AF: Acho muito perigoso esse papo de "verdadeira música popular" como
um recurso apenas para se contrapor ao que a intelectualidade e as
elites nacionalistas apoiam.
Quem veio com esse papo aqui?? Só se foi você. Seu discurso é
propositadamente dúbio, camarada? Qual é a sua verdadeira visão a
respeito da "intelectualidade" (de onde?) ou das "elites
nacionalistas" (isso é elogio ou galhofa? Confesso que boiei...)?
AF: É verdade que a Música Popular Brasileira, como ela se concebeu a
partir da fusão dos grupos ideológicos da Bossa Nova e dos Centros
Populares de Cultura nos festivais da canção em 1965, se tornou
predominantemente de classe média, universitária etc..
O termo MPB contou com a predominância dos setores dito
intelectualizados ou da classe me(r)dia. A música popular, feita pelo
povo, continuou desconhecendo esse rótulo ou sigla. Dori Caymmi faz
música popular, assim como Amilton Lelo, mas só a obra de Dori Caymmi
recebe o rótulo de MPB. O "som" feito por Amilton Lelo ("Eu vou vender
meu coração/ eu vou vender/Eu vou vender pra quem tiver muita coragem
E só assim ninguém irá brigar comigo/Porque vendi pra aquela que me
pagou mais") não pode merecer este rótulo. Curioso? Não acho. Acho
perverso, preconceituoso, apropriativo e canalha.
AF: Mas vejo muita demagogia e muita hipocrisia quando as pessoas
chamam de "verdadeira música popular" essas coisas grosseiras como
Exaltasamba, Bruno¨& Marrone, Daniel, Tati Quebra-Barraco, Asa de
Águia, Banda Calypso, só porque seus membros tiveram, em tese, origem
pobre, ou porque caem mais facilmente na "boca do povo".
Não me surpreendo de que você jogue tudo num saco só. Artistas tão
díspares, tão diferentes, todos eles vomitados na mesma sacola de
preconceitos e padronagens estéticas sórdidas. Além disso você comete
graves erros nesses generalismos propositais. Quer dizer então que
Daniel é pobre, filho do povo? Você não tem obrigação alguma de saber
da vida desse cantor popular. Só é falta de caráter ficar chutando.
Ninguém é obrigado a gostar deste ou daquele trabalho, mas o
preconceito de origem é abominável. Qualquer pessoa razoavelmente
informada sabe que o Péricles (Exaltasamba) não está aí na mídias às
custas de seu corpinho sarado ou por seus lindos olhos azuis. Não é
necessário gostar. Apenas não formule falsas hipóteses, como achar que
o Calypso, que jamais teve uma major por trás de seus trabalhos (o
príncipe Paulinho da Viola sempre teve contrato com grandes
multinacionais), é um produto da "mass-media". Pode ser de péssima
qualidade estética, não estamos aqui para discutir isso, mas não foi
empurrado goela abaixo de ninguém pela Globo, pela Universal ou
similares.
AF: Primeiro, isso é uma visão elitista, que ganha facilmente o apoio
dos veículos da grande mídia, que é associar a idéia de "cultura
popular" ao grosseiro, ao pitoresco, ao aberrante.
O grosseiro (Jackson do Pandeiro em vários momentos por exemplo), o
pitoresco (Teixeirinha, Vicente Celestino, Germano Mathias, Bando da
Lua) e o aberrante (Cauby Peixoto, Carmen Miranda) já fazem parte da
nossa cultura musical há décadas. É apenas uma vertente, que deve ser
preservada. O cantor Daniel, que você citou anteriormente, nada tem de
grosseiro, pitoresco ou aberrante. É, portanto, diferente desse
exemplo. O que não quer dizer que ele faça uma música de excelente
qualidade. A grande mídia associa a cultura popular a esses elementos
(grosseiro, pitoresco, aberrante) porque isso é legítimo. Mas a
cultura popular não é só isso. A "grande mídia" também divulga
artistas completamente avessos a esses valores. Artistas que você deve
odiar também. Argumento furado. Você faz melhor que isso.
AF: A história de nossa cultura comprova, em dados concretos, que a
cultura popular nunca esteve associada ao grotesco.
Realmente. Carmen Miranda, Teixeirinha, Genival Lacerda, Cauby...Nada
de grotesco. Então tá....Mas é como em outras culturas do 3º mundo, em
que a "grande mídia" oprime o povo e manipula os paladares musicais.
Gente pobre culturalmente como os franceses que são manipulados pela
"mass media" que lhes impoe Christophe, os suecos com o ABBA, os
alemães com Jerry Bauen, os australianos com o Air Suply, espanhóis
com Julio Iglesias, ingleses com New Kids on The Block e italianos com
Ornella Vanoni. É isso que dá não educar o povo direito. A "mass
media" vai lá e manipula o gosto desse gado, dessa massa ignara. Pobre
povo do 3º mundo...
AF: O sambe de roda que os escravos faziam tinha inteligência,
espontaneidade, arte, dignidade, mesmo quando fazia brincadeiras
maliciosas. Já o "pagodão" pós-Tchan, que tenta se vincular à falsa
idéia de um "novo samba de roda", é milimetricamente calculado pelos
seus empresários.
É evidente que analistas de pirro feito você não levariam em conta
nenhum tipo de contexto. A liberação sexual e a mudança dos costumes
também mudam o jeito de dizer as coisas. O que você chama hoje de
"brincadeiras maliciosas" era visto como pornografia pura e mau gosto
naqueles tempos.
Muito dessa música brega-popularesca que está aí, associada à
"verdadeira cultura popular" de que falam Hermano Vianna, Paulo César
Araújo, Milton Moura (UFBA), Regina Casé, Patrícia Pillar e outros
entre ingênuos ou oportunistas, na verdade pouco têm a ver com a
verdadeira cultura popular.
Sejam os bregas "de raiz" tipo Waldick Soriano e Odair José, sejam os
grotescos explícitos tipo Banda Calypso e Tati Quebra-Barraco, sejam
os pedantes pseudo-MPB e altamente canastrões tipo Chitãozinho &
Xororó, Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano e Grupo Revelação,
todos eles não passam de pupilos dos executivos da grande mídia
Não entendi. Qual é o fenômeno de massificação que está por trás de
Odair José, do Waldick? Grandes grupos empresariais? Mega Business?
Não. Tenho certeza que você não acredita nisso. Mas, para não se
prender exclusivamente ao seu modelo de cultura preconceituoso e
excludente você insiste em eleger o capital como grande inimigo. Como
se por trás de toda breguice, toda cafonice, tudo aquilo que é
barango, brejeiro, simplório, primitivo, estivesse o "monstro mercado"
e seus tentáculos. Seu discurso é um subproduto da Guerra Fria.
Ingênuo e adolescente. Soa como uma militância forjada. Aliás, você
adota um visual à moda Luciana Genro, com madeixas desgrenhadas ou o
oleoso-pentecostal à maneira HH?
AF: símbolos desse populismo televisivo e radiofônico que contou com o
apoio mais do que explícito dos mais reacionários políticos de
direita, como Fernando Collor, Renan Calheiros, Antônio Carlos
Magalhães, etc..
Essa linhagem reacionária comanda o Brasil há 500 anos. São os mesmo
que abrigaram, no costado da mídia então estatal, gente como Radamés,
Noel, Orlando Silva, Assis Valente, Ary Barroso, Carmen, Emilinha,
Marlene, Ataulfo Alves...Pesquise um pouco e vá ver como essa gente
(talentosíssima, diga-se) valeu-se de um projeto de cultura de Estado.
Vá ver como Chico, Jobim, Caetano, Pixinguinha (teve até uma novela da
Globo com o nome de sua música) emplacavm seus grandes sucessos nas
novelas globais. Leia o levantamento feito por Paulo César Araújo
sobre as trilhas das novelas globais e veja o quanto os medalhões da
MPB foram beneficiados por este padrão global, apoiado por toda essa
gente...Collor, ACM, Sarney...Todos donos de retransmissoras da Globo,
que nos anos 60, 70 e 80, no horário nobre, executavam "Luiza"(Jobim),
"Carinhoso"(Pixinguinha) ou "Alegria, Alegria" (Caetano).
Para não dizer que isso mudou recentemente, veja quais músicas abrem
as 4 principais telenovelas da Globo atualmente: "Desejo Proibido",
das 18:00, tem "Desenredo" (Dori e Paulo César Pinheiro) como tema de
abertura. "Beleza Pura", às 19:00, tem a canção homônima de Gilberto
Gil como tema. "Duas Caras" tem Gonzaguinha pra começar. "Queridos
Amigos" tem Milton Nascimento.
Tua teoria conspiratória é uma farsa.
Isso sem falar que o sucesso "espontâneo" dessa "verdadeira música
popular" se deveu, e muito, pela decisiva farra de concessões de rádio
e TV de ACM e Sarney para políticos e empresários aliados aos dois,
nos anos 80.
Para manipular o povo com músicas ruins e impostas, né? Só falta agora
o megafone com a Internacional Socialista ao fundo pra denunciar pro
mundo inteiro esse descalabro.
Se não fosse essa falcatrua toda, ao invés de termos Alexandre Pires e
Belo como grandes ídolos, teríamos Wilson Simoninha e Pedro Luís.
Se não fosse a democracia, conquistada com muito suor, sangue e
lágrimas por essa gente, não teríamos essa diversidade cultural, onde
cada um ouve o que quer. Mas gente obtusa feito você acha que o
sucesso de belo e Alexandre Pires é um produto de mídia.
Nada disso, meu caro. "É o povo quem comanda o show e assina a
direção", não é mesmo Jorge?
Ao invés de termos Ivete Sangalo ou Cláudia Leitte, teríamos, por
exemplo, Roberta Sá como nossa diva maior.
Roberta Sá é aquela mesma que foi lançada ao público de massa pelo
"Fama", aquele programeco da "Globo"? Aquela empresa dos Marinho, dos
Sarney, dos Magalhães, dos Collor?
Você é patético.
Acho muito perigoso esse papo de "verdadeira música popular" como um
recurso apenas para se contrapor ao que a intelectualidade e as elites
nacionalistas apoiam.
É verdade que a Música Popular Brasileira, como ela se concebeu a
partir da fusão dos grupos ideológicos da Bossa Nova e dos Centros
Populares de Cultura nos festivais da canção em 1965, se tornou
predominantemente de classe média, universitária etc..
Mas vejo muita demagogia e muita hipocrisia quando as pessoas chamam
de "verdadeira música popular" essas coisas grosseiras como
Exaltasamba, Bruno¨& Marrone, Daniel, Tati Quebra-Barraco, Asa de
Águia, Banda Calypso, só porque seus membros tiveram, em tese, origem
pobre, ou porque caem mais facilmente na "boca do povo".
Primeiro, isso é uma visão elitista, que ganha facilmente o apoio dos
veículos da grande mídia, que é associar a idéia de "cultura popular"
ao grosseiro, ao pitoresco, ao aberrante. A história de nossa cultura
comprova, em dados concretos, que a cultura popular nunca esteve
associada ao grotesco. O sambe de roda que os escravos faziam tinha
inteligência, espontaneidade, arte, dignidade, mesmo quando fazia
brincadeiras maliciosas. Já o "pagodão" pós-Tchan, que tenta se
vincular à falsa idéia de um "novo samba de roda", é milimetricamente
calculado pelos seus empresários.
Muito dessa música brega-popularesca que está aí, associada à
"verdadeira cultura popular" de que falam Hermano Vianna, Paulo César
Araújo, Milton Moura (UFBA), Regina Casé, Patrícia Pillar e outros
entre ingênuos ou oportunistas, na verdade pouco têm a ver com a
verdadeira cultura popular. Sejam os bregas "de raiz" tipo Waldick
Soriano e Odair José, sejam os grotescos explícitos tipo Banda Calypso
e Tati Quebra-Barraco, sejam os pedantes pseudo-MPB e altamente
canastrões tipo Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Zezé Di Camargo
& Luciano e Grupo Revelação, todos eles não passam de pupilos dos
executivos da grande mídia, símbolos desse populismo televisivo e
radiofônico que contou com o apoio mais do que explícito dos mais
reacionários políticos de direita, como Fernando Collor, Renan
Calheiros, Antônio Carlos Magalhães, etc..
Isso sem falar que o sucesso "espontâneo" dessa "verdadeira música
popular" se deveu, e muito, pela decisiva farra de concessões de rádio
e TV de ACM e Sarney para políticos e empresários aliados aos dois,
nos anos 80. Se não fosse essa falcatrua toda, ao invés de termos
Alexandre Pires e Belo como grandes ídolos, teríamos Wilson Simoninha
e Pedro Luís. Ao invés de termos Ivete Sangalo ou Cláudia Leitte,
teríamos, por exemplo, Roberta Sá como nossa diva maior.
2008/2/28 Pedro Glóvia <[EMAIL PROTECTED]>:
> Alexandre,
>
> Prepara-te. O professor vem aí...
>
> Abraçss
>
> Alexandre Figueiredo Pereira <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: Pessoal,
>
>
> Acho muito perigoso esse papo de "verdadeira música popular" como um recurso
> apenas para se contrapor ao que a intelectualidade e as elites nacionalistas
> apoiam.
>
> É verdade que a Música Popular Brasileira, como ela se concebeu a partir da
> fusão dos grupos ideológicos da Bossa Nova e dos Centros Populares de Cultura
> nos festivais da canção em 1965, se tornou predominantemente de classe média,
> universitária etc..
>
> Mas vejo muita demagogia e muita hipocrisia quando as pessoas chamam de
> "verdadeira música popular" essas coisas grosseiras como Exaltasamba, Bruno¨&
> Marrone, Daniel, Tati Quebra-Barraco, Asa de Águia, Banda Calypso, só porque
> seus membros tiveram, em tese, origem pobre, ou porque caem mais facilmente
> na "boca do povo".
>
> Primeiro, isso é uma visão elitista, que ganha facilmente o apoio dos
> veículos da grande mídia, que é associar a idéia de "cultura popular" ao
> grosseiro, ao pitoresco, ao aberrante. A história de nossa cultura comprova,
> em dados concretos, que a cultura popular nunca esteve associada ao grotesco.
> O sambe de roda que os escravos faziam tinha inteligência, espontaneidade,
> arte, dignidade, mesmo quando fazia brincadeiras maliciosas. Já o "pagodão"
> pós-Tchan, que tenta se vincular à falsa idéia de um "novo samba de roda", é
> milimetricamente calculado pelos seus empresários.
>
> Muito dessa música brega-popularesca que está aí, associada à "verdadeira
> cultura popular" de que falam Hermano Vianna, Paulo César Araújo, Milton
> Moura (UFBA), Regina Casé, Patrícia Pillar e outros entre ingênuos ou
> oportunistas, na verdade pouco têm a ver com a verdadeira cultura popular.
> Sejam os bregas "de raiz" tipo Waldick Soriano e Odair José, sejam os
> grotescos explícitos tipo Banda Calypso e Tati Quebra-Barraco, sejam os
> pedantes pseudo-MPB e altamente canastrões tipo Chitãozinho & Xororó,
> Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano e Grupo Revelação, todos eles não
> passam de pupilos dos executivos da grande mídia, símbolos desse populismo
> televisivo e radiofônico que contou com o apoio mais do que explícito dos
> mais reacionários políticos de direita, como Fernando Collor, Renan
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>
> Isso sem falar que o sucesso "espontâneo" dessa "verdadeira música popular"
> se deveu, e muito, pela decisiva farra de concessões de rádio e TV de ACM e
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> fosse essa falcatrua toda, ao invés de termos Alexandre Pires e Belo como
> grandes ídolos, teríamos Wilson Simoninha e Pedro Luís. Ao invés de termos
> Ivete Sangalo ou Cláudia Leitte, teríamos, por exemplo, Roberta Sá como nossa
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> Bom, é isso. Abraços a todos.
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