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Eu ainda tinha
dúvidas sobre a polêmica de ter ou
não ter arma em casa, até no
fim-de-semana, quando uma foto no jornal mostrou meninos
de um morro carioca, armados até os dentes. Era
um fuzil AR-15, uma submetralhadora Uzi, uma escopeta,
e duas pistolas automáticas de 9mm. Nenhuma
dessas armas teria sido encontrada na casa de algum
cidadão “de bem”. Elas não
podem ser registradas. Todas são armas privativas
de forças armadas ou
policiais.
Se a gente levar a sério o argumento de que devem
ser proibidas armas em casa porque elas abastecem os
bandidos, então devem ser proibidas as armas do
exército e das polícias, porque os
bandidos estão usando armas iguais às
daquelas forças. A conclusão é
tão absurda quanto o argumento dos que querem
retirar do cidadão o direito de defender sua
família. Um direito que nasceu com o gênero
humano. Na Austrália, quando tiraram as armas das
casas, o ataque a residências cresceu 70%. Os
bandidos passaram a ter a segurança de que
não haveria
reação.
Também no fim-de-semana, a polícia
encontrou o matador do prefeito de Santo André.
Ele tinha, em casa, um fuzil AR-15 e pistolas 9mm. Se
não foram armas roubadas da polícia,
são armas contrabandeadas, traficadas. A
bandidagem não se abastece de armas permitidas
para o registro doméstico, de calibre 22 ou 32.
É pouca potência. Nem de espingarda. A arma
longa que querem é o AK47 ou o AR15. (Nós,
jornalistas, que não entendemos de armas,
chamamos essas armas de “armas pesadas”.
Arma pesada é a que um homem não consegue
carregar. Uma metralhadora Browning .50 é uma
arma pesada, assim como um morteiro 81 ou um
canhão. Fuzis são armas leves. Longas e
automáticas, mas leves. Tanto que o usado pelo
Exército Brasileiro se chama FAL, que quer dizer
Fuzil Automático
Leve.)
Também nós, jornalistas, ficamos
escandalizados, tremelicando, quando o Senador
Íris Rezende declarou ter 14 armas em casa. Mas
podem ter certeza que a bandidagem vai pensar duas vezes
antes de entrar na casa ou na fazenda do Senador. A
senadora Emília Fernandes, do PT gaúcho,
já espantou assaltante duas vezes. Uma, de arma
em punho, fazendo-o pular o muro de seu quintal à
bala; outra, fingindo que iria sacar o revólver
da bolsa. É claro, arma não é
brinquedo. É preciso ser guardada fora do alcance
de quem não souber manejá-la e é
preciso ser muito bem conhecida, ter bom treino com ela
e muito equilíbrio mental antes de pensar em
usá-la.
Proibir arma em casa significa banir também as
facas da cozinha. Outro argumento é de que o
revólver em casa é um convite para
ser usado em briga conjugal ou com vizinhos. E a faca,
não? Um levantamento feito no Rio Grande do Sul,
mostra que dos homicídios julgados, 66% foram com
arma de fogo e 34% com faca. Dos réus que usaram
faca, 70% foram condenados; dos que usaram arma de fogo,
73% foram absolvidos. A arma de fogo tem sido mais usada
para legítima defesa. A faca, para
agredir.
A arma de fogo tem provocado acidentes com
crianças? Sim. Mas com base nesse argumento,
é preciso proibir as famílias de
incluírem o álcool nas compras no
supermercado. O número de acidentes infantis com
álcool é dezenas de vezes maior.
Será que, impedidos em nosso direito de ir-e-vir
ainda temos que ficar trancados em casa, e ainda assim
esperando um assalto a qualquer momento? Tirar as armas
das pessoas de bem é fácil. Basta fazer a
lei que muitos estão propondo. O desafio é
tirar as armas dos fora-da-lei. Como escreveu o ministro
o STM, Flávio Bierrembach: “Desarmar as
vítimas é dar segurança aos
facínoras.” |
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