Gostaria de também lançar minha indignação com relação à colegas que se auto intitulam otorrinolaringologistas e ainda, são apoiados por professores de Faculdade, os quais assinam cartas corroborando com uma mentira e desvalorizando nossa especialidade. É o que está acontecendo em Três Rios (RJ), cidade em que uma colega além de trabalhar na Prefeitura nessa especialidade, ainda , pasmem, conseguiu entrar para a  Unimed local. A colega não opera, não sabe interpretar audiometrias, TC ou videolaringoscopias. Sou proprietária de um Serviço de ORL na cidade e nenhum exame pode ser mandado para ela sem laudo. É uma enganadora e que inclusive agora, no Congresso de Natal pretende apresentar um trabalho, sem que nenhum comprovante de especialidade lhe tenha sido exigido. É apoiada por colegas da cidade de Petrópolis (bem próxima à nossa) porém não conseguiu lá nenhum emprego público nem entrar para nenhum convênio (por quê ??????). O que a diferencia de nós, que tanto sacrifício fizemos para fazer uma Residência Médica e até quando estaremos à mercê desses enganadores ?
      Valéria Lannes.
-----Mensagem original-----
De: Gustavo A. P. Caldeira <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Quarta-feira, 20 de Setembro de 2000 14:30
Assunto: Re: [otorri.] Dúvida

        Prezado Pedro e demais Colegas,

        Vamos considerar a real situação da distribuição dos otorrinos no Brasil: uns 300 municípios brasileiros com otorrinos, etc... como foi discutido anteriormente. Pois bem, é uma prática muito comum no interior do Brasil, e não precisa ir muito longe (posso citar a minha cidade que é Franca-SP),  alguns colegas que fizeram um estagio não reconhecido, não completaram a residência, ou  terminaram a graduação e se lançaram no mercado de trabalho e na parede em  letras garrafais colocam : OUVIDO, NARIZ E GARGANTA, prestando atendimento em otorrinolaringologia, tomando espaços de quem fez tudo direitinho.. Não são membros da SBORL, não tem títulos de  especialista e não completaram a residência. Fazem algumas cirurgias de A+A, septo, tumorzinho, etc... e quando a coisa complica, vaselinam e encaminham o caso para  a gente ou outros colegas e nós seguramos a "bucha". Atendem convênios tanto quanto a gente, não complicam  para eles, pedem poucos exames e são adequados para aquilo que  interessa aos patrões da medicina de grupo, barganham preço baixo de consultas e  e de exames de audio ( muitas vezes explorando as fonoaudiólogas) em benefício pessoal excluindo a concorrência do plano de saúde e concordando com preços mais baixos da consulta e procedimentos, etc...
                Não discuto o direito deste colega em exercer a medicina  no que bem entende, mas concorrem com a gente corpo a corpo, se adequam ao "sistema" e na hora do vamos ver o paciente quer resolver sua otite, amigdalite e, muitas vezes nem sabe o nome do médico que o convênio encaminhou e  emitiu a guia.
        A realidade do interior, mesmo em cidades maiores como a nossa é difícil. Em cidades grandes ou em capitais a realidade profissional é outra. Então o que fazer para proteger o colega que fez residencia, tem o título de  especialista, é membro da SBORL em dia com suas anuidades. Eu lhes pergunto, será mesmo que idealmente ocorrerá o credenciamento universal ??? Eu acho que na minha cidade isto nunca ocorrerá... seria ótimo, mercado de trabalho livre, fórum de discussão, o ideal... mas colegas, o buraco é mais embaixo. Enquando o CRM permitir o livre  exercício de  especialidades, sem critérios, sem provas de títulos e reexames periódicos, todos e quaisquer um poderão fazer o que bem entende. Os convênios contratam quem bem lhes convém, pagam oque querem e para cada um que sai tem dois para entrar no lugar.
        Uma outra situação que reflete a realidade de como se exerce a medicina no interior do Brasil é a necessidade do colega ser cotista de um hospital que detem um convênio para trabalhar. Cobra-se de US$ 40.000 a US$ 80.000 para ser membro daquele hospital e por conseguinte ter acesso aqueles doentes conveniados e, não é só em instituições particulares, a Unimed de Franca pediu R$ 50.000 para que o colega pudesse entrar para  a cooperativa, internar e operar no hospital da cooperativa e na Santa Casa, que é pública.
        Que reservassa de mercado !!!! Prá trabalhar ou é rico ou bem nascido !!! Coitado daquele como eu que quando começou não tinha nem onde cair morto. Reserva de mercado para quem pode mais...
         Este é o mundo verdadeiro, real e selvagem da medicina, aqui e agora.
        Acho que a SBORL está no caminho certo, o Dep. Defesa Profissional, na pessoa do Marcos e de outros tantos é excelente, o Ricardo teambém tem boas ideias, mas...
        Os planos de defesa e avanços devem ser planejados e executados a curto médio e longo prazo. Qual a força juridica da SBORL como sociedade para impedir o inadequado exercício da ORL??? quanto tempo voces acham que vai demorar para se efetivarem as mudanças?? E aqui no interior paulista, em Macapá ou Xanxerê???
        Achei mesmo interessante o selo, podem até achar papagaiada mas, sinceramente, tenho orgulho de ser membro da SBORL, da SBCCP, ter seus Títulos de Especialista e fixá-los na parede, foi difícil para mim, para meu colega lá em Boa Vista ou Macapá ou mesmo em Passo Fundo e para tantos outros chegarmos lá.  Por que não valorizarmos o que já é nosso, está em nossas mão e não custará tanto ???
        Um grande abraço a todos e...desculpem-nos o desabafo.
        
        Gustavo.

At 19:12 19/09/00 -0300, you wrote:
Confesso que gostaria de entender a sentença: Hoje em dia qualquer um coloca na tabuleta :
> "OUVIDO , NARIZ E GARGANTA" e sai por aí fazendo amigdalectomia
"
escrita por alguem do grupo. alguem poderia me ajudar nessa tarefa?

Obrigado

pedro

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