Oi, turma:
A bíblia da classe média reacionária - Revista VEJA - traz matéria sobre o
samba em sua última edição. A matéria tem ainda uma continuidade sob o
título "Quadro: A evolução do samba", mas como não sou assinante - e jamais
serei - nao consegui ter acesso ao restante. Quem tiver como acessar, favor
postar o restante do texto aqui.
Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)
http://veja.abril.com.br/220807/p_122.shtml
Música
O SAMBA VOLTOU. NADA DE NOVO NO SAMBA
O gênero cativa os jovens e as gravadoras, e volta a ser dominante na música
brasileira. Mas os artistas pecam pelo tradicionalismo
Sérgio Martins
Perto de completar 100 anos, o samba ressurge como um gênero dominante na
música brasileira. O movimento começou há cerca de uma década, quando o
bairro da Lapa, reduto tradicional da boemia carioca, passou a atrair, com
seus bares de música ao vivo, um público jovem de classe média. "Era o que
nós chamávamos de turma do chinelinho, uma rapaziada barbuda e com pouco
dinheiro no bolso que ia nos ver para curtir sambas antigos", diz o cantor
Pedro Miranda, que se apresenta num dos espaços pioneiros. Dali, a cena se
estendeu para São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre. Nas casas
especializadas dessas cidades, desenvolveu-se um habitat semelhante ao da
Lapa: garotos de classe média com visual de roqueiro e ginga de sambista.
O fenômeno cresceu de tal forma que chegou ao mercado de discos. Os cariocas
Teresa Cristina e Diogo Nogueira e o grupo paulistano Quinteto em Branco e
Preto são crias do circuito do samba que acabam de assinar contrato com
grandes gravadoras. Em paralelo, cantoras em ascensão como Mariana Aydar ou
Roberta Sá, que não são propriamente sambistas, incluem sambas em seu
repertório por gosto, mas também por terem consciência do seu poder de
atração. Nisso elas se espelham em Marisa Monte, que há um bom tempo defende
a causa, a ponto de haver lançado, por seu próprio selo, coletâneas da
velha-guarda da Portela.
O samba nasceu em 1917, quando Donga e Mauro de Almeida compuseram Pelo
Telefone. Do ponto de vista formal, era uma canção estranha, próxima do
maxixe, que chegou a ser descrita até como tango. Mas, gravada em disco,
registrada na Biblioteca Nacional e transformada em sucesso numa bem urdida
campanha de divulgação, Pelo Telefone se tornou o marco zero de um novo
gênero, que logo ocupou um espaço cultural único. Lá estava um tipo de
música em que o Brasil marginal e o Brasil oficial, o do morro e o da
gravadora, o dos malandros e o da classe média, se amalgamavam de maneira
inédita. Nas duas décadas seguintes, o samba foi virando emblema da
identidade nacional até ganhar chancela do governo na era Vargas. Essa
história talvez ajude a entender o apelo do samba hoje em dia. Ele tem a
aura da "autenticidade" uma palavra essencial no vocabulário da turma do
chinelinho. Além disso, remete a uma marginalidade cordial e idealizada em
vez de falar de violência real, como o rap, por exemplo.
O samba passou por diversas transformações musicais ao longo das décadas
(veja o quadro). Um desvio recente, nos anos 90, desembocou na atrocidade do
"pagode mauricinho", que se inspirava na pior música negra americana. A
atual onda do samba é o contrário disso. Seus artistas zelam pela tradição e
se inspiram em Noel Rosa, Cartola, Nelson Cavaquinho ou Paulinho da Viola
(que lança em outubro um Acústico MTV). Sempre que possível, eles buscam o
apadrinhamento de veteranos. Leci Brandão, por exemplo, despontou na década
de 70, mas depois se eclipsou. Amargou um longo período de ostracismo,
lançando seus discos por selos de menor expressão e fazendo apresentações na
periferia das principais capitais do Brasil. No ano passado, foi
surpreendida pelo telefonema da cantora Mariana Aydar, que pediu que Leci
lhe cedesse a canção Zé do Caroço e a convidou para cantar em seu disco de
estréia, Kavita 1. O lado anedótico desse apadrinhamento fica por conta da
cantora Beth Carvalho. Uma das sambistas de maior sucesso comercial da
história, Beth se especializou em "abraçar" novos talentos. Seu afã é tão
grande que alguns se sentem incomodados com as investidas da madrinha. Há
quem evite esbarrar com Beth para não ser transformado compulsoriamente em
pupilo.
O perigo bastante real que ronda os jovens artistas do samba é eles se
tornarem meros repetidores de canções de cinqüenta anos atrás. Alguns se dão
conta dessa ameaça. "Muita gente está pecando pela reverência exagerada e
pela preocupação com o que o pessoal da velha-guarda vai achar do seu
trabalho", diz o cantor e compositor Edu Krieger, de 33 anos. O cantor
Marcos Sacramento também teme a repetição. "No samba, temos de ser hereges",
diz ele, que se esforça para dar roupagem diferente a canções de Baden
Powell, Cartola ou Chico Buarque. Por uma via lateral, Marcelo D2 se
aventura na mistura de samba e hip hop, mas ainda não produziu algo sólido.
O samba voltou. Mas não há nada de novo no samba.
_________________________________________________________________
O Windows Live Spaces é seu espaço na internet com fotos (500 por mês), blog
e agora com rede social http://spaces.live.com/
_______________________________________________
Para CANCELAR sua assinatura:
http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
Para ASSINAR esta lista:
http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA:
http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta