Soninha querida (posso lhe chamar assim?), mais uma vez desgrenho os cabelos e 
tiro o chapéus para os artigos que você manda.
  Maravilhoso!
  Onde posso conseguir esse trabalho?
  Quem souber por favor me dê uma pista.
  Não conheço todos os artistas citados na matéria, mas Márcio Victor, é um 
considerado um dos melhores percussionistas da atualidade (eu não entendo nada 
de percussão mas escuto isso direto de vários profissionais dessa área).
  Ele é um dos dois únicos percussionistas baianos a gravarem com João 
Gilberto: Carlinhos Brown e Márcio Victor.
  Tá certo que as letras do Psirico não são lá muito poéticas ("Vai Márcio 
Victor, passa o sabonete... Eu passo no seu, vc passa no meu! ... sabonete 
devagarinho"), mas em termos de percussão, eu não conheço nada parecido.
  Márcio mesmo fala que o Psirico é o ganha-pão dele, se não fizer o que vende 
no carnaval ele não paga as contas do fim-do-mês. Agora ele na percussão é 
genial. O colocaria tranquilamente ao lado de Naná Vasconcelos e Hermeto (sem 
contar Brown, que ele tem como um mestre). Na verdade, Márcio Victor é Ogã e 
toca em terreiros de candomblé desde os 3 anos de idade e vem de uma família em 
que a percussão fala mais alto. Seu tio Ninha (ex-cantor do Timbalada que 
gritava "Bebeu água? Tá com sede? Olha, olha, olha, olha água mineral...", é só 
um exemplo. Antes que alguém me pergunte, e o samba e choro com isso? O que ele 
faz é uma variação de samba sim. Na verdade, uma variação de outra variação: o 
samba-reggae. Certa vez eu estava no estúdio vendo o Psirico ensaiar e Márcio, 
insatisfeito com a Percussão de uma das músicas parou tudo e na mesma hora 
imaginou um arranjo completamente diferente para o pessoal da cozinha. Disse 
assim:
  Conga vc faz essa frase assim...
  Surdo, essa frase assim...
  Bateria, segura nesse ritmo aqui
  Timbales, dobra ali, etc e tal...
  Depois de alguns minutos em que os músicos demoraram pra assimilar as 
informações novas. Ele deu o sinal e todo mundo tocou junto, resultado:
  Perfeito.
  Ou seja, em questão de segundos, com uma música rolando no estúdio, ele 
simplesmente bolou um arranjo percussivo completamente diferente, desmembrou o 
arranjo em funções específicas por instrumento e só quando tudo estava 
mentalmente pronto, parou o ensaio e passou as novas idéias pro grupo. Vocês 
não fazem idéia do barulho que estava no estúdio... Coisa de gênio. Nesse mesmo 
dia, ele me disse que tinha um projeto pra transformar as músicas do Psirico em 
arranjos de choro com Violão de 7 cordas, Viola Caipira, Cavaquinho, Bandolim e 
um Pandeiro.
  Pois concebia a melodia de muitas músicas como choro. Fiquei de providenciar 
isso pra ele, mas sinceramente nunca finalizei nada. Mais falta de grana (e 
tempo) pra fazer isso do que de interesse. É uma idéia muito boa, que não tem 
pretensão nenhuma em ser chamada de choro e cujo resultado final vai ser no 
mínimo curioso, pra não dizer interessante. Não vejo a hora de poder parar tudo 
pra me dedicar a isso aí...
   
  Soninha, desculpa ter me focado tanto em um músico só do seu comentário. Mas 
pra falar a verdade é o único que eu conheço, pelo menos que tenho contato... 
Mas pelo que vc descreveu esse trabalho é interessantíssimo
  Quero ter contato com ele.
   
  Abs
   
   
  Marcelo Neder

Sonia Palhares Marinho <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
  Extraído do Jornal Correio Braziliense de 19.08.2007 (domingo)


Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_158.htm


MPB

Estudando o samba-reggae

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Teresa Albuquerque
Da equipe do Correio
Zoy Anastassakis/Divulgação



Quito Ribeiro nunca tinha pensado em fazer disco solo, cantando as próprias 
composições. Até o dia em que viu Jussara Silveira gravar uma música dele, 
Rainha de lá, no estúdio de Chico Neves, com Pedro Sá no baixo (e não na 
guitarra, o instrumento habitual) e Márcio Victor na percussão. Era tudo o 
que sonhava: o produtor com quem sempre quis trabalhar, o amigo carioca que 
lhe dava força e o amigo baiano de muitos carnavais. “Só então deu o 
clique”, conta o soteropolitano de 36 anos, radicado no Rio desde 1995. 
Animado com o núcleo que se formara em torno da canção dele, Quito passou os 
últimos quatro anos no mesmo Estúdio 304, gravando seu primeiro CD, Uma 
coisa só, produzido por Chico Neves e Pedro Sá.

Demorou, mas saiu. E embora não tivesse a pretensão de se lançar como cantor 
– dava-se por satisfeito tendo suas composições interpretadas por nomes como 
Gal Costa, Daúde, Kátia B, Ivete Sangalo e Daniela Mercury –, ele ficou 
feliz com o resultado. “Minhas músicas vinham sendo gravadas por muita 
gente, só que chega um momento em que você começa a fazer mais do que as 
pessoas gravam. Lá pelo ano 2000, comecei a ter música demais e intérprete 
de menos”, diz Quito, que assina as 14 faixas do CD. Habituado a trabalhar 
com parceiros (os mais freqüentes são Lucas Santtana e Moreno Veloso), desta 
vez ele só dividiu uma canção, Prato do mundo, com Betão Aguiar.

Uma coisa só ergue a ponte entre o Rio e a Bahia em vários sentidos. 
Inclusive pelos músicos, que gostam de andar pelos dois lados. Pedro Sá e 
Moreno, Quito conheceu no carnaval de Salvador, antes de se mudar para o Rio 
e encontrar o resto da turma – Kassin, Domenico, Léo Monteiro e Stephane San 
Juan, outros quatro integrantes da Orquestra Imperial, também participam do 
disco. “Eles já tinham a bagagem da música de lá”, ressalta. Davi Moraes, 
Daniel Jobim, Benjão (Carne de Segunda) e até um tecladista de Bangladesh, 
Kishon Khan, entraram na roda. Do lado baiano, há o violão do tribalista 
Cézar Mendes e a percussão marcante de Márcio Victor, que passou pela banda 
de Caetano Veloso, tocou com Carlinhos Brown e hoje é líder do Psirico.

A inspiração para o álbum veio da própria trajetória do compositor,
da convivência com o samba-reggae, com os tambores nas ruas da Bahia. “Tinha 
14 anos quando atentei para o carnaval, com o Olodum fazendo aquele 
estrondo”, ele conta. “Vi aquilo tudo de maneira muito intensa. E isso foi 
se diluindo com o tempo – não na intensidade, mas no tipo de leitura. O 
Araketu leu o samba-reggae de uma maneira, Daniela Mercury de outra. Quis 
mostrar a minha. A idéia era desconstruir mesmo, usar numa música o atabaque 
do candomblé, em outra reforçar a origem reggae.”

Quito queria mostrar tanto o lado do samba quanto o do reggae. De onde ele 
vem e para onde pode ir. Para isso, voltou à década de 1970, ao Ilê Aiyê, e 
à de 1980, do Olodum. E pulou para os dias de hoje, para o dub, para o funk. 
“Não tenho preconceito contra a axé music”, ressalta. “Mas queria trazer o 
samba-reggae ‘original’, propor outra leitura daquela música dos anos 1970 e 
1980. Tanto que não uso metal, coisa que ficou muito marcada na música 
baiana dos anos 1990. É mais baixo e percussão.”

Carlinhos Brown é referência (foi ele quem sugeriu o termo “Neuroeuropeu”, 
que dá título à sétima faixa), claro, assim como Fela Kuti, Linton Kwesi 
Johnson, Michael Jackson, Mano Brown, Nação Zumbi. Influências à parte, 
Quito faz um som novo (ainda que absolutamente familiar), com toques de 
música caribenha (“para mim, muito do samba-reggae é Cuba”), em faixas como 
Bembé e Warm, aproxima Rio e Bahia em Artificial, e acerta a mão 
especialmente em duas, Nêga (com atabaques de terreiro e sintetizadores), e 
Santinha.

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