Caro Jorge, não consigo responder todos pontos por você levantado tão logo, mas gostaria de adiantar que, na minha opinão, está havendo uma confisão de conceitos. A própria definição de meritocracia não é tida como consenso, então acredito ser um exercício válido nós tentarmos definir o que estamos querendo dizer.
Sem antes mesmo definirmos o termo, já dá para ver um viés sabe-se lá baseado em que. Levo a crer que é definido a consufões feitas com o termo e condições em que ele deve ser aplicado. Até mesmo essa questão da horitontalidade é perigosa da forma como está sendo posta. Vejam o artigo simples a falácia da horizontalidade <https://medium.com/@tuliomalaspina/a-fal%C3%A1cia-da-horizontalidade-58e8fe8f4573>. Temos também o célebre artigo da ativista feminista Joe Freeman, a tirania de organizações sem estrutura <https://pt.wikipedia.org/wiki/A_tirania_de_organiza%C3%A7%C3%B5es_sem_estrutura>, que eu recomendo fortemente para todos interessados no tema (num caso recente aqui mesmo, vimos a descompostura intelectual diante do tema, como foi bem apontado por uma outra conselheira consultiva e acredito que possa ter servido de exemplo). Por fim, para tentar persuadir de minha boa-fé para chegarmos a um consenso, vou sugerir no dia da minha palestra traduzirmos o termos meriticracy <https://en.wikipedia.org/wiki/Meritocracy> da Wikipédia anglófona para a lusófona. Incluindo, inclusive, essas referências para entedermos o assunto de modo mais profundo, como sugerido. Recomendo fortemente a leitura e reflexão diante das várias condições iniciais e de contorno. Everton Em 11 de agosto de 2015 10:44, Jorge Machado <[email protected]> escreveu: > Caro Tom (e companheir@s da OKF), > > A meritocracia tem como característica uma estrutura vertical de gestão, > mecanismo de decisão top-down, a existência de hierarquias, aversão à > promoção da igualdade como critério, ausência de validação das decisões > pelas camadas de "menos mérito", o que a torna quase imune a mudanças que > venham "de baixo". Sua legitimidade não se dá através de accountabilitty > (prestação de contas), transparência, ou mecanismos de participação que > promovam interesses mais amplos, se não que apenas pelo suposto "mérito" > dos que detêm o poder. Como a universidade tem a meritocracia como base de > estrutura de poder e do processo de tomada de decisão, em parte, os > problemas que você se refere na mensagem estão associados à meritocracia. > > Outra parte dos problemas que você lista em sua mensagem se referem a > questão da estabilidade do funcionalismo público. Em poucas palavras: há o > modelo liberal, norte americano, com enorme disparidade de salários e > contratos de curta duração; e há outro modelo, social-democrata/europeu, > onde a diferença salarial é bem menor e o docente possui vínculo estável > com o serviço público. De fato, se o modelo das universidades > norte-americanas for a opção, então há que aceitar a precarização do > trabalho, a punição às mulheres que sacrificam a carreira para serem mães > (ou os pais que cuidam dos filhos, que em alguns países da Europa, podem > tirar licença-paternidade de até 2 anos). E esqueça qualquer política de > cotas, pois isso vai contra o princípio do mérito - como se a história > colonial não trouxesse consequencia às gerações seguintes! Na meritocracia, > quem está em situação desprivilegiada, o está por sua própria culpa. > > Na USP, a meritocracia criou uma série de gratificações e privilégios para > algumas castas encasteladas no poder (por "mérito") com supersalários. Na > Unicamp > <http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2015/07/1655882-cupula-da-unicamp-recebe-dois-salarios-e-ultrapassa-teto-de-sp.shtml>, > criaram até um segundo registro funcional para que os meritosos dirigentes > pudessem ter dois salários e escapassem do teto constitucional. Na USP, > como solução aos problemas financeiros que os meritosos dirigentes > causaram, os próprios decidiram desativar as creches, desmontar o Hospital > Universitário e trocar funcionários por terceirizados mal pagos por > empresas suspeitas (como a Pluri Serviços e O.O. Lima, flagradas em > diversas esquemas fraudes em licitações) com custosos contratos. > > Se pesquisar mais profundamente sobre o tema, verá que a meritocracia é > usada desde o século XVIII para defender privilégios e combater políticas > igualitárias. Esse discurso é perigoso. Assim, não me sinto representado > por uma organização que defende a "meritocracia" (desculpe Tom, me corrija > se você representa a si mesmo ou à OKF no evento organizado pelos alunos de > Sistemas de informação da USP em que falará sobre suas ideias de > meritocracia). > > Na verdade, não entendi o que levou a entrada do tema no debate (seria > temor às assembleias gerais?), nem quais seriam as consequências objetivas > dessa "filosofia" de governança. O que percebi foi uma mudança na forma de > comunicação por parte da direção executiva, que - ao invés de uma postura > discreta - passa a se manifestar sobre muitos assuntos em primeira pessoa. > > A meritocracia enquanto um princípio de governança é nociva à OKBR e > inevitavelmente aprofundará á desunião, pois muitos participantes defendem > sistemas mais horizontais e colaborativos de gestão e de tomada de decisão > - o que faz sentido com a militância dos movimentos "open". Talvez o foco > foi desviado do verdadeiro problema do *método* associado à falta de > experiência em gerir uma organização com tais características. > > Gostaria de dizer que respeito qualquer opinião contrária a minha. Vejo > essa questão como eminentemente política e ideológica, sem levar para o > lado pessoal. > > Abraços, > > Jorge > > > >
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