Permito-me "discordar",ou melhor,sugiro,aos interessados,a pesquisa de quem
influenciou quem,embora predomine o princípio de vasos comunicantes:-
-a seresta -séc XVIII,está um pouco na linha das modas e modinhas(Caldas
Barbosa,etc...);o Fado (de Lisboa),como é hoje conhecido,vem do mesmo séc-o
mais antigo conhecido é o Fado do Marinheiro + ou- 1850,ou seja após um
século,e nada tem a vêr (?)com o Fado (dança,tipo umbigada,com origem no
Rio de Janeiro-qual a semelhança com o Fado de Quissamâ,ainda hoje
conhecido?-O 1ºsamba-canção gravado ,é o Pelo Telefone-1917 pelo
Bahiano!!!Que curiosamente no 1º ano de gravações no Brasil-1902 grava
Fados,(em Portugal a 1ªgravação é em 1904)entre eles o mais famoso
Fado-CANÇÂO DE COIMBRA-O Fado Hilário do ex-estudante de Coimbra Augusto
Hilário (1864-1896),e ainda hoje cantado-a melhor gravação é do Dr.Luiz
Goes.Para esse estudo vidé:Memória de um Sargento de Milícias (brasileiro)e
Scenas da Foz e Boémias do Espírito,do Camilo Castelo Branco."O fado" de
João do Rio. No século XIX é que se dá a entrada da Guitarra Portuguesa no
Fado.Nota-a afinação e a maneira de tocar,da Guitarra,bem como a sua fórma e
dimensões é diferente em Coimbra,aqui, um tom abaixo do Si Lá Mi Si Lá Ré.
-a principal via de transmissão,não foi via rádio,ou via disco,mas sim
transmissão oral pelos marinheiros que escalavam os pórtos do
Mindelo(o+imp)e da Praia.,excepto a partir de meados do séc XX-julgo que
estatísticamente predominavam os marinheiros de origem portuguesa (mesmo no
Brasil e na navegação de costa predominavam e que originou um célebre artigo
duma Constituição Brasileira que proibia a propriedade de Qualquer tipo de
embarcações-quaisquer que fossem as dimensões-a não brasileiros e que
originou a célebre revolta dos Poveiros! Pescadores da Póvoa de Varzim,que
então eram numerosos no Rio de Janeiro.Quem mais divulgou em Portugal a
música caboverdeana nos anos sessenta foi o BANA.
-Julgo interessante o estudo de Baptista Siqueira ,da Escola de Música da
Universidade Federal do Rio de Janeiro-LUNDUM x LUNDU -1970 e não é talvez
por acaso que o livro que citei de homenagem ao mais célebre compositor
Caboverdeano-B.LEZA ,cite Mórnas e Lundu...
-a tradição de Serenatas,em Portugal,tem,ainda hoje,a sua maior expressão em
Coimbra,quer pelos estudantes,quer pelos futricas,(os não estudantes da
cidade de Coimbra)-- A Universidade,foi fundada em 1290 e até 1911,à
excepção duma temporada em que existiu,também a Universidade de Évora, era
onde estudavam pessoas oriundas de todos os territórios que foram
portugueses-entre eles muitos Brasileiros.Considera-se que o Fado-CANÇÃO DE
COIMBRA é o resultado da mistura das músicas que os estudantes traziam das
suas terras,à preexistente na população.-é uma música em geral de
exterior---No Fado de Lisboa não ha qualquer intervenção tipo Serenata-é
mais das Tascas,dentro de portas.mais informações sobre a Canção de Coimbra
in---www.guitarradecoimbra.blogspot.com---e no sítio da Universidade de
Coimbra ---www.uc.pt---a Biblioteca Nacional de Lisboa tem muitas partituras
disponíveis gratuitamente ---www.bn.pt---
J.PINHO
---- Original Message -----
From: "Alan Romero" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Tribuna" <[email protected]>
Sent: Wednesday, August 08, 2007 9:34 PM
Subject: Re: [S-C] cabo verde - Brasil
Gente,
Pegando o bonde andando, quero dar o meu pitaco. Já estive em Cabo
Verde e entrevistei muita gente por lá. De fato, em tudo parece um
"pequeno Brasil", na mistura racial e na musicalidade do povo. Na
verdade, o que aconteceu foi uma influência direta da música brasileira na
música cabo-verdiana. Como o arquipélago é situado praticamente à
altura do nordeste brasileiro, sempre foi costume por lá ouvir as nossas
rádios
possuidoras de sinal mais forte. Cesária Évora mesmo cita esse fato em
entrevistas quando fala de sua paixão pela Ângela Maria. A morna
moldou-se na mistura da nossa seresta e do samba-canção com o fado,
utilizando no acompanhamento a formação típica do nosso regional de
choro. Não é por acaso... Qualquer músico caboverdiano conhece Waldir
Azevedo, Pixinguinha, Jacob do Bandolim e outros autores e intérpretes
do choro. São ícones por lá. O melhor exemplo é o Bau, já citado aqui
pela Sônia. Ele começou acompanhando a Cesária Évora e depois partiu
para uma brilhante carreira solo. Tenho todos os seus discos e já o vi
em concerto diversas vezes em Lisboa. Bau é um apaixonado pela música
de Waldir Azevedo. Em todos os seus CDs ele gravou uma de suas
músicas, como homenagem a seu mestre.
Vi na cidade do Mindelo uma serenata autêntica, como nunca tinha visto
no Brasil, e conhecia mais por relatos históricos. Estava numa casa de
morna, onde depois de uma noite de cantoria, com os cantores
rivalizando como num desafio (ou numa "desgarrada", como é costume nas
casas de fado, em Portugal), o povo saiu pela porta cantando na
madrugada e foram pelas ruas até chegar na casa do homenageado. Claro
que a rua inteira acordou, e o show continuou pela noite adentro. Foi
fantástico.
A influência brasileira não é só na música, chegando nas artes
plásticas e na literatura. Nesse quesito, o melhor exemplo é o
movimento Claridade, iniciado nos anos 30 e que recebeu influência do
realismo nordestino.
Cabo Verde é um país admirável. Povo pacífico, que gosta de curtir a
vida, comer bem, namorar, ir à praia, dançar e cantar. Apesar da
aridez das ilhas, os caboverdianos tocam a sua vida com grande
bravura. Voltei de lá impressionado com a civilidade e solidariedade
do povo. Só como exemplo: ninguém joga lixo nas ruas que são tão
impecavelmente limpas como as da Suíça! Apesar da pobreza que de fato
existe, o povo vive altivamente, com muita dignidade. Quem puder ir lá
visitar, não perca a oportunidade.
Abs
Alan
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