submetidos os autores que ganham muito pouco por suas composições e shows. A
Furacão 2000 embolsa a maior parte sob a condição de "organizar" o funk
carioca. Dessa forma quem vende o cd não é o funkeiro, ele vende seus
direitos para que a Furacão utilize suas músicas. Não é muito diferente da
situação dos sambistas de alguns anos atrás... Quem não se lembra da
história entre Pixinguinha e Benedito Lacerda? Benedito assinava composições
em parceria com Pixinguinha que por conseguinte divulgava sua obra e de
sobra ganhava um dinheirinho, porque ninguém é de ferro né. A situação do
funk não se dá nos mesmos termos é claro. Romulo Costa não pode nem de
longe comparar-se ao Benedito. Com seu poder político ele escraviza músicos
que sozinhos não teriam muitas condições de divulgar sua obra. Mas nem tudo
está perdido, há quem já percebeu essa opressão e tem lutado contra isso. O
problama não é o trem do funk, mas quem está por trás dele!
Pra quem se interessa pelo tema eu indico as discussões da ApaFunk (Associação
dos Profissionais e Amigos do Funk). E leiam o manifesto:
Manifesto do Movimento Funk é Cultura
O funk é hoje uma das maiores manifestações culturais de massa
do nosso país e
está diretamente relacionado aos estilos de vida e experiências da
juventude de
periferias e favelas. Para esta, além de diversão, o funk é também
perspectiva de vida,
pois assegura empregos direta e indiretamente, assim como o sonho de se
ter um
trabalho significativo e prazeiroso. Além disso, o funk promove algo raro
em nossa
sociedade atualmente que é a aproximação entre classes sociais
diferentes, entre
asfalto e favela, estabelecendo vínculos culturais muito importantes,
sobretudo em
tempos de criminalização da pobreza.
No entanto, apesar da indústria do funk movimentar grandes cifras e
atingir milhões de
pessoas, seus artistas e trabalhadores passam por uma série de
dificuldades para
reivindicarem seus direitos, são superexplorados, submetidos a contratos
abusivos e,
muitas vezes, roubados. O mais grave é que, sob o comando monopolizado de
poucos
empresários, a indústria funkeira tem uma dinâmica que suprime a
diversidade das
composições, estabelecendo uma espécie de censura no que diz respeito aos
temas
das músicas. Assim, no lugar da crítica social, a mesmice da chamada
?putaria?, letras
que têm como temática quase exclusiva a pornografia. Essa espécie de
censura
velada também vem de fora do movimento, com leis que criminalizam os
bailes e
impedimentos de realização de shows por ordens judiciais ou por vontade
dos donos
das casas de espetáculos.
A despeito disso, MCs e Djs continuam a compor a poesia da favela. Uma
produção
ampla e diversificada que hoje, por não ter espaço na grande mídia e nem
nos bailes,
vê seu potencial como meio de comunicação popular muito reduzido.
Para transformar essa realidade, é necessário que os profissionais do
funk organizem
uma associação que lute por seus direitos e também construa alternativas
para a
produção e difusão das músicas, contribuindo para sua profissionalização.
Bailes
comunitários em espaços diversos e mesmo nas ruas, redes de rádios e TVs
comunitárias com programas voltados para o funk, produção e distribuição
alternativa
de CDs e DVDs dos artistas, concursos de rap são algumas das iniciativas
que os
profissionais do funk, fortalecidos e unidos, podem realizar. Com isso,
será possível
ampliar a diversidade da produção musical funkeira, fornecer alternativas
para quem
quiser entrar no mercado, além de assessoria jurídica e de imprensa,
importantes para
proteger os direitos e a imagem dos funkeiros.
O primeiro passo nesse processo é a união de todos, funkeiros e
apoiadores, pela
aprovação de uma lei federal que defina o funk como movimento cultural e
musical de
caráter popular. Reivindicar politicamente o funk como cultura nos
fortalecerá
enquanto coletivo para combatermos a estigmatização que sofremos e o
poder
arbitrário que, pela força do dinheiro ou da lei, busca silenciar a nossa
voz.
Tamos juntos!
Manifesto aprovado em encontro de MCs e DJs realizado em 26/07/2008.
http://apafunk.blogspot.com/2009/01/manifesto-movimento-funk-cultura.html
2009/11/22 haroldo ( Banda da Barra ) <[email protected]>
Não vejo nenhum problema no fato de outras vertentes musicais copiarem a
idéia do Trem do Samba.O que me deixa em alerta são as verbas envolvidas das
quais ninguém conhece o destino,é o Neguinho prestando serviço ao Sr.Romulo
Costa e o evento em si que,claramente,teve muito mais preocupação em
divulgar a Furacão 2000 do que o próprio genero musical que também não tem
nada a ver com Zumbí.Haroldo
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Beijos Carol.
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