Pois é Fábio, infelizmente eu não tenho esse disco, a música eu não conhecia, ouvi um trecho no site Cliquemusic, mas eu via de regra, não gosto muito de releituras (são raras as exceções), eu prefiro quase sempre a versão original.
Um abraço. Caio Pontual PS. Gabriel talvez seja falta de acesso a esse pessoal que vc mencionou, nunca tinha ouvido falar neles, exceto pelo teu chará. ----- Original Message ----- From: Phadha Phada To: Caio Pontual-Globo Cc: Tribuna Sent: Tuesday, March 02, 2010 8:13 PM Subject: Re: [S-C] Eletro-Pixinguinha Caio, pega o disco do Paulinho da Viola gravado em 1978, Seleciona a setima faixa CENARIOS(Catoni, Jorge Mexeu). Ouca com todo carinho, cada frase, cada timbre, cada som. Mexer nesse negocio e' sacrilegio...! abs Fabio Padilha(gangaz). Em 28 de fevereiro de 2010 13:23, Caio Pontual-Globo <[email protected]> escreveu: Fábio, não é bem assim. Não sei se já ouvio um cara chamado DJ Dolores, esse cara acho eu, usa os recursos eletronicos na dosagem certa, sua matéria prima é a música popular com muitos elementos de côco, maracatu e outros rítmos. Não concordo (em sua grande maioria) que eles façam música, mais sim arranjos, releituras. Alguns se destacam pela sua capacidade de inovação, sem contudo prejudicar o valor da música original, o que é um pouco difícil. Acho que o mérito é quando os efeitos e as mixagens são feitas na dosagem certa. Fiquei muito surpreso com essa investida do Henrique Cazes nessa área, pelo visto é o caminho inverso ao que foi feito com o Beatles (que por sinal não gostei). Um abraço. Caio Pontual ----- Original Message ----- From: Phadha Phada To: Gabriel Gomes Cc: [email protected] Sent: Saturday, February 27, 2010 1:09 PM Subject: Re: [S-C] Eletro-Pixinguinha O futuro e´ um vento rapido para essa gente., esses DJs para ganhar algum tipo de legitimidade com seu ruidos tentam por toda forca entrar na musica tradicional. Sao uns parasitas que invadem aquilo que tem arte, pois nao tem conteudo legitimo pra fixar uma obra consistente. E´ gente que nao deixa nome, nao deixa obra, nao deixa marca. O problema eh que esta parasitagem como qualquer bacteria pode deixar estrago no curto tempo de vida que tem. Eu., nao abro mao do Argumento, minha mente da bem fechada pra esse tipo de coisa. O corpo vacinado tambem..! abs Fabio Padilha(gangaz) Em 27 de fevereiro de 2010 02:56, Gabriel Gomes <[email protected]> escreveu: EU falei do autodidata, que aprende a tocar violão, cavaquinho, etc. comprando revista em banca. Conheço excelentes instrumentistas que aprenderam assim. Usei como exemplo para mostrar como é difícil definir o que é ser músico. Em determinados casos, não considero DJ um músico, em outros talvez. Curso de DJ não se propõe a formar músicos e sim ensinar a mixar. Produção musical e Live PA já se aproximam um pouco mais disso. Em cima de trio elétrico tem DJ, tem banda de axé, de sertanejo, de salsa, MPB, tem música afro, tem pagode, tem samba, tem piano de cauda... Sinal de que tem espaço pra todo mundo. Já os DJs de casamento, pra mim são montadores de playlist. Ser DJ vai muito além de apertar play e pause. O cara que não tem dinheiro para contratar uma banda, contrata um DJ. Agora, você nunca vai ver um DJ substituir uma roda de samba ou um show de rock. Cada um tem seu espaço. Os maiores divulgadores de artistas novos são de longe os DJs. Conheci inúmeros artistas, bandas, músicas, versões e regravações novos ouvindo DJs tocarem. Os caeas estão na vanguarda da pesquisa musical há muito tempo. Você precisa abrir um pouco sua mente. Primeiro sobre o trabalho dos DJs, que não se restringe a música eletrônica. Tem gente trabalhando com absolutamente todo tipo de música que se possa imaginar, inclusive muitos DJs que sabem tudo e mais um pouco de samba. Tínhamos um representante da classe há algum tempo aqui na Tribuna. Não sei se alguém se lembra do Lucio K. Hoje o cara é uma fera, respeitadíssimo. O som dele é excelente, muito samba bom, tudo altamente dançante. Eu tenho uns discos dele se alguém se interessar. Segundo porque música eletrônica é uma classificação tão abrangente que chamar tudo de ruído chega a ser infantil. É tão certo quanto dizer que música acústica é ruído. Mas não adianta espernear, o futuro é esse aí. Muita gente chiou quando inventaram os instrumentos de metal, de acrílico, as peles de nylon pras percursões, as baquetas de plástico, as guitarras e depois os efeitos de distorção... Tudo são novos recursos, novas possibilidades. Te digo uma coisa. Se hoje você quiser encontrar alguma coisa sendo produzida que seja realmente inovadora em termos de música, sua pesquisa tem que passar obrigatoriamente pelo eletrônico. É onde acontece alguma coisa parecida com a revolução causada pelas guitarras. E não me venha com esse papo ranzinza de ruído, que não cola. Você deu um exemplo desastroso (segundo sua opinião, já que eu mesmo não ouvi). Eu dei três que ficaram interessantes, só dentro do universo do samba e do choro. Aquele abraço, Gabriel Gomes 2010/2/26 Phadha Phada <[email protected]> Em nenhum momento citei autodidata falei na grade de uma academia que se propoe a formar musicos arranjadores e produtores de musica eletronica. E citei tambem a experiencia desastrosa de colocar ruidos eletronicos na musica de Pixinguinha. Ou seja quem aprende por uma academia nao eh um autodidata. E existe sim uma concorrencia feroz entre DJS e musicos. Hoje DJs concorrem com musicos em casamentos, festas de aniversarios e demais eventos. Tem DJs ate em cima de trio eletrico no carnaval. Aquilo que chamam de musica eletronica, dominam boa parte dos clubes de praias que antes eram dominados por bandas tradicionais. Os DJS sao especialistas na producao de combinacao de ruidos, portanto o dominio das novas tecnologias,da mecanica das ondas sonoras, devem auxila-los bastantes no barulho que ja fazem.Enfim falta-lhes o dominio da sensibilidade. abs Fabio Padilha(gangaz) Em 26 de fevereiro de 2010 18:52, Gabriel Gomes <[email protected]> escreveu: Quando se trata de discotecagem, tem-se basicamente dois tipos de apresentações, que normalmente são chamadas DJ set e Live PA (tem um outro tipo que exige meio neurônio, namorar a Madonna e fazer performances semi-acrobáticas, mas esse eu não vou comentar). Um set consiste basicamente em mixar músicas, o que consiste em escolher as músicas, sincronizar o pitch (bpm) e as batidas (beatmatching), equalizar tudo e, eventualmente, aplicar efeitos, fazer scratches e utilizar samples. Para isso não é necessário, a priori, conhecimento nenhum de teoria musical. É como aprender a tocar um instrumento de percursão. No entanto, na prática, os bons DJs estudam teoria, modulações, estrutura ritmica, mecânica das ondas sonoras e dedicam muito tempo a pesquisas musicais, tendências, novas técnicas e tecnologias. Isso tudo faz diferença na hora de mixar e, na minha opinião, é o que separa um bom DJ de um mero montador de playlists. Um Live é muito mais próximo do que faz um músico. Gerar loops em tempo real, utilizar sequenciadores, sintetizadores, samplers, instrumentos diversos e vocais (gravados ou ao vivo), etc. Além disso, existe a produção musical, que exige muito mais conhecimento técnico e teórico sobre música, estúdio, masterização, equalização... DJ é músico? Não sei. Essa classificação é um tanto quanto subjetiva. O autodidata que compra umas revistas e aprende a tocar na marra é músico? Quantos sambistas e chorões geniais não sabiam ler uma partitura? Saber teoria musical também não faz um bom músico. Música é arte e arte não tem fórmula certa. Inspiração não se aprende em escola nenhuma. Por isso temos Cartolas, Nelsons Cavaquinho e tantos outros monstros sagrados que nunca passaram nem na porta de uma escola de música. A questão é que DJs e músicos não são necessariamente concorrentes. De certa forma os trabalhos são complementares e existe uma simbiose que se fortalece a cada dia. A música eletrônica cada vez ganha mais espaço e muitos músicos têm inserido elementos não-acústicos em seus trabalhos com resultados muito interessantes. Só para ficar no nosso tema, dois discos recentes que exploram muito bem esse recurso: Universo ao Meu Redor - Marisa Monte Horizonte - Gabriel Grossi Trio (O show do disco mais recente, Arapuca, com o trio também abusa de sintetizadores) De brinde, esse pessoal aqui que é, talvez, a coisa mais original que eu já ouvi nos últimos tempos: Orquestra Contemporânea de Olinda - Orquestra Contemporânea de Olinda http://www.orquestracolinda.com.br/ http://www.youtube.com/watch?v=GXMj4VQ3-_E Aquele abraço, Gabriel Gomes 2010/2/26 Phadha Phada <[email protected]> senhores, quando eu falo que a maioria das pessoas que trabalham com musica eletronica nao manjam nada de musica, por isso viraram especialistas em produzir ruidos, muita gente me olha torto. Eu peguei um programa academico de uma escola conceituada na formacao de DJS e produtores de musica eletronica. Conteudo academico para se tornar um DJ: Ensino em vinil e cd; Como montar o set-up, Técnicas de mixagem, Efeitos, Beatmatch; Gravação de set e Masterização; Estilos de e-music; História da e-music; Como tocar por aí; Re-edit e introdução à Produção Musical; Novas tendências na e-music; Novas tecnologias na e-music; Final Scratch, Serato e Scratching Marketing pessoal e de eventos. Olha que interessante primeiro voce vira um DJ, ou seja voce aprende as tecnicas de compor e TOCAR musicas votadas a CD e VINIL. Quando falo tocar e' tocar mesmo. como se toca violao, tamborim etc.. So' se o "musico" optar por se tornar um arranjador ou produtor e' que ele precisara' conhecer algumas nocoes basicas de teoria musical, Fraselogia e Percepcao Ritmica. Abaixo segue o conteudo para se tornar um arranjador e produtor musical de musica eletronica: Setup Reedit Samples e Samplers Virtuais Sintetizadores Virtuais Noções de Teoria Musical Remix Estrutura da Música Eletrônica Noções de Forma e Fraselogia Musical Equalização Mixagem Compressão Efeitos de Audio/MIDI Introdução à Percepção Rítmica Masterização Indústria e Mercado da Música Live PA Áudio para Publicidade Mas o fenomeno inverso tambem acontece, quando musicos muito competentes se aventuram na musica eletronica. Coisas boas nao vao surgir. Esta semana eu assisti uma apresentacao do Henrique Cazes algo do tipo "Eletro Pixinguinha". Ele plugou seu cavaquinho nuns pedais de efeitos, e tirou dali os timbres mais horripilantes que ja escutei. Junto a ele estava um tecladista, alias muito competente, mas que insistia em utilizar sintetizadores com ruidos cavernosos. att Fabio Padilha(gangaz) _______________________________________________ Tribuna mailing list [email protected] http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna -------------------------------------------------------------------------- _______________________________________________ Tribuna mailing list [email protected] http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna _______________________________________________ Tribuna mailing list [email protected] http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna
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