Fábio, não é bem assim. Não sei se já ouvio um cara chamado DJ Dolores, esse 
cara acho eu, usa os recursos eletronicos na dosagem certa, sua matéria prima é 
a música popular com muitos elementos de côco, maracatu e outros rítmos. Não 
concordo (em sua grande maioria) que eles façam música, mais sim arranjos, 
releituras. Alguns se destacam pela sua capacidade de inovação, sem contudo 
prejudicar o valor da música original, o que é um pouco difícil. Acho que o 
mérito é quando os efeitos e as mixagens são feitas na dosagem certa. Fiquei 
muito surpreso com essa investida do Henrique Cazes nessa área, pelo visto é o 
caminho inverso ao que foi feito com o Beatles (que por sinal não gostei).

Um abraço.
Caio Pontual
  ----- Original Message ----- 
  From: Phadha Phada 
  To: Gabriel Gomes 
  Cc: [email protected] 
  Sent: Saturday, February 27, 2010 1:09 PM
  Subject: Re: [S-C] Eletro-Pixinguinha


  O futuro e´  um vento rapido para essa gente.,  esses DJs para ganhar algum 
tipo de legitimidade com seu ruidos tentam por toda forca entrar na musica 
tradicional. Sao uns parasitas que invadem aquilo que tem arte,  pois nao tem 
conteudo legitimo  pra fixar uma obra consistente.
  E´ gente que nao deixa nome, nao deixa obra, nao deixa marca.
  O problema eh que esta parasitagem como qualquer bacteria pode deixar estrago 
no curto tempo de vida que tem.


  Eu., nao abro mao do Argumento, minha mente da bem fechada pra esse tipo de 
coisa. O corpo vacinado tambem..!
  abs
  Fabio Padilha(gangaz)



   
  Em 27 de fevereiro de 2010 02:56, Gabriel Gomes <[email protected]> 
escreveu:

    EU falei do autodidata, que aprende a tocar violão, cavaquinho, etc. 
comprando revista em banca. Conheço excelentes instrumentistas que aprenderam 
assim. Usei como exemplo para mostrar como é difícil definir o que é ser 
músico. Em determinados casos, não considero DJ um músico, em outros talvez. 
Curso de DJ não se propõe a formar músicos e sim ensinar a mixar. Produção 
musical e Live PA já se aproximam um pouco mais disso.

    Em cima de trio elétrico tem DJ, tem banda de axé, de sertanejo, de salsa, 
MPB, tem música afro, tem pagode, tem samba, tem piano de cauda... Sinal de que 
tem espaço pra todo mundo. Já os DJs de casamento, pra mim são montadores de 
playlist. Ser DJ vai muito além de apertar play e pause. O cara que não tem 
dinheiro para contratar uma banda, contrata um DJ. Agora, você nunca vai ver um 
DJ substituir uma roda de samba ou um show de rock. Cada um tem seu espaço.

    Os maiores divulgadores de artistas novos são de longe os DJs. Conheci 
inúmeros artistas, bandas, músicas, versões e regravações novos ouvindo DJs 
tocarem. Os caeas estão na vanguarda da pesquisa musical há muito tempo.

    Você precisa abrir um pouco sua mente. Primeiro sobre o trabalho dos DJs, 
que não se restringe a música eletrônica. Tem gente trabalhando com 
absolutamente todo tipo de música que se possa imaginar, inclusive muitos DJs 
que sabem tudo e mais um pouco de samba. Tínhamos um representante da classe há 
algum tempo aqui na Tribuna. Não sei se alguém se lembra do Lucio K. Hoje o 
cara é uma fera, respeitadíssimo. O som dele é excelente, muito samba bom, tudo 
altamente dançante. Eu tenho uns discos dele se alguém se interessar.

    Segundo porque música eletrônica é uma classificação tão abrangente que 
chamar tudo de ruído chega a ser infantil. É tão certo quanto dizer que música 
acústica é ruído. 

    Mas não adianta espernear, o futuro é esse aí. Muita gente chiou quando 
inventaram os instrumentos de metal, de acrílico, as peles de nylon pras 
percursões, as baquetas de plástico, as guitarras e depois os efeitos de 
distorção... Tudo são novos recursos, novas possibilidades.

    Te digo uma coisa. Se hoje você quiser encontrar alguma coisa sendo 
produzida que seja realmente inovadora em termos de música, sua pesquisa tem 
que passar obrigatoriamente pelo eletrônico. É onde acontece alguma coisa 
parecida com a revolução causada pelas guitarras.

    E não me venha com esse papo ranzinza de ruído, que não cola. Você deu um 
exemplo desastroso (segundo sua opinião, já que eu mesmo não ouvi). Eu dei três 
que ficaram interessantes, só dentro do universo do samba e do choro. 


    Aquele abraço,
    Gabriel Gomes



    2010/2/26 Phadha Phada <[email protected]>

      Em nenhum momento  citei  autodidata  falei na grade de uma  academia que 
se propoe a formar musicos arranjadores e produtores de musica eletronica.
      E citei tambem a  experiencia desastrosa de colocar ruidos eletronicos  
na musica de Pixinguinha.

      Ou seja quem aprende por uma academia nao eh um autodidata.

      E  existe  sim  uma concorrencia feroz entre DJS e musicos.

      Hoje DJs concorrem com musicos em casamentos, festas de aniversarios  e 
demais eventos.
      Tem DJs ate em cima de trio eletrico no carnaval.
      Aquilo que chamam de musica eletronica, dominam boa parte dos clubes de 
praias que antes eram dominados por bandas tradicionais.

      Os  DJS sao  especialistas  na producao de combinacao de ruidos,   
portanto o dominio das   novas tecnologias,da  mecanica das ondas sonoras, 
devem auxila-los bastantes no barulho que ja fazem.Enfim falta-lhes o dominio 
da sensibilidade.

      abs
      Fabio Padilha(gangaz)



      Em 26 de fevereiro de 2010 18:52, Gabriel Gomes <[email protected]> 
escreveu: 


        Quando se trata de discotecagem, tem-se basicamente dois tipos de 
apresentações, que normalmente são chamadas DJ set e Live PA (tem um outro tipo 
que exige meio neurônio, namorar a Madonna e fazer performances 
semi-acrobáticas, mas esse eu não vou comentar).

        Um set consiste basicamente em mixar músicas, o que consiste em 
escolher as músicas, sincronizar o pitch (bpm) e as batidas (beatmatching), 
equalizar tudo e, eventualmente, aplicar efeitos, fazer scratches e utilizar 
samples.

        Para isso não é necessário, a priori, conhecimento nenhum de teoria 
musical. É como aprender a tocar um instrumento de percursão. No entanto, na 
prática, os bons DJs estudam teoria, modulações, estrutura ritmica, mecânica 
das ondas sonoras e dedicam muito tempo a pesquisas musicais, tendências, novas 
técnicas e tecnologias. Isso tudo faz diferença na hora de mixar e, na minha 
opinião, é o que separa um bom DJ de um mero montador de playlists.

        Um Live é muito mais próximo do que faz um músico. Gerar loops em tempo 
real, utilizar sequenciadores, sintetizadores, samplers, instrumentos diversos 
e vocais (gravados ou ao vivo), etc.

        Além disso, existe a produção musical, que exige muito mais 
conhecimento técnico e teórico sobre música, estúdio, masterização, 
equalização...

        DJ é músico? Não sei. Essa classificação é um tanto quanto subjetiva. O 
autodidata que compra umas revistas e aprende a tocar na marra é músico? 
Quantos sambistas e chorões geniais não sabiam ler uma partitura?

        Saber teoria musical também não faz um bom músico. Música é arte e arte 
não tem fórmula certa. Inspiração não se aprende em escola nenhuma. Por isso 
temos Cartolas, Nelsons Cavaquinho e tantos outros monstros sagrados que nunca 
passaram nem na porta de uma escola de música.

        A questão é que DJs e músicos não são necessariamente concorrentes. De 
certa forma os trabalhos são complementares e existe uma simbiose que se 
fortalece a cada dia. A música eletrônica cada vez ganha mais espaço e muitos 
músicos têm inserido elementos não-acústicos em seus trabalhos com resultados 
muito interessantes.

        Só para ficar no nosso tema, dois discos recentes que exploram muito 
bem esse recurso:

        Universo ao Meu Redor - Marisa Monte

        Horizonte - Gabriel Grossi Trio (O show do disco mais recente, Arapuca, 
com o trio também abusa de sintetizadores)

        De brinde, esse pessoal aqui que é, talvez, a coisa mais original que 
eu já ouvi nos últimos tempos:
        Orquestra Contemporânea de Olinda  - Orquestra Contemporânea de Olinda
        http://www.orquestracolinda.com.br/
        http://www.youtube.com/watch?v=GXMj4VQ3-_E


        Aquele abraço,
        Gabriel Gomes



        2010/2/26 Phadha Phada <[email protected]>

          senhores, quando eu falo que a maioria das pessoas que trabalham com 
musica eletronica
          nao manjam nada de musica, por isso viraram  especialistas em 
produzir ruidos, muita gente me olha torto.
          Eu peguei um programa academico de uma escola conceituada na formacao 
de DJS e produtores de musica eletronica.



          Conteudo academico para se tornar um DJ:


          Ensino em vinil e cd;
          Como montar o set-up,
          Técnicas de mixagem, Efeitos, Beatmatch;
          Gravação de set e Masterização;
          Estilos de e-music;
          História da e-music;
          Como tocar por aí;
          Re-edit e introdução à Produção Musical;
          Novas tendências na e-music;
          Novas tecnologias na e-music;
          Final Scratch, Serato e Scratching
          Marketing pessoal e de eventos.


          Olha que interessante primeiro voce vira um DJ, ou seja voce aprende 
as tecnicas de  compor e TOCAR musicas votadas a CD e VINIL.
          Quando falo tocar e' tocar mesmo. como se toca  violao, tamborim etc..


          So' se o "musico"  optar por se tornar um  arranjador ou produtor   
e' que  ele   precisara' conhecer algumas nocoes
          basicas de teoria musical,  Fraselogia e  Percepcao Ritmica.


          Abaixo segue o  conteudo para se tornar um arranjador e produtor 
musical de musica eletronica:

          Setup
          Reedit
          Samples e Samplers Virtuais
          Sintetizadores Virtuais
          Noções de Teoria Musical
          Remix
          Estrutura da Música Eletrônica
          Noções de Forma e Fraselogia Musical
          Equalização
          Mixagem
          Compressão
          Efeitos de Audio/MIDI
          Introdução à Percepção Rítmica
          Masterização
          Indústria e Mercado da Música
          Live PA
          Áudio para Publicidade

          Mas o fenomeno inverso tambem acontece, quando musicos muito 
competentes se aventuram na musica eletronica.
          Coisas boas nao vao surgir.
          Esta semana eu assisti uma apresentacao do Henrique Cazes algo do 
tipo "Eletro Pixinguinha".
          Ele plugou seu cavaquinho nuns pedais de efeitos, e tirou dali os 
timbres mais horripilantes que ja escutei.
          Junto a ele estava um tecladista, alias muito competente, mas que 
insistia em utilizar sintetizadores com ruidos
          cavernosos. 



          att
          Fabio Padilha(gangaz)


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