Estou entrando agora nessa discussão, que acho muito importante. Creio que o sistema de classificação de rodovias no Brasil deve refletir a diferença entre as rodovias, e não a entidade administrativa responsável pela sua manutenção. A malha rodoviária federal projetada não reflete a qualidade, tipo e importância das rodovias que se verifica na prática. Existem rodovias federais de boa qualidade, mas também existem rodovias estaduais tão boas quanto ou melhores que as federais. Existem ainda rodovias federais cuja administração é delegada aos estados e coincidem com rodovias estaduais (no Rio Grande do Sul, as RSC, antigas RST). Existem ainda rodovias federais de chão, em estado precário e rodovias federais planejadas. O órgão administrador das rodovias é apenas um dos aspectos a considerar na classificação das vias, e é o mais fácil de ser extraído da base de dados a partir de outros atributos. Usando a base de dados do OSM, é relativamente fácil gerar um mapa em que as rodovias federais tenham destaque sobre as estaduais e estas sobre as municipais, quase sem a necessidade de avaliar o tag "highway". Basta para isso que as relações que descrevem as rodovias tenham definido o tag "network" adequado (use network=BR para as rodovias federais e network=BR:xx para as estaduais, onde xx é a sigla do estado, como BR:RS). Muito mais difícil é tentar deduzir as condições de trafegabilidade e prioridade de roteamento com base em outros atributos. O roteamento deve ser uma das preocupações principais ao classificar o tag highway de uma rodovia. Sendo assim, defendo o uso das características da via para a classificação, em detrimento do órgão administrativo responsável.
Dito isso, resta chegar a um consenso sobre como classificar os diferentes tipos de rodovia. Confesso que fiquei um pouco apreensivo com a proposta de um fluxograma, mas após estudá-lo em detalhes, creio que seja uma forma boa de definir, de maneira uniforme, como deve ser feita a classificação das rodovias. Uma vez acordado o fluxograma adequado, podemos traduzir o mesmo em definições para cada um dos possíveis valores dos tags envolvidos (principalmente os valores do tag highway, que parece ser o mais polêmico de todos). De qualquer forma, o fluxograma deve ser mantido como forma preferencial para classificar uma rodovia. Para evitar dúvidas, a versão do fluxograma a que me refiro é a que está disponível em: http://wiki.openstreetmap.org/wiki/Pt-br:How_to_map_a Antes de mais nada, devo dizer que o fluxograma está muito bom, de forma geral. Há, contudo, alguns aspectos que ainda podem ser aperfeiçoados: 1. Onde se diz "Largura >= 6m (2 ou mais carros)", substituir por "Largura para 2 ou mais carros"; uma via pode ter 5,5m e ainda ser classificada como uma das categorias maiores. O mesmo se aplica para "Largura >= 3m (1 ou mais carros)", que deve ser substituido por "Largura para 1 ou mais carros". 2. Uma via rural não pavimentada pode ser classificada como "tertiary", "unclassified" ou "track". Uma "tertiary" deve ter o solo compactado e ser larga o suficiente para permitir trânsito relativamente rápido (40 km/h ou mais) em ambas direções, sem necessidade de redução significativa de velocidade ao cruzar outro veículo. Uma "unclassified" pode ter o solo menos compactado e geralmente o trânsito de veículos em ambas as direções ocorre na mesma faixa, mas ainda tem largura suficiente para que dois carros vindo em direções opostas reduzam a velocidade, se desloquem meia pista para o lado direito (sobre o que seria o "acostamento") e se cruzem. Uma "track" é uma trilha não compactada e estreita, por onde passa apenas um veículo por vez (por exemplo, as vias que ligam uma fazenda a uma estrada ou dentro de uma fazenda); para um veículo cruzar o outro, um deles tem que sair da via. O fluxograma precisa ser ajustado de acordo. 3. Da forma que está, qualquer via pavimentada de uma única pista em zona residencial é "living street", o que não é correto. O que caracteriza uma "living street" (que só faz sentido na zona urbana) é que os pedestres têm preferência sobre os veículos, o que é relativamente raro no Brasil. Não se deve usar "living street" para outra coisa. 4. As "trunk" e "motorway" devem ter as três condições a seguir: A) 2 ou mais faixas por sentido; B) canteiro central ou serem de mão única; C) poucas ou nenhuma obstrução (semáforos ou interseções). As "motorway" não têm obstrução (semáforos ou interseções) e o seu acesso se dá por entradas e saídas específicas. As "trunk" e "motorway" devem ser mapeadas sempre com mão única, com uma via em cada sentido. Note que pode haver ruas com canteiro central que são mapeadas como "primary" ou "secondary", se houver muitas obstruções (por exemplo, se quase todas as ruas transversais cruzarem a via). Assim, o texto "só 1 faixa por sentido" deve ser mudado para "2 ou mais faixas por sentido E canteiro central ou mão única E poucas ou nenhuma obstrução" (e S e N devem ser trocados), e o texto que decide entre "trunk" e "motorway" deve ser mudado para "sem obstruções, acesso por entradas e saídas". 5. O texto "acostamento" (que decide entre "primary" e "secondary") deve ser mudado para "mais de 1 faixa por sentido ou acostamento largo o suficiente para estacionar um carro". Há vias com acostamento em que cabe apenas meio carro, que devem ser classificadas como "secondary". 6. O texto "- sem interseções; - comprimento >= 400m; - velocidade média >= 40km/h" não deixa claro se todos os itens devem ser satisfeitos (E) ou se apenas um dos itens é necessário (OU). Acho também difícil avaliar a velocidade média na pista. Sugiro mudar o texto para "Sem interseções E comprimento > 400 m E velocidade permitida > 40 km/h". ou eliminar completamente esse item e manter apenas a promoção por preferência. Creio também que vias urbanas não pavimentadas não devam ser classificadas como "tertiary" ou "secondary". Creio que esses são os pontos principais. Por enquanto, sugiro que se evite mudar a classificação das rodovias existentes enquanto a discussão não estiver bem madura. Em 14 de junho de 2013 16:42, Fernando Trebien <[email protected]>escreveu: > Bem Vitor, várias pessoas me contestaram quando eu propus essa forma > de classificação no início da discussão, dizendo que isso não reflete > a "importância" das vias. Quando eu terminei o fluxograma, os alemães > me disseram que era do jeito que você apontou (por nível > administrativo: federal, regional e municipal) que eles fazem lá. > Nesse ponto do processo eu já mudei a minha opinião de forma que a > "importância" me parece melhor traduzida pelo "volume de tráfego", que > é mais objetivamente expresso pela "estrutura" (que também define a > "segurança", afetando a "relevância" - logo, a "importância" - da via > ao calcular uma rota). > > Num mundo ideal, as vias nacionais deveriam ser as mais importantes, > tanto pela distância que percorrem quanto pelo responsável por elas (o > governo, que está no topo da hierarquia administrativa). A > manifestação mais comum foi justamente de que isso não se verifica na > prática em diversos casos. > > Então, embora a sua visão seja a mesma minha inicial e a mesma dos > alemães e a dos argentinos (e provavelmente de várias outras > comunidades também), nesse ponto eu já desconfio se seria "útil" > classificar assim. Algo que expressasse a estrutura me parece mais > útil para decidir a melhor rota. > > O que podemos fazer é o seguinte: fazemos um outro fluxograma tomando > o nível administrativo como critério principal, e depois cada um vota > no que achou melhor, e continuamos a partir daí. Podemos repetir a > votação ano que vem, como o Geraldo sugeriu. Eu só não sei se isso > faria muita diferença. Eu postei no fórum uma enquete sobre diferenças > entre motorway e trunk e ninguém respondeu. > > Se optarmos pelo novo, já teremos um problema porque já há uma pessoa > fazendo a reclassificação no Rio Grande do Norte. Eu mesmo não comecei > no Rio Grande do Sul por falta de tempo, mas se tivesse, a essas > alturas já teria mudado tudo. > > -- Flávio Bello Fialho [email protected]
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