Maravilha de texto Marcos. De babar e ler de joelhos! Parabéns. Assino embaixo! ----- Original Message ----- From: Marcos Virgílio To: [email protected] Sent: Sunday, July 11, 2010 1:18 PM Subject: Re: [S-C]Res: O BRASIL NÃO PERDEU - RUBENS LEMOS
Vou deixar de lado a discussão futebolística: não é que não interesse ou esteja repreendendo ninguém, mas fiquei mais instigado com a comparação futebol-MPB, e a pergunta geral "há/haverá novos talentos como os que nos acostumamos a venerar do passado?". Como arquiteto, peço permissão para colocar também a arquitetura no baile, porque a pergunta também corre por lá: depois de Niemeyer, mais ninguém? Acho que o problema é de parâmetro. Enquanto Niemeyer, ou Chico/Caetano/Gil/Tom, ou Pelé/Garrincha forem os modelos de comparação para tudo de novo que surge, vai ficar difícil achar alguém. Acho sim que há certo saudosismo nisso (eu mesmo não escapo, porque não acho que nada em música popular alcance os Beatles, mas isso já é outra história). Esses tidos como "gênios" foram beneficiados por um conjunto de circunstâncias muito favoráveis que se somaram ao talento (inegável, mas insuficiente para explicar a projeção toda). A idéia mesmo de "gênio" é altamente questionável. Parece que basta a pessoa ser genial e o mundo inteiro se curvará à sua genialidade. Existe, porém, a questão da oportunidade: a pessoa estar no lugar certo no momento certo. E ter amigos. Porque são estes que atribuem a alguém o status de gênio. Não é o próprio. Se não, certamente já teríamos tido muitos outros (Arrigo Barnabé, por exemplo, continua achando que é um gênio acima dos mortais). Ninguém nunca achou estranho que todos esses "gênios" frequentavam os mesmos circuitos, conheciam-se uns aos outros (isso quando não eram amigos íntimos), etc? Não é muita coincidência que todos esses gênios tenham se juntado num mesmo lugar ao mesmo tempo? Engraçado é que essa "nostalgia" já vem sendo notada e criticada há muito tempo: ainda nos anos 70 tinha um Raul Seixas cantando "eu não nego que a poesia dos 50 é bonita, mas todo sentimento dos 70 onde é que fica?", ou ainda o Belchior sentenciando "nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não, você diz que depois deles não apareceu mais ninguém". Será que mais uma vez é a gente "que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem"? ------------------------------------------------------------------------------ _______________________________________________ Tribuna mailing list [email protected] http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna
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