada).
Gostaria de sugerir que focássemos nas ideias contidas no artigo e não desqualificássemos tudo o que foi dito devido ao seu contexto histórico ou começando com um ataque *ad hominem* ao professor Moyses Nussenzveig. Pelo menos a coleção de física básica dele e suas publicações científicas valem mais do que muita gente sequer sonhará em publicar em anos de carreira. Ele mereceu o salário pago por nossos impostos, na minha opinião. Vou dizer, agora, apenas uma coisa que gostei. *Avaliação de professores* Eu acho super importante existirem mecanismos externos para avaliar os professores e os alunos. Não sei que prova é essa GED, mas não importa aqui. Qualquer um aqui que tenha frequentado algumas universidades públicas, até mesmo algumas consideradas as melhores, sabe que existem, sim, docentes e alunos relapsos. Na minha graduação inteira vi os mais diversos tipos de docentes: 1. os não publicavam, mas eram professores que alegravam os estudantes, muitos sendo (auto-)enganados que algo aprendiam, 2. os que publicavam muito, mas não necessariamente eram bons professores, 3. os que eram péssimos pesquisadores com um nível sofrível de publicações, revistas onde publicam idem e também nem sabem bem o que falam durante as aulas 4. os que vivem fazendo só política para sobreviver, 5. os que tem uma maior dedicação a atividades de extensão, 6 os que ficam cuidando praticamente o tempo todo de tarefas administrativas, 7 os que se preocupam bastante educação, pelo menos esforçando para preparar suas aula... e vários outros perfis dentro de uma universidade que alguns conhecem melhor do que eu. Vendo esse quadro bastante díspar de perfis, perguntas: 1. Todos docentes merecem os mesmo reconhecimento diante de suas atuações profissionais? 2. Se concordarmos que alguns docentes produzem mais, alinhados com a missão da universidade onde está, e acho que ninguém vai discordar que isso ocorre, de que forma vamos dar esse reconhecimento? Financeiramente, menções honrosas, projetos? O que? 3. A tal estabilidade de um cargo público até mesmo dos parasitas universitários e alguns até corruptos, como resolvê-la? Nós vimos recentemente que a maior universidade do país, a USP, divulgou os salários dos seus docentes. Eu fiquei curioso e fui ver alguns nomes que conheço, principalmente na área que estudei. Vi até docente que cometeu plágio, a reitoria passou a mão na cabeça, e hoje ganha mais de R$ 20.000 por mês. Ou ex-diretor que pegou bode espiatório para não levar a fama. As história não param. E as diferenças exorbitantes dos salários, se devem a que? Ao mérito? Os critérios são todos justos? Eu mesmo fiquei impressionado com a diferença de salários entre alguns nomes que conheço. Independentemente da sua resposta, certo estou que quando virmos um docente relapso com um salário como os que vimos, não vamos achar justo, ainda mais com essa estabilidade do funcionalismo público. E os docentes que se dedicam para atividades de cultura, ensino e extensão, isso é valorizado? Nós sabemos que não, a produtividade acadêmica é o que conta - claro que tem que contar, pois alguém que não consegue publicar vivendo disso, algo estranho tem aí... E estou ciente do dilema 'publique ou sofra', o que pressiona também ocorrerem coisas como qualidades ruins de publicação ou até mesmo plágio, como vimos numa época não muito distante. Enfim, há outros pontos discutíveis no artigo. Podemos não concordar com tudo, mas gostaria de deixar esses questionamentos antes de voltar novamente porque acho que alguma meritocracia deve existir. Podemos até definir o que queremos dizer com isso, mas no ponto que levantei agora acho que deixo um pouco mais claro o que quero dizer. Algumas pessoas, em condições semelhantes, tem algum mérito para usufruírem de algumas recompensas. Everton Em 8 de julho de 2015 12:12, Jorge Machado <[email protected]> escreveu: > Esse artigo (do Moyses) é muito conservador e visa confundir o leitor. > Vamos ao contexto. Antes a UFRJ (onde ele dá aula) estava sob intervenção > federal. O reitor José Vilhena - terceiro colocado na votação da > universidade - havia sido indicado por decreto pelo FHC, em total > desrespeito à vontade da comunidade. Isso gerou ondas protestos que se > alastraram pelos campi da UFRJ e duraram todo mandato e geraram anos de > tensão. > > O discurso desse professor é o de uma raposa velha que tenta confundir as > coisas. Veja o ranço dele quando se refere às organizações de trabalhadores > como "hostes [de hostis, inimigos] sindicais". E "hoste" também é o serviço > militar que os vassalos deviam aos nobres no período medieval. É isso que > pensa a elite desse país pós-colonial quando os "vassalos" tentam > participar de processos decisórios... > > Esse modelo não é bom para a OKBR. Talvez a gente tem que voltar as raízes > que levaram à criação da OKBR. > > Abs > Jorge > > PS: E para falar de reitores, se fosse pelo mérito a USP poderia ter tido > um Aziz Ab'Saber, Mário Schemberg, Antonio Cândido, Florestan Fernandes, > apenas para citar alguns... Por trás da meritocracia, temos uma > universidade pessimamente gerida, sem transparência (ou "opaca" como dizem > alguns), com *accountability* quase nulo... >
_______________________________________________ okfn-br mailing list [email protected] https://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br Unsubscribe: https://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br
