Pois é, Marcelo,
Assino em baixo em quase tudo. Sou descaradamente a favor dos
copylefts, do acesso livre à obra digital do artista. Funciona como a
questão das reproduções de telas clássicas, a grosso modo e
guardadadas as devidas proporções. Eu posso ter a Monalisa na minha
sala, seja em forma de calendário ou numa reprodução de qualidade ou,
quem sabe, uma bela réplica, que deve custar algumas centenas de
milhares de dólares. Posso ter o DVD pirata do Paulinho, ou uma versão
standard com letras e extras em blue-ray. Posso até optar por um
estojo de luxo, em madeira inspirada nas obras de marcenaria do
próprio Paulinho (olha eu aqui dando dicas de marketing), com
miniaturas em madeira de seu cavaco e seu violão e um livreto com
fotos em papel cêra. Tudo fruto do mesmo produto - o "Acústico MTV",
ao gosto do freguês. Posso ouvir o Rei nas madrugadas da Rádio Globo
("Planeta Rei, ao gosto de Beto Brito)ao custo apenas das pilhas
Eveready, posso comprar seu CD genérico, seu DVD genérico, gastando
uma cocada a mais, ou mesmo seus produtos originais. posso ver seu
show grátis na Quinta da Boa Vista ou no cruzeiro de um navio europeu.
Ao gosto do freguês. Quem regula o preço é o mercado.
Cabe a mim tentar chegar até onde meu desejo deseja de verdade. Bom e
velho mercado (gente, como eu ando capitalsita nesses tempos!)
Abs,
Eugenio.
PS: Obrigado, presidente Lula!! Eu era um fudido há coisa de 7 anos
atrás, hoje to quase pensando em dividir em 80 vees um cruzeiro com "a
dona da minha vida", para estar mais perto DELE.
Em 15/01/08, Marcelo Neder<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> E tem outra, Sônia.
> é interessante a quem produz, que o "povo" fique de fora.
> Isso é o que mais me incomoda.
>
> Vira um mecanismo de alienação cultural mesmo, pra ter o controle e o
> comando. Sabe porquê? Se o show é divulgado com dois meses de antecedência,
> ia ter muito fã do sambista, pobre, disposto a juntar o suado dinheirinho do
> seu salário, pra não perder esse show.
> Mas aí ia "enfeiar" a platéia e espantar patrocinadores.
> Então o que fazem: o show é divulgado em cima da hora, quase que na mesma
> semana. Aí, só vai quem tem a disposição o valor imediato (ou cartão de
> crédito pra parcelar a perder de vista), enfim!
> É como o Eugênio falou sobre os jogos de futebol na Europa, quem pode paga,
> quem não pode fica em casa assistindo o "show da publicidade", como diz o
> Faustão...
> Por conta disso, fico muito ressabiado em dizer que sou contra a pirataria.
> Será que se eu comprar o produto original, vou estar realmente lesando o meu
> artista, ou é a gravadora? Sim, porque os créditos do patrocínio de quem
> realmente banca o DVD, aparecem no pirata e no original. E a divulgação é
> monstruasamente maior, gerando o interesse imediato em todo esse público em
> pagar ingressos originais em shows (e nesse caso, só compra ingresso
> falsificado quem é otário, pois sabe que vai ficar de fora).
> A fonte de renda de artistas vem muito mais de shows do que da venda de
> discos, sempre foi assim. Mesmo em casos excepcionais, como uma Xuxa da vida
> que tem seus discos vendidos nas casas das dezenas de milhão, (e nesses
> casos, PRINCIPALMENTE, nesses casos) não passa nem um pingo de necessidade,
> pois aparece um patrocinador gordo, que não ignora o poder de penetração
> publicitária de um arti$ta desse quilate $$$, e fecha generosos contratos de
> publicidade. O Zeca não está aí com a Brahma?
> Então? É assim que a roda gira...
> Eu é que não vou discriminar o pedreiro que paga R$5,00 no acústico MTV do
> Zeca. O Pagodinho tá com a vida ganha, bebendo cerveja de graça.
>
> Esse modelo atual, está com os dias contados. A internet e os mp3 são um
> efeito irreversível. Eu diria até que mais evoluído. Alguns artistas já
> estão começando a se adaptar a essa realidade. Aqui em Salvador, o Olodum é
> um exemplo disso. Já foi divulgado que não vão mais lançar CDs. Daqui pra
> frente vão divulgar suas músicas no site do grupo e se preocupar com a venda
> de shows, quem quiser, que gaste sua tintazinha da impressora e um
> papelzinho de qualidade, pra ter um encarte bonitinho em casa. Vez em quando
> aparece uma palestra sobre as Creatives commons por aqui. Qualquer hora
> dessas eu vou, pra ficar mais antenado com o que vai acontecer nesse
> mercado.
> Isso muito me interessa.
>
> Abs
>
> Marcelo Neder
>
> Sonia Palhares Marinho <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> Marcelo:
>
>
> Chico Buarque esteve em Brasília há alguns anos com o show AS CIDADES. A
> produtora que contratou o show cobrou ingressos entre R$ 70,00 e R$ 160,00.
> Ao ser questionado sobre o alto valor dos ingressos, que impediria que parte
> considerável dos seus fãs pudessem assistí-lo, Chico Buarque declarou: "Por
> esse preço nem eu iria..." :-)
>
> Resumo da ópera: O olho grande dos contratantes, vide os preços do show de
> Marisa Monte, impede que um maior números de pessoas possa ver seus artistas
> queridos. É certo que o contratante tem que ganhar seu dinheiro, afinal ele
> trabalha para isso, mas a ganância deve ser combatida, inclusive com boicote
> a esses shows e, se possível, piquete na porta. Fora isso, todos esses
> mega-shows tem patrocínios fortes, muitos bancados com dinheiro do estado,
> em suma, do cidadão.
>
>
> Eu tenho assistido a todos esses shows porquê sou servidora pública e
> assinante do Correio Braziliense que sempre participa da promoção de muitos
> desses eventos, os descontos acabam sendo um bom negócio.
>
>
> Sonia Palhares (BsB-DF)
>
>
> > (...)
> > Diante de um encontro inesperado daquele (e por acaso, eu estava com meu
> inseparável cavaco na mão - ô sorte!). Me apresentei, e falei com ele.
> Paulinho, todo educado, me convidou pra sentar e ficamos, eu e ele batendo
> papo no saguão do hotel. O próprio Paulinho, citou achar caro o preço do
> ingresso, e disse que se sentia muito incomodado em saber que de repente,
> mil, duas mil pessoas, não teriam acesso ao show dele. Questionei a
> produtora (não a produtora dele, mas a contratante que estava sentada
> tomando café com ele), sobre o porque de não ter feito na Concha Acústica do
> TCA, em que a lotação é maior (6000 pessoas, contra 1600 da Sala Principal
> do TCA. Isso permitiria entradas mais baratas.
> >(...)
>
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