A todos que leram, participaram da discussão, acho que sempre
acrescenta,
pois as idéias são trocadas, independentemente, de serem contrárias
ou não,
de uns estarem mais a par dos acontecimentos políticos que outros,
mas é em
fóruns como estes que podemos, enfim, interagir.
*Pessoal, diante das convocações de nosso prefeito eleito para a
composição
de suas futuras secretarias, tenho ainda que me manisfestar, afinal,
as
eleições acabaram, mas nem de longe, o meu interesse em acompanhar
tais
acontecimentos ...A tribuna é de samba e choro, mas eu é quem choro
em ver
sempre a mesma prática em se fazer política.*
Particularmente acho que ambos os candidatos tinham/têm, em seus
projetos de
governo, acordos/negociações com a iniciativa privada, a diferença é
que
Gabeira assumiu isso publicamente e dentre outras coisas se tornou o
candidato da elite, quando a meu ver, ambos são.
Não sei se a administração do Paes terá mudanças significativas,
creio que
não, pois se trata de uma consequência maior, a falta de vontade
política
que existe há anos. O fim da aprovação automática, por exemplo, é
apenas um
dos aspectos relevantes para uma reforma educacional, uma vez que a
cada
ano, vemos crianças na 4ª série, sem saber ler. Minha filha estuda
em escola
municipal, logo conheço bem de perto os problemas da educação.
Acabar com a
aprovação automática, que ele prometeu, terá que ser o 1º de dez
passos para
uma melhoria significativa, pois só esta ação, isolada, não
adianta, já que
a maioria das crianças precisa de reforço escolar e poucas unidades
escolares oferecem isso aos alunos, pois simplesmente, não há
professor. Nem
substituto, para cobrir o titular que precisa entrar de licença
médica,
deixando as crianças sem aula, muitas vezes.
Sou a favor de um orçamento participativo, de uma medicina preventiva
(projeto saúde da família), de postos médicos com todas as
especialidades
médicas para um tratamento ambulatorial, sem ter que esperar meses
para
marcar uma consulta ou ter que dormir na fila, para garantir um dos
dez
números distribuídos, de encontrar os remédios nas farmácias desses
postos,
de conseguir marcar o exame necessário para o tratamento, dos
aparelhos para
a realização desses exames sempre funcionarem e não de construção de
mais
UPAS, que não terão como funcionar 24h em locais carentes, pois os
bandidos
simplesmente invadem, ordenando ao médico: -"costura ou morre",
fazendo com
que o mesmo peça exoneração. Ou seja, além dele ter que conviver com
a falta
de condições de trabalho (material hospitalar, aparelhos quebrados e
etc),
ele tem que conviver com a falta de segurança, pois não há efetivos da
polícia suficiente. E quando cito médico, estou na verdade falando
de todos
os funcionários da área de saúde que trabalham, sob estas condições.
Decididamente este sistema político me entristece. Não há com inchar
mais a
folha de pagamento, fazendo concurso para repor pessoal. Sairia dos
impostos, que já são altíssimos para a população, um dos exemplos é
o ICMS.
Não entendo como na 2ª administração do Cesar Maia, faltou
investimento na
saúde, mas constroem um elefante branco como a Cidade da Música, já
que não
conseguiu trazer o museu para a área portuária. Fui informada que
trouxeram
técnicos americanos para avaliar a acústica do lugar e está toda
errada,
isto é, gasta-se milhões à toa.
Se a administração municipal for seguir o modelo do governo
estadual, será
igualmente sem expressão. Muita mídia e pouca ação. Trazer recursos do
governo federal é bom, saber usá-los seria melhor ainda, mas
infelizmente,
são sempre ações eleitoreiras, como o teleférico do Dona Marta e
futuramente
do Complexo do Alemão entre outras coisas que, no futuro, terão pouca
importância.
No debate exibido pela Tv Globo, a primeira pergunta do Paes era o que
Gabeira faria na região de Costa Barros e Barros Filho, pois bem, eu
recentemente como contra-checadora do Datafolha (uma espécie de
supervisora
de campo), tive que resgastar de carro uma equipe que estava
aplicando as
pesquisas eleitorais bem na Estrada de Botafogo, no bairro de Costa
Barros,
porque, simplesmente, os meninos do tráfico, um com fuzil e dois com
pistola, deram um tapinha nas costas da entrevistadora e disseram:
-"O que
vc tá fazendo aí" e ela respondeu: -"tô trabalhando, tô fazendo uma
pesquisa
para o datafolha", aí eles responderam: -"Não pode abordar aqui não,
vaza".
Eu fiquei rodando pra lá e pra cá com o motorista na estrada,
procurando-na,
logo depois que cheguei e avistei a outra pessoa da equipe, um rapaz
que já
tinha começado o campo e que me falou: -"aqui tá sinistro, toda hora
passa
uns caras de moto, ainda não me abordaram, mas não estou à vontade
não.
Assim que a menina chegar quero mudar de ponto" .
Ora, os caras ficam armados no meio da estrada, principal acesso
para a
Pavuna ou o metrô, pra quem quiser ver. A sorte é que como conheço
muita
gente, encontrei um amigo meu que trabalhou na CUFA, que estava
passando de
bicicleta e tem projetos sociais na comunidade e demonstrei aos
"meninos",
que tinha um amigo na "área". O rapaz(da equipe) era mais safo, também
conhecia o meu amigo, mas a menina não, estava em outro cruzamento,
pois
havia se perdido, estava atrasada e como ainda não tinha encontrado
com ele,
começou a abordar sozinha, num ponto diferente de onde ele estava
aplicando
as entevistas dele. O que mais me impressionou não foi a ação dos
bandidos,
pois infelizmente, estamos sempre aplicando pesquisa em áreas de
risco e
isso já se tornou corriqueiro, mas sim duas pichações com os mesmos
dizeres:
"VOCÊS ESTÃO SENDO FILMADOS, PAREM DE FAZER EXECUÇÕES EM TRABALHADORES
INOCENTES". Agora eu pergunto: O que o Paes fará pelo lugar? Ele
está ciente
dos problemas da região, já que foi a primeira pergunta do debate.
Falou-se tanto em unir a cidade durante a campanha, mas os postos de
saúde
da Zona Sul tem médicos e remédios, mas só atendem aos moradores da
região,
as escolas municipais da Zona Sul e Barra, são pintadas todo ano, tem
material, tem uma organização diferenciada da Zona Oeste e de certos
bairros
da Zona Norte. Não é um problema de má administração e sim que certas
escolas abrigam crianças de classe C e até B, enquanto a grande
maioria,
crianças de classe D e E, sendo infelizmente o tratamento diferenciado
mesmo.
Já ouvi absurdos de professores dizendo, pra que ensinar, se o aluno
não
quer aprender, só quer ir pra baile funk, amanhã vai ser bandido
mesmo.
Creio que, no fundo, as pessoas não cumprem/exercem o seu papel pois
acham
que se o cumprir, terá sido em vão, já que a maioria não executam
suas ações
enquanto cidadão ou meramente representantes de sua profissão. Isso
acaba
por gerar a corrente da inércia, ninguém faz nada, achando que não tem
solução ou que o outro não vai fazer a parte dele. É um absurdo.
Pra finalizar, mais um de meus causos: Conversando como uma ex-
presidiária,
ouvi ela dizer o seguinte: -"Como eles podem querer regenerar um
preso.
Convivi com tres mil mulheres, vi de tudo, menos interesse em
ensinar algum
ofício pra gente. Tentei me matar porque meu marido, com 19 anos,
bem mais
novo que eu, para pagar o advogado, morreu ao tentar fazer um
assalto, só
não morri porque não era a minha hora. Hoje, vejo os meus filhos que
foram
criados pela vó e penso em dar um futuro melhor, pra que não virem
bandidos.
Pois é, levei minha ficha em uma firma que estava contratando para
serviços
gerais, a moça que fez a entrevista, disse: gostei muito de vc, vc tem
perfil, traga os seus documentos que a gente vai te empregar. Não
durou uma
semana, pq assim que descobriram que eu era ex-presidiária, disseram
que
havia um probleminha e que não mais poderiam me empregar. Aí eu
respondi:
engraçado, o cara mata, é preso, vira ex-presidiário que nem eu e
pode ser
político. Já eu não posso fazer um concurso público, porque passei no
concurso pra merendeira, mas não pude ser chamada e quando tento as
empresas
privadas, também não empregam. Político pode ser ladrão. Onde está
essa tal
de RESSOCIALIZAÇÃO".
Abçs,
Christiane de Jesus
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