O que não dá é ficar aguentando uma imprensa musical que não conhece suas raízes e que insiste em chamar o Arlindo Cruz de "gênio do samba", "um dos maiores compositores de samba" e "bamba"
Insisto em dizer que Arlindo Cruz, FDQ e toda a turma de Ramos fazem Pagode-de-raiz, ao passo que os imitadores chucros de boy bands estadunidenses fazem o chamado "pagode mauricinho" ou, Bunda Music On 2/25/08, Caio Pontual <[EMAIL PROTECTED]> wrote: > > Pois é, Roberto, seria necessário, ao meu ver, separar essa musica que > alguém denominou (erroneamente) de pagode, e que alguns ainda insistem de > chamar simplesmente de samba, assim como houveram tantos subgrupos dentro > do > samba (samba rock, samba canção, samba de breque e etc.) talvez esse seria > mais um que poderia ser chamado por ex.: Samba Pagode, ou Samba de Ramos, > ou > ainda Samba de Banjo e Tantan, quem sabe?......... > > Abraços > Caio Pontual. > > > ----- Original Message ----- > From: "Roberto Ponciano" <[EMAIL PROTECTED]> > To: "vini correia" <[EMAIL PROTECTED]> > Cc: "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]>; "Tribuna" > <[email protected]> > Sent: Monday, February 25, 2008 11:01 AM > Subject: [S-C] Ao Caio, Bunda Music > > > > Caio, entendo sua posição, e respeito, só que ainda acho que há um maus > > uso da palavra pagode, que não pode ser restringida ao Bunda Music. > > Aliás, o melhor termo quem inventou mesmo foi o GÊNIO Nei Lopes, na > > saudosa revista Bundas. > > Bunda Music. > > Breganejo, Pagode Mauriçola, Axé Music, todos concordamos que é bunda > > music. > > Só não gosto de generalizar o uso do termo pagode, por que há um outro > uso > > para ele também. > > Um abraço > > > > vini correia <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: Pelo que li das > respostas > > e o que deu para refletir. Tive a impressao que > > a visão do Roberto sobre a diferença entre samba x pagode seja a mais > > coerente. Pagode nao é ritmo, e sim, a reuniao de pessoas pra cantar > > samba. > > Podemos comprovar, de certa forma, com a letra do mestre Paulinho da > > Viola. > > Existe um certo ranço-preconceito contra a palavra pagode. O que > Paulinho, > > Monarco, ou até mesmo o saudoso Bezerra da Silva falaria sobre isso? Não > > sei. Imagino que a etimologia da palavra acabou se perdendo com o tempo, > > ou > > seja, hoje pagode tem um significado pejorativo, negativo, ao contrario > de > > antigamente, seguinifica "samba" de baixa qualidade. Algumas pessoas > > confudem partido-alto com pagode também, etc. Mas isso é normal, não é > > novidade, acontece com todos os seguimentos da musica. Imaginem se > > tivermos > > discutindo o que é rock? Existe uma gama de estilos dentro do rock: > > indie, > > trash, beatnik, rockabilly, metal, meloso, gotico, etc...o samba é > > generico, pois tem diferença de estilos como o partido alto, samba > enredo, > > samba de roda, choro, samba-cançao, etc... no rock tem o underground de > um > > lado, tem o comercial do outro. E isto acontece também com o samba. > > > > Conclusão, o que Beth Carvalho, Zeca, Bezerra, FDQ,Jorge Aragao, Arlindo > > Cruz & Cia, cantam é samba....pode ser um samba popular, diferente de > > jamelao, nelson cavaquinho, paulinho, cartola, noel & Cia, mas é samba > > também!! Aquele samba cantado com uiuiui aiaiai meloso de doer, não é > > samba, > > e pelo visto, nem pagode.... > > > > > > > > > > > > > > On 2/23/08, Roberto Ponciano wrote: > >> > >> Domingo lá na casa do Vavá, teve um tremendo PAGODE que você nem pode > >> imaginar - Paulinho da Viola. > >> > >> Quitandeiro, leva cheiro e tomate, na casa ... mas não se esqueça de > >> avisar a nega Estela, que o pessoal da Portela, vai cantar partido > alto, > >> vai > >> ter PAGODE até o dia amanhecer... > >> > >> Pagode, na verdade não é um estilo, mas a reunião das pessoas para > cantar > >> samba. O que se canta num verdadeiro é samba, e do bom, PARTIDO ALTO DA > >> PESADA. Não creio que gente como Paulinho da Viola e Monarco, bem antes > >> da > >> moda do "pagode" pegar, tenha usado o termo de maneira equivocada. > >> > >> O uso do termo para uma subespécie de música puramente comercial não > nos > >> pode levar a condená-lo, até porque há um certo ranço e generalização > >> nisto. > >> Fundo de quintal, Beth Carvalho, entre outros, cantam pagode do bom. E > >> até > >> mesmo alguns conjuntos do chamado "pagode" misturam boas músicas a > >> péssimas > >> músicas puramente comercial (ex. Revelação, capaz de gravar coisas > >> horrendas > >> e lançar algo tão bom quanto o Samba de Arerê). > >> > >> Um abraço > >> > >> Caio Pontual escreveu: Isso sim é bla bla bla. > >> É muito simples, distinguir um do outro, se um grupo de "samba" estiver > >> cantando uma musica melosa, cheia de uiuiuis e aiaiais, um deles no > vocal > >> e > >> o resto dançando uma coreografia bem boba e cantando um back vocal mais > >> bobo > >> ainda, isso é pagode ........ se a musica for boa, com letra que diga > >> alguma > >> coisa, que faça agente pensar, ou seja, que não seja uma música > >> descartável........ aí isso é Samba. > >> Abs. > >> Caio Pontual. > >> > >> > >> > >> > >> ----- Original Message ----- > >> From: "Eugenio Raggi" > >> To: "vini correia" > >> Cc: > >> Sent: Thursday, February 21, 2008 6:52 PM > >> Subject: Re: [S-C] Pagode ou Samba? > >> > >> > >> Coragem tribuneiros, o dever parece nos chamar.... > >> > >> Camarada Vini, > >> > >> Verdadeiramente essa história de samba e pagode é um grande engodo. > >> Funciona assim: existe no Brasil uma elite cultural que se apropriou > >> da cultura popular desse país desde os tempos de Villa-Lobos, que > >> prestou serviços memoráveis ao fascismo getulista. Este Maestro Heitor > >> tornou obrigatório o aprendizado de "Canto Orfeônico" em todas as > >> escolas brasileiras. O Conselho de Intelectuais que referendou o > >> Estado Novo (com Gustavo Capanema, Oswaldo Cruz, Villa, Niemeyer e > >> Portinari, entre outros). Em termos gerais, neste período, investiu-se > >> na formação de uma "elite capaz de comandar a nação". Mas a estrutura > >> da propaganda oficial tinha planos ambiciosos para a cultura popular, > >> especialmente o samba, gênero preferido do emergente operariado > >> urbano. > >> > >> Já em 1935 a Prefeitura do Distrito Federal decidiu pela estatização > >> do Carnaval, organizando e ditando as regras de como deveria ser a > >> "festa popular", regulamentando os desfiles das escolas de Samba. Em > >> 1937 um decreto constitucional impunha o caráter didático às escolas > >> de Samba e aos ranchos, que deveriam abordar temas nacionais e > >> patrióticos. > >> > >> Ações do governo procuram fazer do samba um gênero bem-comportado. Ao > >> invés de proibí-lo como se fazia no início do século, Vargas passou a > >> apoiá-lo. Claro que, com isso, incorporando-o aos interesses da elite > >> condutora. O samba perdia seu caráter de resistência e passava a > >> assumir um estilo de exaltação ao trabalho e aso valores defendidos > >> pelo Estado Novo. A malandragem deveria estar de fora. O outrora > >> malandro Wilson Batista compôs a célebre letra pelega de "O Bonde São > >> Januário" e ganhou uma aposentadoria em uma autarquia federal. > >> Pixinguinha também compôs sambas que exaltavam o Estado Novo, como > >> "Salve 19 de Abril", com Benedito Lacerda, cuja letra é um fenômeno de > >> puxa-saquismo político. > >> > >> A coisa se complicou um pouco mais após a criação do MIS, em 1965, em > >> plena Ditadura Militar, pelo então governador da Guanabara, Carlos > >> Lacerda. O MIS, de fato, foi o organismo apropriativo da Cultura > >> Popular, um verdadeiro donatário. Pelas linhagens de pesquisa do MIS, > >> muito daquilo que pode ser definido como padrão para a cultura > >> popular, especialmente a música se definiu aqui. Para o MIS, música > >> popular é , principalmente, aquela ligada essencialmente à tradição e, > >> consequencia do encabeçamento ditado por Ricardo Cravo Albim, à > >> modernidade. Entenda-se: Djavan é modernidade, é "boa arte popular". > >> Monsueto é "tradição", também "boa arte popular popular". Já Agepê não > >> se liga à estes rótulos. Faz sua arte pura e simples e - pior de tudo > >> - faz sucesso. Nada é mais cafona do que o sucesso. A "elite capaz de > >> comandar a nação" ( a mesma de 7, 8 décadas atrás) continua dona > >> daquilo que julga ser a verdadeira cultura popular. > >> > >> Diante disso, nos anos 80, com uma nova geração de sambistas ganhando > >> razoável espaço e conquistando setores do zé-povinho foi necessário > >> que se criasse um rótulo mais simples pra definir aquilo que era a > >> arte popular cuja obra é propriedade exclusiva de uma elite > >> intelectual e aquela outra que o povão insiste em escutar pedir nas > >> rádios. > >> > >> Vejam o diálogo: > >> > >> "Vamos chamar a música do Fundo de Quintal, do Agepê, do Benito, do > >> Jorge Aragão, do Agepê de um nome diferente. Não quero falar para os > >> meus amigos que escuto o mesmo gênero musical que minha cozinheira e > >> meu motorista. Eu sou diferente. Tenho estirpe. Eu fico com o Brancura > >> e o Alvaiade. Eles com Benito di Paula e Luiz Ayrão." > >> > >> "Mas, Dr. Fernandes, é tudo samba!!" > >> > >> "Não...Tudo samba não. Eu escuto samba. Eles escutam outra coisa. > >> Depois a gente pensa no nome". > >> > >> "Dr. Fernandes, que tal chamar o samba que tocar no rádio da Marinalva > >> de pagode?" > >> > >> "Pagode?? Bom nome. Passa uma impressão ruim, de pobreza..." > >> > >> "Ok, fechado. Amanhã coloco na minha coluna no jornal." > >> > >> E foi assim que ficou. > >> > >> Abs, > >> > >> Eugenio > >> > >> "Que me perdoe se eu insisto nesse tema. Mas não sei fazer poema ou > >> canção que fale de outra coisa que não seja o amor. Se o quadradismo > >> dos meus versos vai de encontro aos intelectos que não usam o coração > >> como expressão" > >> > >> > >> > >> > >> > >> Em 21/02/08, vini correia escreveu: > >> > Olá pessoal da tribuna, desculpe minha ignorancia sambistica, mas > tenho > >> > uma > >> > dúvida e gostaria de saber qual a diferença entre samba e pagode!! > >> Alguém > >> > pode me ajudar? > >> > > >> > segue abaixo alguns comentários que ouvi pelas ruas e bares, mas > ainda > >> > não > >> > foram suficientes para se chegar a uma conclusão: > >> > > >> > - "Samba é raiz. Pagode é praga." > >> > > >> > - "a grafia e a pronúncia, mas tem que prestar bastante atenção" > >> > > >> > - "É o mesmo que comparar Funk Carioca com Funk de verdade" > >> > > >> > - "antes de tudo, é necessário convivência com o samba. Escute > vários > >> > autores, mergulhe em rodas de samba, ouça muitas gravações, entre no > >> > universo de Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Candeia, > >> > Donga, > >> > Ismael, Noel, Ary Barroso, Geraldo Pereira, Ataulfo, Chico Buarque, > >> Ivone > >> > Lara, Monarco, João Nogueira, Martinho, Adoniran, Vanzolini, Wilson > >> > Batista, > >> > Caymmi, Elton Medeiros, Baden Powell, Wilson Moreira, Nelson > Sargento, > >> > Paulo > >> > Cesar Pinheiro e mais um enorme etc. > Mais do que diferenças > >> > técnicas, > >> > formais ou estilísticas, você vai sentir diferenças culturais. Isso > >> > não > >> > acontece à primeira audição, para quem está "começando a ouvir". > Estes > >> > nomes > >> > criaram, estilizaram ou desenvolveram formas de expressão que > >> entrelaçam > >> > uma > >> > profunda identificação com os elementos fundamentais do samba > (ritmo, > >> > harmonia, melodia, letra, instrumentação) com a criação individual, > a > >> > visão > >> > do artista. Os resultados são muito diversos, há muita riqueza de > >> > detalhes a > >> > conhecer. > O chamado pagode efetua uma diluição destes elementos, > >> > banalizando letras e procedimentos musicais, visando muito mais um > >> > resultado > >> > comercial imediato do que uma necessidade íntima de expressão (ou > >> > coletiva, > >> > de identidade cultural). Não há grandes autores no pagode, poetas > >> > notáveis > >> > ou compositores inspirados. As letras parecem com as de duplas > >> > breganejas. > >> > Não há inovações sonoras, mas descaracterizações, misturas > aleatórias. > >> > Busca-se a imitação de modelos midiaticamente bem sucedidos, e não > um > >> > reconhecimento da comunidade de onde vieram. Por isso diz-se também > >> > que > >> > são > >> > diferentes do samba "de raiz", são desenraizados, aculturados. > >> > Repetem-se, > >> > musical e poeticamente, até a exaustão. Tendem ao desaparecimento, > em > >> > pouco > >> > tempo. "" Daniel Brazil (site samba choro) > >> > _______________________________________________ > >> > Para CANCELAR sua assinatura: > >> > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > >> > Para ASSINAR esta lista: > >> > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > >> > Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > >> > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta > >> > > >> _______________________________________________ > >> Para CANCELAR sua assinatura: > >> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > >> Para ASSINAR esta lista: > >> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > >> Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > >> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta > >> > >> Esta mensagem foi verificada pelo E-mail Protegido Terra. > >> Scan engine: McAfee VirusScan / Atualizado em 21/02/2008 / Versão: > >> 5.2.00/5235 > >> Proteja o seu e-mail Terra: http://mail.terra.com.br/ > >> > >> > >> _______________________________________________ > >> Para CANCELAR sua assinatura: > >> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > >> Para ASSINAR esta lista: > >> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > >> Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > >> http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta > >> > >> > >> > >> Abraços, Visite minha página pessoal: > >> http://geocities.yahoo.com.br/cariocabeto > >> > >> --------------------------------- > >> Abra sua conta no Yahoo! 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