Bem, primeiro, obrigado pelo menino, rs. Chegar quase a meio século se 
imaginando um menino é bem estimulante.
Mas não se trata de amaciar, não tava endurecido, rs.
Mas a gente acaba uma hora concordando aqui, discordando ali... porém sempre 
respeitando muito. No fundo a questão era a comparação entre 
música/cultura/futebol. A gente acabou saindo um pouco do foco, mudando de 
assunto, falando mais de paixão do que de razão. Mas acho que o ponto 
principal, sem ser saudosista é: uns estão indo, poucos estão chegando. Porém 
qualidade sempre existe. Hoje globalização e efeitos mercantilistas deturpam 
muito a solidez da nossa cultura, do nosso esporte e de outras frentes.
Dizem que pra se conhecer bem um povo, basta ouvir a música que eles ouvem e 
assistir o esporte que eles praticam.
Enfim, estamos chegando numa era sem fronteiras em que, nosso esporte está 
sendo mais praticado na europa do que em casa. Esportes diferentes, eletrônicos 
estão entrando. Hoje se escuta aqui dentro menos samba, menos choro, menos 
bossa, menos xaxado, menos maxixe, menos de tudo que seja de raiz. E se escuta 
mais RAP, maneirismos americanos, música americana, funk, breganejos, axés, 
calipsos e música eletrônica. Jovens estão perdendo a virgindade cada vez mais 
cedo, indo a baladas cada vez mais americanizadas e aprendendo a difundir e 
escutar culturas de outros povos, enquanto que aprendem cada vez menos sobre a 
nossa.
O amigo arquiteto citou Niemeyer e eu que sou professor de música cito que, 
hoje, perguntar a nossos jovens alunos se eles sabem quem é Toquinho ou até 
Lenine, pra não ir tão longe. Rita Lee, Guilherme Arantes ou Raul Seixas que 
são mais póximos da cultura que eles ouvem inclusive e ouvir um "ah, esses eu 
conheço" é muito raro. 1 em cada 200 ou 300 jovens tem alguma noçao do que 
esses artistas históricos representam.
Sobre carioquismo... discordo. Não sou carioca, acho o futebol carioca o pior 
praticado no Brasil hoje e se fosse bairrismo, iria falar de Nilmar ou Pato que 
são jovens valores do meu estado. Ou Dirceu, Aladim, Alex, Rogério Ceni,  
Sicupira, Kléberson, Ricardinho ou outros nomes já consagrados do meu estado.
Estava apenas tentando ser realista, afinal todos devemos saber como o futebol 
jogado hoje é feio. Iniesta se consagrou ontem? Sim, com méritos. É um grande 
jogador. Mas antes perdeu 3 ou 4 gols impossíveis de perder e por preciosismo, 
falta de visão e falta de habilidade mesmo. Lembrar da passada de pé na Bola 
que Ronaldo deu no goleiro Kingston em 2006 e ver que o tão afamado Robben não 
sabe fazer isso, pois teve duas chances de entortar o Casillas e meter pro gol 
vazio, mas certificar-se que ee não tem a mínima noção de como fazer isso, 
torna o feliz hábito de assistir futebol muito irritante hoje em dia. E esse 
dois pseudo-gênios, são campeão e vice mundiais hoje. Duas seleções que nunca 
foram além, chegaram, uma ganhou. Porquê? O futebol espanhol e holandês hoje 
estõ melhores do que na época de Raúl, Michel, Butragueño, Hierro, Guardiola, 
Cruyff, Resembrick, Blind, Neskeens, Gullit, Van Basten, Rijkaard, Koeman, De 
Boer e outros? Claro que não. Ambas as seleções finalistas são medíocres. 
Vangloriar Puyol como grande Zagueiro e Vam Bommel ou Kuyt como os jogadores 
mais versáteis da Holanda é no mínimo deprimente. O que aconteceu é que as 
grandes seleções que antes tinham grandes craques caíram. Não foi Holanda que 
melhorou, nem a Espanha que aprendeu a jogar melhor. Foi o resto que decaiu  e 
hoje, é notório: O futebol está nivelado por baixo e o mesmo vem acontecendo 
com nossa música, nosso cinema, nossa literatura, nosso teatro (que hoje só 
copia musicais americanos), nossa teledramaturgia, nossos programas de 
auditório, nossos eventos culturais, nossa arquitetura, nossa medicina, nossa 
EDUCAÇÃO, sobretudo.
Quanto a jogador não ser inteligente. Acaba sendo um pouco preconceituoso. Hoje 
existem linhas educacionais que comprovam diversos tipos de eixos de 
inteligência (linguìstico, raciocínio-lógico, corporal-cinestésico, espacial, 
interpessoal, intrapessoal, musical, pictórico, naturalista e emocional) é a 
Teoria das Inteligências Múltiplas, desenvolvida pelo professor Howard Gardner, 
grande educador que, assim como Niemeyer ou Jobim, quando se for, poucos 
chegarão para ocupar o lugar dele também.
Portanto a inteligência espacial e cinestésica, pode sim ser importante para um 
atleta e deve ser tratada como inteligência real. Se ela não for suficiente 
para ele ser um atleta profissional, será importante na sua formação para 
exercer outras inteligências, como ser motorista, professor de educação física, 
militar, ator, dançarino, diversas outras atividades onde essas habilidades são 
essenssiais. O que acontece com a maioria no Brasil e em muitos outros países é 
que eles vêem de baixo, não tem muita oportunidade de estudar com qualidade, e 
o esporte e a música são talvez a melhor forma deles mudarem de vida. Não 
confundir cultura/inteligência/raciocínio. São 3 coisas muito diferentes, mas 
que se interdependem.
Antigamente a gente dizia que o homem é um animal, como todos os outros, porém 
o que o diferenciava de outros animais era a inteligência. "HOMEM, ANIMAL 
INTELIGENTE". Os mais antigos vão se lembrar. Hoje isto está ultrapassado. 
Sabe-se que uma formiga tem inteligência. A diferença é que o homem pode 
buscar, com sua inteligência, seja ele uma assumidade ou um analfabeto, ampliar 
sua cultura e para tanto ele usa uma atividade que outros animais não têm. O 
raciocínio. "HOMAM, ANIMAL QUE RACIOCINA".
E digamos, raciocinar com a bola no pé, tendo de aprender outros idiomas pra 
poder jogar em outros países e ter inteligência pra não matar prostitutas, 
ex-amantes e outras afins, não é tarefa para qualquer mortal comum. E se uma 
formiga pode ser inteligente. Um atleta que acaba estudando medicina, 
jornalismo, geografia, educação física, tornando-se profissionais em outras 
áreas após o fim da curta carreira ou mesmo técnicos profissionais, também 
podem ter inteligência. 

  ----- Original Message ----- 
  From: CIDAO 
  To: Marcello Pereira Borghí ; [email protected] 
  Sent: Monday, July 12, 2010 10:13 AM
  Subject: Re: [S-C]Res: O BRASIL NÃO PERDEU - RUBENS LEMOS


  Ta começando a amacia né menino rsrss
  CIDÃO
    ----- Original Message ----- 
    From: Marcello Pereira Borghí 
    To: [email protected] 
    Sent: Monday, July 12, 2010 5:54 AM
    Subject: Re: [S-C]Res: O BRASIL NÃO PERDEU - RUBENS LEMOS


    Maravilha de texto Marcos. De babar e ler de joelhos! Parabéns. Assino 
embaixo!
      ----- Original Message ----- 
      From: Marcos Virgílio 
      To: [email protected] 
      Sent: Sunday, July 11, 2010 1:18 PM
      Subject: Re: [S-C]Res: O BRASIL NÃO PERDEU - RUBENS LEMOS


      Vou deixar de lado a discussão futebolística: não é que não interesse ou 
esteja repreendendo ninguém, mas fiquei mais instigado com a comparação 
futebol-MPB, e a pergunta geral "há/haverá novos talentos como os que nos 
acostumamos a venerar do passado?". Como arquiteto, peço permissão para colocar 
também a arquitetura no baile, porque a pergunta também corre por lá: depois de 
Niemeyer, mais ninguém?
      Acho que o problema é de parâmetro. Enquanto Niemeyer, ou 
Chico/Caetano/Gil/Tom, ou Pelé/Garrincha forem os modelos de comparação para 
tudo de novo que surge, vai ficar difícil achar alguém. Acho sim que há certo 
saudosismo nisso (eu mesmo não escapo, porque não acho que nada em música 
popular alcance os Beatles, mas isso já é outra história).
      Esses tidos como "gênios" foram beneficiados por um conjunto de 
circunstâncias muito favoráveis que se somaram ao talento (inegável, mas 
insuficiente para explicar a projeção toda). A idéia mesmo de "gênio" é 
altamente questionável. Parece que basta a pessoa ser genial e o mundo inteiro 
se curvará à sua genialidade. Existe, porém, a questão da oportunidade: a 
pessoa estar no lugar certo no momento certo. E ter amigos. Porque são estes 
que atribuem a alguém o status de gênio. Não é o próprio. Se não, certamente já 
teríamos tido muitos outros (Arrigo Barnabé, por exemplo, continua achando que 
é um gênio acima dos mortais).
      Ninguém nunca achou estranho que todos esses "gênios" frequentavam os 
mesmos circuitos, conheciam-se uns aos outros (isso quando não eram amigos 
íntimos), etc? Não é muita coincidência que todos esses gênios tenham se 
juntado num mesmo lugar ao mesmo tempo?
      Engraçado é que essa "nostalgia" já vem sendo notada e criticada há muito 
tempo: ainda nos anos 70 tinha um Raul Seixas cantando "eu não nego que a 
poesia dos 50 é bonita, mas todo sentimento dos 70 onde é que fica?", ou ainda 
o Belchior sentenciando "nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não 
enganam não, você diz que depois deles não apareceu mais ninguém". Será que 
mais uma vez é a gente "que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem"?



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