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Prezado Gustavo,
Concordo com tudo o que voce falou, a realidade é essa
mesmo.
Infelizmente este problema profissional, é uma
questão de mercado que trancende nossa especialidade. Temos um
país com concentração de renda muito alta em alguns locais
e faz com que todos naturalmente converjam para estes locais. Existe um grande
número de médicos formados a cada ano, existem médicos da
América do Sul imigrando para o Brasil pois a situação em
seus países está pior ainda ( na Argentina quase todos os
médicos tem outros empregos, como motorista de taxi por ex.).
Aliás no mundo inteiro está parecido. A média dos
médicos na Inglaterra (sistema totalmente estatizado) ganha em torno de
US$ 5000,00 que para o custo de vida local é pouco. Nos EUA as medicinas
de grupo estão na mesma pressão que ocorre no Brasil. A
diferenciação que voce falou é portanto muito importante,
quem como voce, montou sua carreira solidamente (titulo de especialista etc..)
deve ser sem dúvida diferenciado. Devemos é tentar promover uma
melhor distribuição de nossa especialidade pelo Brasil e melhorar
a formação do otorrinolaringologista, isto trará mais
mercado e área de trabalho e prestígio entre os colegas de outras
especialidades. Acho também que o caminho seria o término dos
credenciamentos e a livre escolha, mas infelizmente o mercado pressiona e no
final vale a velha lei do mercado, tem muita laranja o preço da laranja
abaixa, mas as laranjas de qualidade continuam vendendo bem !!!!
abraços
Ricardo Bento
Prezado Pedro e demais
Colegas,
Vamos considerar a real situação da
distribuição dos otorrinos no Brasil: uns 300
municípios brasileiros com otorrinos, etc... como foi discutido
anteriormente. Pois bem, é uma prática muito comum no interior
do Brasil, e não precisa ir muito longe (posso citar a minha cidade
que é Franca-SP), alguns colegas que fizeram um estagio
não reconhecido, não completaram a residência, ou
terminaram a graduação e se lançaram no mercado de
trabalho e na parede em letras garrafais colocam : OUVIDO, NARIZ E
GARGANTA, prestando atendimento em otorrinolaringologia, tomando
espaços de quem fez tudo direitinho.. Não são membros
da SBORL, não tem títulos de especialista e não
completaram a residência. Fazem algumas cirurgias de A+A, septo,
tumorzinho, etc... e quando a coisa complica, vaselinam e encaminham o caso
para a gente ou outros colegas e nós seguramos a
"bucha". Atendem convênios tanto quanto a gente, não
complicam para eles, pedem poucos exames e são adequados para
aquilo que interessa aos patrões da medicina de grupo,
barganham preço baixo de consultas e e de exames de audio (
muitas vezes explorando as fonoaudiólogas) em benefício
pessoal excluindo a concorrência do plano de saúde e
concordando com preços mais baixos da consulta e procedimentos,
etc...
Não
discuto o direito deste colega em exercer a medicina no que bem
entende, mas concorrem com a gente corpo a corpo, se adequam ao
"sistema" e na hora do vamos ver o paciente quer resolver sua
otite, amigdalite e, muitas vezes nem sabe o nome do médico que o
convênio encaminhou e emitiu a guia.
A realidade do
interior, mesmo em cidades maiores como a nossa é difícil. Em
cidades grandes ou em capitais a realidade profissional é outra.
Então o que fazer para proteger o colega que fez residencia, tem o
título de especialista, é membro da SBORL em dia com
suas anuidades. Eu lhes pergunto, será mesmo que idealmente
ocorrerá o credenciamento universal ??? Eu acho que na minha cidade
isto nunca ocorrerá... seria ótimo, mercado de trabalho livre,
fórum de discussão, o ideal... mas colegas, o buraco é
mais embaixo. Enquando o CRM permitir o livre exercício
de especialidades, sem critérios, sem provas de títulos
e reexames periódicos, todos e quaisquer um poderão fazer o
que bem entende. Os convênios contratam quem bem lhes convém,
pagam oque querem e para cada um que sai tem dois para entrar no
lugar. Uma
outra situação que reflete a realidade de como se exerce a
medicina no interior do Brasil é a necessidade do colega ser cotista
de um hospital que detem um convênio para trabalhar. Cobra-se de US$
40.000 a US$ 80.000 para ser membro daquele hospital e por conseguinte ter
acesso aqueles doentes conveniados e, não é só em
instituições particulares, a Unimed de Franca pediu R$ 50.000
para que o colega pudesse entrar para a cooperativa, internar e operar
no hospital da cooperativa e na Santa Casa, que é
pública.
Que reservassa de mercado !!!! Prá trabalhar ou é rico
ou bem nascido !!! Coitado daquele como eu que quando começou
não tinha nem onde cair morto.. Reserva de mercado para quem pode
mais...
Este é o mundo verdadeiro, real e selvagem da medicina, aqui e
agora. Acho
que a SBORL está no caminho certo, o Dep. Defesa Profissional, na
pessoa do Marcos e de outros tantos é excelente, o Ricardo
teambém tem boas ideias,
mas... Os
planos de defesa e avanços devem ser planejados e executados a curto
médio e longo prazo. Qual a força juridica da SBORL como
sociedade para impedir o inadequado exercício da ORL??? quanto tempo
voces acham que vai demorar para se efetivarem as mudanças?? E aqui
no interior paulista, em Macapá ou
Xanxerê???
Achei mesmo interessante o selo, podem até achar papagaiada
mas, sinceramente, tenho orgulho de ser membro da SBORL, da SBCCP, ter seus
Títulos de Especialista e fixá-los na parede, foi
difícil para mim, para meu colega lá em Boa Vista ou
Macapá ou mesmo em Passo Fundo e para tantos outros chegarmos
lá. Por que não valorizarmos o que já é
nosso, está em nossas mão e não custará tanto
??? Um grande
abraço a todos e...desculpem-nos o
desabafo.
Gustavo.
At 19:12 19/09/00 -0300, you wrote:
Confesso que gostaria de
entender a sentença: Hoje em dia qualquer um coloca na tabuleta : >
"OUVIDO , NARIZ E GARGANTA" e sai por aí fazendo
amigdalectomia" escrita por alguem do
grupo. alguem poderia me ajudar nessa tarefa?
Obrigado
pedro
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